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02/09/2008 09:33
MELHOR QUE SER SURDO
Por Claudio R.
- Moço, eu posso lhe dizer um coisa?
- Depende...
- O senhor não leva a mal, não?
- Depende...
- Olha só, eu acho muito feio homem de brinco, e pior quando são dois, fica horrível.
- Veja bem, na verdade são três brincos, eu acho muito feia mulher gorda, e nem por isso eu me dirigi a você pra lhe falar.
Por Claudio R., o escritor de O Ladrão de Palavras, é homem, é hetero, usa brinco e acredita que homossexual é quem dá a bunda.
enviada por O Ladrão de Palavras
25/08/2008 09:07
UM DESEJO LÚBRICO SEM MANIFESTAÇÕES
Por Claudio R.
Lá está ela, linda, deliciosa,ops!, deliciosa é coisa de pederasta, gostosa mesmo, assim, de boca cheia, um tesão de mulher... Olho ela todo dia, e isso já é quase um deja vu. Enquanto ela não me olha fixando os seus olhos em mim, eu a percebo inteira, têm dias que ela está estonteante, noutros ela está simples, e hoje ela parece que acordou bem em cima da hora, seus olhos estão ainda sonolentos. É uma pena eu não ter coragem de dizem nenhuma palavra. Será que ela fica perturbada com as minhas flechas oculares? Ela coçando o olho é lindo! Agora, eu coçando as partes não é de jeito algum... Ela olha enviesada, lembrei da Capitu e seu olhar oblíquo e dissimulado. Ela usa aliança na mão esquerda, mas ela fica inquieta com os dedos da mão, eu penso que esta é uma atitude de quem não queria está usando, ou que aquilo incomoda. Eu devo incomodá-la, perturbá-la a ponto de desconcentrá-la. Com esse frio o peito dela ficou bem arrepiado, aquilo deve ser um furacão numa alcova. Ela tem um jeitinho de quem trepa muito bem. E que gosta de ser dominada, controlada, pegada... Uma mulher mais velha, mas que tem todas as ferramentas, em perfeito estado, de uma mulher luxuriosa. Mesmo ela sendo casada, eu ficaria com ela, mas bem longe daqui, ela deve morar por aqui por perto. Meu pênis fica empedernido só de pensar que ela pode está excitada comigo, com o meu olhar guloso. É desconcertante ter que ficar ajeitando pro lado e o pior é que nem olho para o lado pra ver se alguém está me observando. Às vezes tenho vontade de desejá-la um bom dia, mas olhá-la me basta, apenas a como com os olhos. Vivendo apenas uma fantasia, uma utopia, ela continua lá, parada, esperando... Eu vou ter que chegar no escritório e correr para o banheiro para satisfazer-me da mulher que fica ali parada.
enviada por O Ladrão de Palavras
20/08/2008 14:00
MANIFESTAÇÕES DE UM DESEJO LÚBRICO
Por Claudio R.
Lá vem ele, parece que ainda não me viu... Pronto, já me viu! Não sei o que ele está pensando, mas me sinto nua quando o vejo. Ele me olha dos pés a cabeça, mesmo quando estou toda coberta. Às vezes penso que ele vai me dizer alguma coisa, um olhar incisivo, chega a ser perturbador. E este ônibus que não passa logo! Fico agoniada com um homem que me come com os olhos assim. Todos os dias, impreterivelmente. Nunca falha... Um homem com este corpo também não deve falhar em momento algum. Hoje eu estou com esse vestido, minhas pernas estão cobertas, acordei um pouco tarde hoje e nem me olhei no espelho. Será que meu olho está com remela? Ah, é bom eu passar as mãos pra não restar dúvidas. E este frio, meu seio está arrepiado, ele passa olhando fixo para o meu corpo inteiro, vai notar que meu peito está assim. Ele pode pensar que é por causa dele. E bem que poderia ser, ele têm mãos grandes, parece ter uma pegada forte. Agora que meu peito ficou mais arrebitado. Ele tem cara de novinho, mas o jeito dele não é de tão novo, embora eu ache que ele seja bem mais novo que eu. Eu daria pra ele. As vezes fico inquieta com esta aliança nas mãos, fico girando o polegar por cima do anelar, é uma tolice, do jeito que ele tem cara de pegador, nem deve ligar para o fato de eu ser casada. Por falar nisso, será que ele é casado? Não deve ser, mas se for, a mulher ou namorada dele deve passar muito bem. Hoje é um daqueles dias que se ele me direcionasse alguma palavra, eu sucumbiria. Não estaria nem aí. Mas ele não diz nada, nem uma palavra, nem um bom dia. O jeito de me olhar, aparentemente, pra ele já basta. Eu já fico toda molhada e alvoroçada quando ele come com os olhos, imagine se ele me comesse de verdade. Pena que isso é uma fantasia, apenas uma fantasia, ele está indo, vai passando... Eu vou ter que chegar no escritório e trocar minha calcinha toda molhada de vontade do homem que passa.
Claudio R. é o escritor de O Ladrão de Palavras
enviada por O Ladrão de Palavras
14/08/2008 08:35
O HOMEM DA MULHER DO PORTO
Por Claudio R.
PS.: Antes vocês deveriam ler A MULHER DO PORTO
Quando o garçom me disse, no hotel da minha antiga vila, que não poderíamos fazer nada, eu fiquei indignado comigo mesmo. Não poderia imaginar aquela história com aquele fim, Ana Sodeñas, a mulher mais bonita que eu já vira, sendo uma louca perambulante de um porto. Gael era o cara mais bacana que eu conhecera, até então, com todas as reviravoltas da vida, eu jamais encontrara alguém com tamanha conduta.
Eu vi quando ele disse que voltaria e que amava Ana, e aquela fora a primeira vez que ele não mentiu na vida. Se alguma coisa acontecera a ele, eu tinha que descobrir pra liberar Ana daquele sofrimento.
- Oi, Ana, você consegue se lembrar de mim?
- Não, quem é você? Não me parece estranho, mas não consigo me lembrar...
- Sou o filho da Maria Del Flores, lembra agora?
- Ah sim!!! E como poderia esquecer, você era um dos meninos que ficava de prosa com o meu Gael...
Ana não me pareceu uma louca, ela falava com uma lucidez impressionante, pelo que ouvi dela ali naqueles dias, era para sequer lembrar que era gente. Ficamos conversando sobre vários assuntos até entrarmos no que ela jamais esquecera: a ida de Gael.
Eu perguntei pra ela: - Você já chegou a cogitar a hipótese de que Gael tenha morrido com um mar revoltoso...
- Já sim...
- Então, porque não se libera deste sentimento aprisionador?
- Mesmo que ele tenha morrido o amor dele por mim continuou imortal, assim, enquanto eu viver, meu amor será pra ele.
Saí da minha antiga vila pensando em como descobrir o que acontecera com Gael, se ele ainda estaria vivo e o que poderia ter acontecido para que ele não voltasse. Então, usei o que pude para encontrá-lo, contratei uma empresa especializada para pesquisar sobre os acidentes da época, a climatologia, os relatos de tempestades e tudo que estivesse relacionado.
Passaram-se 06 meses, mas eles só me traziam falsas evidências... Até que um dia eles descobrem que: Chefe, um barco virou a vinte anos, todos os passageiros morreram, os corpos foram encontrados na praia de uma cidade próxima daqui. O registro do barco havia 31 pessoas, mas um corpo não foi encontrado, só os documentos. E e advinha de quem era? Gael Rodrigues, o nosso procurado. Nós continuamos a investigação e encontramos um homem vivendo numa vila praiana, o qual o pessoal chamava de homem do mar. Ele não conversa com ninguém, imagina-se que ele seja mudo. Não se relaciona, vive de pescaria. Só pode ser ele!
Quando ouvi aquele relato, tive a certeza que estavam falando de Gael, que aquele homem era o mesmo Gael que procurávamos. Pensei em mandar eles o trazerem até a mim, mas eles me dissuadiram ao contrário, falando que o homem era arredio de mais para sair dali. Eu estava disposto a enfrentar a tal criatura sorumbática, completamente fechada para o mundo, se fosse realmente Gael, lembraria de mim e eu arrancaria palavras daquele silêncio.
Eles me levaram até o homem, a imagem do local era aterradora e triste, a solidão imperava ali. Entrei no pequeno casebre de madeira, cipó e folhas de coqueiro, não havia ninguém ali, o homem provavelmente estava catando frutas ou até caçando. Esperamos por algum tempo. Enquanto os meus colaboradores ficaram de plantão na casa, eu fui olhar em volta do lugar, era bonito, ouvia-se todos os tipos de animais que existia por ali, apenas isso e o barulho das ondas quebrando nos recifes de corais interrompia o silêncio inquietante.
Quando o homem chegou, fui chamado, cheguei perto dele e perguntei:
- Qual é o seu nome? Você é Gael Rodrigues? Ele permanecia de cabeça baixa e não me respondia continuei fazendo perguntas e esbravejei Responda, homem, quem é você?
- Ele não vai falar, chefe, deve ter ficado mudo com o naufrágio...
- O que vocês querem de mim? Tomamos o maior susto, a voz do homem saia por entre a barba a anos por fazer, não se via a boca e nem a sua forma.
- Não se lembra de mim, será que não lembra mim, Gael? O filho de Maria Del Flores...
- Claro que lembro, mas preferia não me lembrar de nada. Seus olhos brilhavam, as lágrimas pareciam eminentes.
- E por que não, homem? Perguntei, aflito olhando fixamente e segurando as suas duas mãos.
- Por que eu morri, mas Deus não teve misericórdia de mim, me deixou vagando pela terra, não sou mais que um espírito que perambula, sem descanso e tudo isso por causa...- Gael engasgou, parou, olhou para os rapazes e baixou a cabeça.
- Por favor, nos dêem licença, quero ficar a sós com meu velho amigo. Gael levantou novamente a cabeça, me olhou nos olhos e me abraçou chorosamente.
Ele me contou do acidente, o barco em que ele viajava naufragou duas semanas depois de ter saído da vila, todos morreram. Segundo ele, tentou salvar algumas pessoas, inclusive retirou gente com vida do mar, mas eles sucumbiram à morte, deixando Gael como único sobrevivente. Ele vagou pelas redondezas por muitos dias, até encontrar um local onde construiu um casebre antes deste que vive agora, morou sozinho por mais de 10 anos. Até construir uma jangada e tentar sair dali, entretanto a sua jangada se partiu e ele fora arrastado pela correnteza para esta vila onde se encontrava.
- Você é um homem forte Gael, como conseguiu? O mar tentou lhe matar por duas vezes, mas fracassou, ainda bem. Fico muito feliz de ter lhe encontrado, você precisa voltar pra casa... Gael me interrompeu com uma certa fúria.
- Não tenho casa, não tenho para onde ir, não tenho para onde voltar.
- E Ana Sodeñas? Quando perguntei, vi o olho brilhar como no dia em que se despediu dela, ele caiu em prantos, tremia chorosamente. Permaneceu assim por vários minutos e quando se acalmou eu perguntei Por que não voltou pra ela, homem, a deixou esperando por tanto tempo?
- Eu tenho vergonha de mim, da criatura que me tornei. Ana era uma mulher bonita, a jovem mais bonita que já vi, deve ter casado depois de tanto tempo. Eu me tornei esta criatura pavorosa que você está vendo. Gael mal sabia que Ana estava solteira e que ainda esperava por ele.
- Gael, você não sabe o que tenho pra lhe contar, Ana está lá, no mesmo lugar, lhe esperando, solteira, se guardou pra você, criatura.
Gael mostrou os dentes pela primeira vez depois de mais de vinte anos passados, mas freou o ímpeto de felicidade quando lembrou que prometera voltar pra buscar Ana para ir morar com ele, dar-lhe uma vida melhor do que a que ela tinha.
Por muitos anos aquilo o manteve vivo e forte, mas ele se deixou matar, - assim como ele se tratava - morreu para o mundo e não queria mostrar-se como o fracassado que ele achava que era. Mas pra mim Gael era um herói, por ter escapado de dois naufrágios e ainda conseguir sobreviver nas condições que vivia. Ana o amaria mais ainda se soubesse que ele se manteve fiel ao amor por ela, se soubesse que seu homem era mais que um simples homem, era um herói que nem os deuses do mar conseguiram matar.
Gael, voltou a chorar em prantos, mas ainda teve forças pra falar:
- Você a viu?
- Eu a vi, conversei com ela, sei que ela está a sua espera, não estou inventando nada do que lhe disse...
Saímos dali, Gael ainda olhava desconfiado para toda aquela situação, mas fomos para cidade, tudo era novo para ele. Não sabia o que era nada do que estava em sua volta. Computador, TV, carros em alta velocidade, helicóptero, etc. Tudo era novo, exceto a única coisa que nunca lhe faltara, o amor incondicional por Ana Sodeñas.
- Gael, se você achava que Ana tinha se casado, porque se manteve fiel a ela e a esse amor?
- Eu amo aquela mulher mais que a vontade de viver, seria muito perverso da minha parte mentir amor por outra mulher, seja quem fosse. Eu nasci para amar Ana, e eu só sei fazer isso com esse coração maltratado.
Fiz de tudo para que chegássemos de barco, o intuito era criar a situação que Ana esperou a vida toda. Su cabello se blanqueó, pero ningún barco a su amor le devolvia. Desta vez um barco devolveria o seu amor, eu seria o responsável por aquilo. Ana Sodeñas e Gael Rodrigues ficariam felizes para todo o sempre, o amor que nunca morreu, nem o mar matou, nem a insanidade, tampouco o tempo.
Gael fez a barba, cortou o cabelo, compramos roupas, presentes para Ana e começamos a navegar. Gael assustava a cada onda mais forte: Não se preocupe Gael, desta vez o barco não vai afundar. O mar não estava revolto, raramente uma onda batia, seguíamos bem e chegamos ao litoral da minha vila natal. Com um binóculo eu vi Ana no cais, na sua rotina de mais de vinte anos. Llevaba el mismo vestido y por si él volviera no se fuera a equivocar.
Quando aportamos, Gael sentiu medo de descer, não tinha visto Ana ainda, estava com medo de ser feliz... Eu olhei pra Ana e ela estava desconfiada olhando para o barco. Quando me viu, sorriu. Mas a sua felicidade ficou evidentemente eufórica quando viu arrastar o braço do seu homem. Ela o reconheceu imediatamente, Gael também a reconheceu trajada no seu vestido branco com renda na barra. Os dois se abraçaram e se beijaram sofregamente. Eu também fiquei muito feliz, não consigo nem imaginar o quanto eles estavam contentes, mas eu me sentia parte daquela felicidade. Tudo isso porque Ana deixou de ser a mulher do porto e Gael o homem do mar.
Baseado na letra da música de FHER OLVERA - En muelle de San Blàs.
enviada por O Ladrão de Palavras
12/08/2008 08:27
MANIFESTO PRETENSIOSO
Por Claudio R.
Das coisas que tenho a dizer, a mais interessante é que tu vais sentir saudades de uma coisa que não viveste. Embora pareça uma antítese, teu corpo vai tremer toda vez que tiveres em excitação e, por mais que tentes se esquivar, tu vais pensar em mim como uma lembrança forte e carnal.
É esquisito imaginar o teu beijo, com teus lábios se abrindo para receber o contorno dos meus e a minha língua circulando dentro da tua boca. Senti a tua respiração ofegando ao meu ouvido quando eu te apertar a cintura e beijar teu pescoço. Jamais terei tal sensação, mesmo o mundo dando voltas inimagináveis e fazendo o percurso natural das coisas mudarem completamente. Acordar contigo depois de uma noite de sexo tórrida e plácida se é que isso é possível , não fará mais parte dos meus sonhos incógnitos.
Infelizmente eu vou partir, vou morrer, vou sumir, vou mudar de planeta... Sem ter provado o que tenho certeza que é bom. Tudo isso com o azo de me afastar de ti, de fazer com que eu esqueça que um dia eu quis ter contigo qualquer tipo de relação carnal.
Um andar lascivo, um olhar penetrante e uma boca convidativa... Nem sabes que eu imaginei te dá um milhão de prazeres, jamais olhei a tua boca sem criar um roteiro especial pra ela. Até o branco dos teus olhos me excitava, principalmente quando eu lembrava deles sendo revirados numa noite à beira do mar iluminado com a lua cheia.
É difícil falar daquilo que ainda não viveste, é difícil evidenciar o gosto, o cheiro, o prazer, de uma coisa que não fora provada. Todavia, jamais irás saber o quanto eu sou bom neste assunto. A minha vida toda só fiz isso, é de se esperar que eu seja exímio amante. Sei que tu irás pensar que o meu manifesto é uma vã pretensão de um sujeito pernóstico, mas destas coisas que te falei, as quais eu realmente posso fazer, recebi mais elogios do que me manifestei com vanglórias.
Perco tanto quanto tu, entretanto a minha perda consiste em continuar vivendo dos louros da labuta de ser como sou. Já tu viverás com a eterna sensação que te faltas algo na vida e com isso terei pena do único homem (ou dos vários) que tentará pôr em sua vida (cama, corpo, boca), tentará desejar depois de ter me visto te anelando. Ensejando apagar o furor sexual que impregnei em ti apenas com os olhos, farás infelizes homens. E será aí que entenderá o que as lembranças não vividas são capazes.
No fundo tu te pareces comigo, és uma dona, alguém com a própria vontade e seguidora de si mesma. Também gosto disso, mas preferiria ser o teu dono, mandar em ti e em teus desejos. Resta-me deixar-te com esta falta de mim, esta ausência que doerá muito mais que qualquer coisa que tu viverás. Estou indo, hei, estou partindo! Prestas bem a atenção no que acabo de dizer, será a última vez que terás palavras minhas direcionadas a ti.
Claudio R. é o escritor de O Ladrão de Palavras.
enviada por O Ladrão de Palavras
06/08/2008 11:04
O CU DA ANNA - OPS! O CUIL DA ANNA
Por Claudio R.
Se alguém perguntar qual o melhor site de busca que você conhece, certamente receberá como resposta a palavra Google. Na verdade, se esta resposta não for verdadeira, com certeza, é a mais conhecida. O buscador do Google é praticamente o único que a maioria das pessoas conhece. Isso graças a Anna Patterson, programadora que inventou o buscador do jeito que é conhecido hoje. Anna é uma mulher branca, cabelos curtos, rosto arredondado (na verdade parece uma bunda) e olhar sorridente.
Mas Anna debandou e, segundo ela, criou um buscador ainda melhor e este será o principal concorrente dos seus ex-patrões: o Cuil, que pronuncia-se cool (desse jeito mesmo que você falou aí agora, com a mesma pronúncia daquele oxítona que você manda o seu chefe ir toda vez que ele te irrita). Em inglês, ser cool é ser legal, aqui no Brasil ilegal é ficar sem ter o privilégio de adentrá-lo.
Ter o rosto parecido com uma bunda não a qualifica na condição de criar um derrièri de alta capacidade. O cuil da Anna Patterson pode até ser melhor que o dos engenheiros do Google, mas Anna por Anna, prefiro o da Kournikova aquela tenista gostosa que, segundo o viadinho do Enrique Iglesias, tem mal hálito.
Embora o fundo da Anna provavelmente seja rosado, o seu Cuil é preto nas bordas com uma bolinha azul no meio, e quem abre o site logo leva um susto com o contraste, principalmente quem estiver acostumado com o Google, que tem o fundo branco, como deve ser o cu da Anna, a Kournikova. Ela investiu 33 milhões pra que seu Cuil ficasse à mostra, - mas também com aquela feiúra, tinha que pagar realmente, a Carla Perez ficou rica recebendo pra mostrar o dela. Enquanto o seu marido Tom Costello ajudou, juntamente com os ex engenheiros do Google Russel Power e Louis Monier, a por o Cuil da Anna a mostra, tem muito marido que gasta os mundos e os fundos para que sua mulher não mostre o dela, como o ex da Luma de Oliveira.
Anna disse que não vende o seu Cuil, disse que pretende ganhar dinheiro mostrando, ou melhor fazendo as pessoas entrarem pra fazer suas procuras, mas o Cuil dela ainda é muito apertado, digo, muito restrito, só 120 bilhões de páginas (todas em inglês) a buscar. A Bruna Surfistinha alugava o dela pela merreca de apenas 100 reais por cada hora e meia com certeza o Cuil da Anna é bem mais valioso, entretanto eu prefiro o da Bruna Surfistinha.
Por aqui por estas bandas, quando se quer dizer que uma cidade é pequena a ponto de todas as pessoas se conhecerem (leia-se se encontrarem), diz-se que ela é um cu, sendo assim, a Anna escolheu o nome certo para o site buscador, já que ela quer dá a impressão de que você encontrará facilmente o que procura.
De agora em diante, o Cuil da Anna vai ficar famoso, talvez não mais que, como diria meu professor de Língua Portuguesa, aquele famigerado monossílabo que tem assento, mas não acentua-se, como todo oxítona terminado em u e i, com exceção dos hiatos. Assim, você vai poder mandar o seu chefe, sua sogra, seu cunhado, o motorista do ônibus, tomarem no centro do cu sem ter uma conotação pornográfica, eles podem entender que é pra procurar no Cuil da Anna.
Ah, clicando www.cuil.com você pode ver o Cuil da Anna, e deixem de ser pervertidos que não estou falando do seu monossílabo rosado, e sim, do preto com a bolinha azul.
Claudio R., que em breve será entrevistado pelo Jô Soares, é o escritor de O Ladrão de Palavras, diz que o seu site ainda não pode ser encontrado no Cuil da Anna.
enviada por O Ladrão de Palavras
17/07/2008 08:28
PAGOU COM A LÍNGUA
Por Claudio R.
Ela foi o meu primeiro amor, uma namoradinha da adolescência. Entretanto, o pai dela era racista e não queria que ela namorasse comigo, isso por que eu sou preto. Mas além de ser um negão, eu sou persistente e aquilo não era empecilho capaz de impedir os nossos encontros às escondidas. Por muitas vezes escondido.
Meu maior sonho era fazer um filho nela, só pra ver a reação do seu pai quando soubesse que seria avô de um neto mulatinho. Ainda bem que isso foi só uma maluquice adolescente.
Por entender que o universo é circular e que a vida dá voltas entorno dele, eu sempre sentei e esperei. E por esperar, estes dias eu encontrei uma das irmãs dela, aí fiz um grandes descobertas. Descobri que a mulherada da casa é chegada na pele azeviche. Esta irmã casou-se com um negão, uma outra irmã estava namorando um negão e que a minha ex também havia casado com um negão e ainda por cima meu xará.
Contudo, toda vingança minha vem no lombo dum jegue e numa tropa. Não há dinheiro que pague a notícia final, foi a coisa mais gostosa que eu já ouvi: Ah, eu esqueci de dizer, o Andrezinho, também está namorando um negão. Aquilo me deixou com um gostinho maravilhoso de vingança realizada.
Minha vingança só não foi completa porque Andrezinho não vai dá netos mulatinhos ao meu ex sogrão.
Claudio R. é o escrito de O Ladrão de Palavras e é um negão de tirar o chapéu.
enviada por O Ladrão de Palavras
09/07/2008 08:43
MUDANDO-TE
Por Claudio R.
Eu posso te levar as nuvens durante um beijo,
Aos céus, voando sem sequer ter asas...
Flutuar sobre parreiras e cair num barril de uvas...
Posso te fazer viajar, fazer tua cabeça sem ser uma droga alucinógena
Posso ser o teletransporte, o ser que te encomenderá a felicidade
Posso ser eu, simplesmente eu,
Enquanto você sobe no pedestal
Vou continuar desejoso e sendo um reles mortal.
Claudio R., o escritor de O Ladrão de Palavras, não é o Pessoa, mas as vezes ataca a pessoa de poeta.
enviada por O Ladrão de Palavras
03/07/2008 14:34
O MISTÉRIO DO QUASE MORTE
Por Claudio R.
O que os médicos chamam de experiência de quase morte é quando um paciente entra num estado tão profundo que se assemelha com a própria morte, necessitando ser ressuscitado para que não morram verdadeiramente. Eu já tive várias experiências de quase morte que nem de longe se parece com a versão da medicina.
As minhas experiências têm dois fatos que devem ser ressaltados por tamanha estranheza. Um deles é a quantidade de acontecimentos, o que é facilmente atribuído à minha maneira de encarar a vida. Sendo um aventureiro, uma pessoa que gosta de curtir a vida adoidado e sugar adrenalina até das unhas do pé, assim, estes acidentes de percursos já são peculiares.
Entretanto, o que é mais estranho, e ainda bem que é assim, é o fato destas experiências serem espetaculares, dignas de filmes de ação (só que sem um dublê preparado para tal), e ainda assim eu sempre saio ileso (ou quase).
Já virei um carro na cabeceira de uma ponte, saí dele pra recolocá-lo na posição normal e segui o meu caminho, deixando as pessoas que testemunharam o feito completamente abismadas. Já caí de moto por 03 vezes, uma delas a moto sobrevoou a minha cabeça, caindo do meu lado e me deixando apenas com uma pequena fissura no osso pé direito; numa outra vez eu estava com um amigo passeando por uma região litorânea quando bati num buraco quebrando as rodas de liga leve, e fomos arremessados a mais de 6 metros de distância. Neste dia, estávamos a pouco mais de 110 km/h, e meu amigo sofreu uma lesão que rompeu o ligamento do joelho. Eu tive que arrastar a moto para pista, a qual estava completamente destruída e ajudar meu amigo a ficar num local onde fosse melhor o acesso de ajuda. E eu não tive absolutamente nada, completamente ileso.
Meu amigo olhava pra mim atônito sem saber como eu não tinha nenhum arranhão, um machucado sequer, nem dores, nada. Me diz uma coisa, você é feito de quê mesmo? perguntou ele. E eu brinquei: O sol deste planeta faz com que a matéria do meu corpo se assemelhe ao aço.
A experiência mais recente, e espero que seja a última, foi na terça feira passada dia 01/07/2008, a 18 dias de completar 32 anos eu quase fui pras cucúias, para a terra de pés juntos. Estava treinando com minha bike, numa velocidade de pouco mais de 50 km/h, ultrapassando um taxi, quando o mesmo não sinalizou que iria fazer uma conversão e me suspendeu a 1,50 de altura, me arremessando à pouco mais de 3 m de distância. O capacete foi parar uns 10 m de mim, a bicicleta um pouco mais afastada e eu, para variar, ileso.
Minha camiseta de ciclismo ficou completamente destruída, mas a matéria que estava dentro dela nem arranhão sofreu. A bicicleta, quando olhei pra ela, eu quase chorei, tamanha a destruição. Levantei, sacudi a poeira e continua a vida.
Porém a coisa mais engraçada disso tudo quem protagonizou foi um amigo que me confunde invariavelmente, o qual me chama de Hulk, quando deveria ser outro super herói. Ele disse: Hulk, imagino o estrago que você fez no taxi e no asfalto! . Eu o repreendi sarcasticamente dizendo que eu poderia ter morrido e ele não saberia. Foi aí que ele desvendou o mistério do quase morte: Você só morre se for jogado de um helicóptero.
Claudio R. é o escritor de O Ladrão de Palavras e acredita que é um gato europeu, tem 9 vidas.
enviada por O Ladrão de Palavras
01/07/2008 09:56
SEXO DEPOIS DO CASAMENTO
Por Claudio R.
Outro dia eu ouvi uns amigos conversando e um deles saiu com a seguinte frase: A mulher da gente, a gente come quando der certo e olhe lá. O meu amigo queria dizer que não precisa fazer sexo com a mulher dele com a mesma obrigação que lhe impulsiona a comer qualquer outra mulher. (Isso levou-me a crescer os olhos para a mulher deste amigo, provavelmente a pobrezinha estaria necessitada de um pouco de lascívia pra acalmar os instintos). Partindo do princípio do meu amigo, não há necessidade alguma de fazer sexo com a esposa, pois o casamento não foi feito pra isso.
Sempre achei que o casamento era aquele estado da vida em que você deixava de comer várias mulheres de vez em quando pra ficar comendo uma só de vez em sempre. Todavia, eu estava com um ledo engano a pairar na minha cabeça. A lógica que me fazia crer nisso vinha de que entre um homem e uma mulher que vivem juntos e estão disponíveis por mais tempo que um casal de namorados, estes deveriam fazer mais sexo que aqueles. Entretanto, na prática não se pratica.
O que determina essa falta de freqüência, no meu entender, é a falta de sincronia na maneira de administrar o instinto. Homens e mulheres são diferentes e foram criados para serem diferentes, homens são racionais, mas costumam ser títeres do instinto e com isso seus impulsos sexuais, alvoroçados no período da paixão, entram em calmaria durante o casamento, pois o objetivo, em tese, do instinto da procriação está praticamente garantido com o encontro da parceira com disponibilidade permanente. Já as mulheres são mais emocionais e o dia-a-dia e seus percalços não criam a atmosfera perfeita para o desenrolar de uma noite tórrida de amor. Assim, o sexo fica preterido, dando lugar a uma pérfida noite de sono, um de bunda para o outro.
Já ouvi bastante a célebre frase conselheira em que diziam para um casal pré-nubente aproveitar bastante antes de casar. Aquilo era uma agulha no meu testículo esquerdo, pois eu não conseguia admitir a falta de aproveitamento dentro do casamento. Ora, se o casamento é o enlace matrimonial mavioso, o cumprimento das leis naturais, o encaixe perfeito entre os pares, resumindo, uma coisa boa de viver, não havia motivo algum para deixar de aproveitar. Depois de tanto conversar com pessoas casadas e não raro participar de camas matrimoniais, descobri que o aproveitar significava fazer sexo, pois não se faria depois do sim.
Muitos dizem que a convivência assassina o sexo aos poucos, mas eu não posso admitir isso, ao menos não sou assim. O instinto que me impulsiona a fazer sexo com uma mulher é ativo constantemente, olhar para uma mulher transmite um sinal a massa encefálica que reenvia à massa fálica, a qual intumesce e faz acatar qualquer desejo. E isso não é só quando é uma novidade, costumo dizer que a saudade me move muito mais que a curiosidade. Portanto, aquela mulher com quem fiz sexo ontem, anteontem, semana passada, vai me trazer muito mais desejo hoje.
Costumam dizer que sou à exceção da regra, que sou anormal e que ninguém gosta de fazer sexo todo dia. Penso que o sexo deve ser como uma refeição, e desta forma deve ser consumido todos os dias, caso contrário não haverá bom funcionamento dos corpos. E mesmo que seja feijão e arroz, é bom e mata a fome, mas é claro que não se deve esquecer os banquetes domingueiros.
Uma amiga me disse outro dia que eu não aprendi a lição que insiste em dizer que o casamento não é o melhor lugar pra fazer sexo. Ela racionaliza na questão, tem experiência no assunto e trata com sarcasmo dizendo que é impossível sentir tesão por marido. E corroborando com ela, eu já ouvi um homem dizer que tinha preguiça de transar com a mulher.
Conheci muitas mulheres que fazem mais sexo que seus maridos (equação difícil de explicar aos olhos com pudores mas é mais ou menos assim, se você não estiver comendo sua mulher, alguém deve está) e por incrível que pareça, conheci poucos homens que fazem o contrário. Atualmente, os casais encontram a solução para que haja sexo dentro do casamento em cada um arrumando outro parceiro e ficando tudo bem. Isso hoje em dia é mais comum que se poderia imaginar a alguns anos atrás. Para manter a freqüência sexual, muitos estão partindo para o casamento aberto, onde sempre cabe mais, ou mais dois, sabe se lá.
Hoje, entendo que a maior asneira quando se trata de relacionamento é transformar a sua amante, aquela sua namorada que você não sai de cima, a mulher que você deseja sexualmente, que quer transar todos os dias, em sua esposa, aquela mulher que vai te ajudar a gerenciar uma casa, uma família, vai ser sua companheira na velhice, e que não vai ter disponibilidade e tampouco disposição para ser sua fêmea no cio. Ou seja, o sonho do casamento pode se tornar um pesadelo. Mas se mesmo assim você não estiver convencido disso e não quiser se manter apenas namorando, o que já é muito, aproveite bastante, pois sexo depois do casamento, talvez só exista na lua de mel.
Claudio R. é o escritor de O Ladrão de Palavras.
enviada por O Ladrão de Palavras
13/06/2008 10:12
SONHANDO NA CHUVA
Por Claudio R.
Ele se comprometeu em se comportar com cavalheirismo e só fazer o que ela quisesse. Nada de mão naquilo e o mais improvável seria aquilo naquilo. Apenas um encontro de corpos com resquícios de toques na alma. Um enlace com vestes fraternas que não convinha à fama dele e que ele nunca pretendera.
Nela havia um desejo oculto, o qual ela não admitia a possibilidade de explicitar, principalmente com ele, um homem sem valor e desmedidamente amoral; de passado lúbrico, aliás, passado, presente e futuro. Não seria amor ou seria apenas amor. Seria apenas paixão, mas paixão é muito para ser tratada como apenas. A ousadia lhe era peculiar, mas ele havia prometido que não a usaria, ao menos que o anelo não pudesse se contiver na sua promessa.
O cenário seria uma noite, um crepúsculo, melhor dizendo. O céu avermelhado pelo pôr do sol no horizonte, a noite caindo pelo véu da lua minguante e a imponência da natureza ao seu redor. Todavia, o vermelho amarelado deu lugar a um azul acinzentado e onde deveriam enxergar estrelas e uma lua morrendo ás mínguas, restaram nuvens que denunciavam o advento duma tempestade.
Ele amava a tempestade! Os raios cortando o céu, o estrondo do trovão e a certeza de que aquilo tudo era bem maior que ele. Enfim, ele via poesia naquilo. Enquanto, ela amava a chuva e a idéia lúdica de correr se molhando como crianças. Enfim, ela via inocência na chuva.
Eles se olhavam amistosamente, sorriam infantes, bobos. A chuva molhava fortemente, o frio os tomava pelas mãos, a escuridão encobria o desejo incontido dele e despertava o dela. As mãos dele começavam a enrugar, os joelhos tremiam e os dentes idem. Ela estava completamente encoberta pelas vestes da inocência e a pureza, intocada pela lascívia e protegida pela promessa dele de não exceder os limites da alma. Havia duas opções para dizimar o frio que lhes acometiam: abraçarem-se num enlace tórrido ou correrem feito crianças distraindo-se com a tempestade. Optaram pela segunda, correram e, numa brincadeira adolescente, um tentava pegar o outro. Fugindo dela, ele caiu estatelado no chão e ela tropeçou estabanada caindo sobre ele.
Ainda extasiados da brincadeira, eles se abraçaram e, esquecido do que prometera, ele a beijou, abraçou e torridamente permaneceram agarrados ali. Seus corpos rolavam nas poças formadas pela tempestade sob qual estavam expostos.
Num resquício do cavalheirismo que não lhe era peculiar quando se tratava de instintos humanos, ele levantou-se e a levantou em seus braços. Eles se olharam desconsertados, voltaram a sorrir e a se beijarem sofregamente.
O passado não lhes importava naquele instante, o futuro não ameaçava tal felicidade e os céus não se sentiam no dever (tampouco direito) de perturbar o que eles pretendiam a partir dali. Que nome dar aquilo que viviam agora? A união do lúdico com lúbrico. Ao invés de opostos conflitantes, dois seres incumbidos de, na doçura comovente da expressão, esquecer as diferenças e serem opostos que se completavam.
Num susto, ela acordou em sua cama extasiada, sorridente e disposta a esquecer o sonho demasiado da noite anterior. Ele levantou-se em sua casa, despido como costumeiramente dormia. Foi lavar-se, pois o acontecimento onírico tratou de sinalizar no mundo real o desejo do corpo, da alma, do ser, do instinto... Talvez de ambos. Acordados, ele, untado de superstição, resolveu-se por calar, ensejando trazer pra realidade. Enquanto o pudor impregnado a silenciou.
Claudio R. é o escritor de O Ladrão de Palavras.
enviada por O Ladrão de Palavras
10/06/2008 12:03
A MULHER DO PORTO
Por Claudio R.
Quando eu era criança, morava próximo ao cais do porto e era ali que eu costumava brincar. Vivia saltando do píer e muitas vezes nadava até próximo aos barcos . Sempre que eu chegava da escola, corria pra lá e ficava a dar meus mergulhos e depois conversando com um homem jovem na faixa dos vinte e poucos anos. Este chamava-se Gael, era muito conhecido por seus causos e mentiras fantasiosas que costumava contar. Aquilo ajudava eu e os meus amigos a passar o tempo e também nos alegrava bastante. A vila era pequena e servia apenas de descanso para alguns velhos marinheiros em seus trajetos por mar aberto.
Ali no cais apenas uma coisa era mais agradável que Gael, a figura imponente de vestido colorido esvoaçante e cabelos idem. Ana Sodeñas, a mulher mais bonita da vila! Não havia ninguém lá que não achasse ela linda. Inclusive nós, uns meros pirralhos em nossas idades pré púberes e que vivíamos o sonho de um dia ser beijado por Ana. Entretanto isso não seria possível pois, por sua vez, a exuberante Ana era a namorada de Gael. Além de mentiroso, todos o chamavam de sortudo, por conseguir ganhar o coração cobiçado dela.
Eu e meus amigos ficávamos olhando pra Ana numa paixão lúdica e invejando Gael. A nossa inveja infinitamente desproporcional à dos pescadores amigos de Gael. Muitas vezes, estes costumavam a olhar acintosamente para ela, causando certo desconforto em Gael, mas ele geralmente tirava de letra aquela situação.
Gael sempre tinha um bom causo na ponta da língua e eles se diversificavam ainda mais quando ele ia pescar. De lá sempre trazia, além dos peixes, uma boa estória pra conta. Algumas vezes era um grande peixe que quase virou o barco na tentativa de fugir da sua rede, noutras vezes piratas atentaram contra ele e muitas outras quimeras de bom coração.
Por não ter perspectiva financeira ali, Gael sonhava em ir morar numa cidade maior onde pudesse ganhar dinheiro e ter uma vida cheia de regalias com sua princesa brejeira. Por conta disso, inventando histórias dos lugares que existiam lá fora, além daquele imenso mar que nos rodeava. Ninguém sabia ao certo o quanto daqueles lugares existiam realmente e o quanto era retirado da mente fértil dele. A riqueza de detalhes nos deixava ainda mais curiosos para retomar os papos nos dias subseqüentes. Mas era só Ana chegar para sermos preteridos, os olhos de Gael brilharem como duas bolinhas de gude, a conversa com os guris cessar e a sua boca ser usada apenas nos beijos cálidos com ela.
Ana não era uma mulher pra viver ali, esta era a frase de todo homem que via nela uma princesa. Até eu, um pequeno infante, pensava assim. Todavia, o homem que ela escolhera para príncipe não tinha condições construir um castelo ali, tampouco leva-la consigo para outro lugar. Foi aí, então, que ele resolveu partir dali em busca de melhoria financeira, mas prometendo voltar.
Lembro-me com clareza este dia, foi tocante. Além do amor por Ana, ainda tinha o fato de que Gael era um cara bacana e alegrava a meninada da vila. Unido a isso, sobrepondo a nossa saudade pouco valorosa, o semblante choroso de Ana que trajava um vestido branco com renda nas barras, diferentemente de todos os outros coloridos que usava. Ela parecia que acabara de vir dum enterro e o defunto era o seu ente mais querido.
- Ana, meu amor, não chore. Eu juro que vou voltar... As lágrimas desciam do rosto de Gael, estas transmitiam a veracidade daquele amor. Era a demonstração da certeza de que aquela era a primeira vez que ele falava a verdade. Enquanto Ana o olhava num pranto incontido e dizia:
- Eu choro, meu amor, não posso ficar sem você, não me abandone.
- Não é abandono, Ana, estou apenas indo buscar uma melhora pra nossa vida, logo voltarei pra te buscar, me espere. Aquilo não era qualquer promessa, era uma promessa verdadeira. Gael realmente iria voltar, qualquer um que o visse falando acreditaria.
- Podem passar milhões de anos, todos os dias da minha vida serão teus, Gael. Eu vou te esperar, nem que isso custe a minha vida, vou te esperar, vou amar-te pra sempre.
- Não se preocupes, Ana, eu vou está contigo no meu coração, me aguarde.
Quando Gael entrou no barco, o choro de Ana silenciou, ela agora soluçava e punha as mãos no rosto. Ana saiu do cais e foi pra casa. Nós ficamos ali e eu fui pra casa contar pra mamãe sobre Gael.
Mamãe era uma das pessoas que chamava Gael de mentiroso, então, supunha-se que ela não gostava muito dele. Quando eu falei da cena no porto, ela disse que não passava de baboseira e emendou.
- Logo, logo, essa menina vai está de namorico com outro rapaz daí da vila, do jeito que ela é faceira, não dou um mês. E o Gael, quando disse que vai voltar, contou mais uma mentira.
Ledo engano de minha mãe. Ana pretendia permanecer fiel a Gael por toda eternidade se fosse preciso e este iria voltar.
Passei mais dez anos morando na vila, logo mudei-me para capital no intuito de estudar. Naqueles dez anos que procederam a ida de Gael, Ana manteve-se fiel. Por estarmos crescendo, tendo nossos próprios amores, nós logo esquecemos de Gael e sua Ana.
Eu passei 05 anos fazendo faculdade e mais outros 03 ficando rico numa multinacional do petróleo. Praticamente esqueci da pequena vila em que nasci, exceto pelo fato de minha mãe ir lá todos os anos nos dias dos mortos colocar flores no túmulo de meu avô.
A minha vida melhorou bastante, não fiquei milionário, mas o meu patrimônio me dava o luxo de poder comprar um grande barco de passeio. Num destes passeios em mar aberto, um princípio de maremoto quase virou nosso barco, nós temíamos por nossas vidas, por sorte e peça do destino, uma corrente marítima nos levou para a minha vila natal. Estava com minha namorada e nós, juntos com a tripulação, resolvemos aportar.
Pulei do barco e fui nadando até o cais, recordando os velhos tempos de criança. Era noite, um sábado, eu me lembrei que os navios de passageiros só aportavam nos dias de domingo. Quando comentei com minha namorada esse detalhe, ela riu achando completamente absurdo a idéia de só existir esta possibilidade de transporte.
Fomos caminhando em direção a uma velha e única pousada da vila. Nosso trajeto foi interrompido por uma mulher que nos parou e disse: - Amanhã é domingo, o barco chega amanhã e vou por meu vestido branco para que ele não se confunda.
A mulher falava rápido, eu não entendi direito e pedi para ela repetir, ela continuou:
- Eu envelheci, já se passaram muitos anos, não sou mais aquela jovem, meus cabelos estão brancos. Mas ele vai reconhecer o vestido branco de renda na barra.
Segui pra pousada e não dei muita atenção à história da mulher, mas fiquei rememorando tudo que eu vivera e acabei lembrando quem era a mulher. Um estalo! Ana Sodeña, agora uma mulher madura de quarenta e poucos anos, com a pele envelhecida do sol e do destrato consigo mesma.
No jantar eu procurei saber sobre ela e um garçom me contou o que ele sabia, o que não seria muito, haja vista que ele não tinha idade para ter visto a história completa, mesmo assim suas informações foram de grande valia.
- Ela é conhecida como a louca do porto... Vive nas redondezas do cais, todos os domingos ela põe um vestido branco dizendo que um homem vai voltar. Dizem por aí que já fazem mais de 20 anos que isso acontece... Já tentaram levar ela para o manicômio e tudo, mas ela sempre foge e vem pra cá. Toda vez que chega um barco sem o homem dela, ela fica em prantos, dá até pena, mas isso é coisa de doido mesmo, não podemos fazer nada.
Não podemos fazer nada. Esta frase ecoou por vários minutos em minha cabeça. Não era coisa de doido, era impressionante o que havia acontecido, Gael não havia voltado e Ana havia esperado como prometera. Eu procurei saber sobre o que havia acontecido, mas ninguém tinha notícias do que acontecera com ele. Fiquei triste por saber que aquela história de amor não acontecera como pretendiam.
O amor sobrepôs todas as outras necessidades de Ana, ela ficou só por todos aqueles anos esperando por Gael que nunca voltou. Sem consegui esquece-lo, ela transformou a lembrança do amor vivido numa esperança imortal. Mas o que teria acontecido Gael?
Baseado no letra da música de FHER OLVERA - En muelle de San Blàs.
enviada por O Ladrão de Palavras
09/06/2008 12:13
AS RESPOSTAS: As divagações para as suas perguntas
Por Claudio R.
Na verdade, eu tenho bastante orgulho disso e credito isso ao fato de, primeiramente, ter nascido numa casa onde meus pais lêem bastante e me incentivaram a isso. Outra coisa também é ter tido a sorte de meu trabalho me colocar a cada dia numa cidade diferente, fazendo, com isso, que eu conheça várias culturas e comunidades diferentes.
Não é bem medo, é apenas um receio do que posso ficar sem fazer se isso vier a acontecer.
Claro que para uma pessoa que é adepta de qualquer esporte, o corpo é muito importante, portanto, para um atleta a imobilidade é bem maior que uma pessoa comum.
A dor pra mim é quase um troféu, sou adepto do no pain, no gain, as vezes exagero, mas dentro de uma certa normalidade que eu imponho.
Nunca tive esse tipo de sentimento, gosto de mais pra ter este tipo de repulsa. Aliás, não há nada ali que me cause isso.
Não contei, mas tentei contar, acho que não foram poucas, porém menos do que eu realmente gostaria.
Há uma grande diferença entre o ideal e o satisfatório, pelo menos pra mim que sou inconstante e insatisfeito. E além disso tem as mudanças no percurso da vida. O que hoje é ideal, amanhã deixa de ser, mas o tipo que mais se aproxima do ideal é a que seja completamente única. Que não tenha medos, mas que de vez em quando finja me pedindo colo. Que goste assaz de uma certa coisa que eu gosto em excesso. Que não tenha tabus. E se possível não venha com moldes fixos. Ah, e que coma pimenta (risadas metafísicas).
Não sei se quero realmente, mas tive esse desejo a algum tempo e foi bastante forte. Se tivesse de ter iria querer uma menina, mas me contento com o meu menino que me orgulha muito.
Parece continuação, mas isso foi o que mais me emocionou, na verdade, eu levei bastante tempo pra que caísse a ficha. Isso até gera desinteligência, pois as pessoas esperam que você fique alvoroçado com tal acontecimento, no meu caso eu fiquei abstraído de toda aquela situação. Acho que isso é que emocionante e não toda aquela euforia difusa.
Hoje não tenho mais religião, mas já fui bastante religioso, no entanto acho que foi apenas por conveniência. Nasci no meio em que as pessoas criam no sobrenatural e eu fui de carona. Larguei a conveniência para ser ateu por convicção.
Claro que isso é complicado, principalmente para quem convive com pessoas que são ferrenhas nisso. No fim, eu tenho um saldo estável, não há céu, mas também não há inferno.
Não tenho nenhum tipo de preconceito, acho uma burrice ter, mas tenho alguns problemas com pessoas religiosas, principalmente aquelas que querem impor a sua crença. Assim, há um certo afastamento, mas respeito acima de tudo.
Acho que só os de infância mesmo, mas eu tenho uma coisa interessante em relação à amizade, eu me apaixono pelas pessoas. Claro que não no sentido erótico, tenho amigos de pouco tempo que tenho tanta afinidade que parece uma paixão por uma mulher. E tenho poucas amigas que são pau pra toda obra, que estão para o que der e vier, geralmente homens têm mais este tipo de lealdade.
Isso eu faço, não tenho medo de por a prova. Troco facilmente a amizade de uma mulher por um relacionamento amoroso com a mesma, dou valor às amizades, mas uma paixão é mais sublime. E como a história está acontecendo o tempo todo, inclusive os começos, meios e fins, a amizade pode ter estas fases, então, porque não arricar uma paixão?
Não separo bem, preciso de alma pra separar mais, porém como fazer isso com um ser que não admite a existência desta? Sou mais instintivo que amoroso, mas as vezes fico olhando um animal e seu instinto afetivo para com os iguais e vejo mais amor que nos seres humanos.
Não só pareço como é verdade que prefiro eles e sua enigmática forma de amar e viver. Mas, gente inocente e inteligente (se é que isso é possível) me cai bem.
Acho o romantismo meio cafona, mas me vejo muito raramente ligado em algo romântico, pode ser uma música, principalmente.
Não acredito nisso, acho esquisito quem só começa o dia se ler sobre o seu, mas me lembro muito bem da primeira vez que quis saber sobre, foi por causa de uma paixão adolescente.
Por ser todo insatisfeito, eu tenho vários maiores, na infância eu queria ser jogador de futebol, mas cresci e este ficou lá pra trás. Quando adulto o jiu-jitsu me transportou a vários desejos... E tem também a escrita. Vivo sem saber o que me apetece mais, se é o reconhecimento em qualquer coisa digna ou ser reconhecido apenas como escritor.
enviada por O Ladrão de Palavras
30/05/2008 11:22
NO DA MINHA MÃE, NÃO
Por Claudio R.
Enquanto isso, no salão de beleza, duas mulheres conversam, uma jovem de mais ou menos vinte e sete anos que estava fazendo depilação e a sua depiladora...
- Mulher, você não sabe a vergonha que eu passei estes dias?
- O que foi?
- Eu estava recebendo meus pais em casa, um almoço de fim de semana. Meus pais são ultra conservadores e meu filho de 02 anos partiu de dentro do meu quarto com um tubo de lubrificante íntimo e camisinhas com sabor.
- E você?
- Morri de vergonha, olhava pra cara do meu pai imaginando o que ele estava pensando.
- Você ficou com vergonha à toa, ele nem deve ter notado.
- Como não, meu filho estava com a camisinha na boca dizendo gotoso, mamãe, chiquete!
- Vixe, aí não tinha como notar. E você tomou da mão dele?
- Fiquei paralisada, mais vermelha que um camarão. Depois de alguns instantes eu toda sem jeito peguei, dei um sorriso muito falso, olhei pros meus pais e disse: É, nem sei como isso veio parar aqui...
- E eles?
- Ficaram me olhando, não sei se eu nervosa percebia isso, ou se realmente o olhar deles era repreensivo.
- E o tubo?
- Bem, o tubo eu disse que era um creme de cabelo. E tomei da mão do Fabinho. Mas eu fiquei passada quando minha mãe olhou e disse: Filha isso não é o creme de cabelo
- Que horror! Então ela sabia realmente o que era?
- Não só sabia como também usava...
- Mas deve ser por causa da menopausa, há dificuldade na lubrificação vaginal. Muitas mulheres estão usando para facilitar o sexo.
- Eu queria acreditar que era pra isso, mas ela foi muito mais fundo, sem trocadilho. Saiu dizendo que aquele não era muito bom e que existia outra marca que a lubrificação melecava tanto e perguntou ao meu pai o nome. Eu fiquei passada!!
- E seu pai respondeu?
- Meu pai respondeu com outra pergunta que me deixou mais constrangida ainda: Você está falando do Fleet Enema? E minha mãe diz: Não, amor, este aí é que deixa tudo limpinho lá dentro, estou falando do outro. Daí meu pai responde KY Warner. Pode uma coisa destas? Eles muito entendidinhos no assunto.
- Ah, mas eles têm vida sexual ativa, isso é bom, você deveria se orgulhar disso...
- Nada de orgulho, fiquei com a maior vergonha de saber que minha mãe dá o cu.
- Mas o que tem de mais? Hoje em dia todo mundo dá o cu. Canso de fazer depilação no ânus das mulheres e elas comentam que estão fazendo aquilo para que ele fique mais bonito e atraente para o marido.
- Sim, mas nenhuma destas mulheres é a minha mãe. Puxa vida, você já imaginou sua mãe dando o cu?
- Olha, nunca imaginei, não, mas não ficaria ofendida se soubesse que ela dá.
- Eu não fiquei ofendida, eu fiquei envergonhada.
- Não entendo o porquê da vergonha, afinal você também faz anal. Hoje em dia isso deixou de ser tabu e passou a fazer parte do cotidiano de muitos casais.
- Ah, é, passou a ser? Quem falou isso? Eu não posso acreditar numa coisas destas.
- Mas mulher, você faz anal com seu marido e fica aí com todo esse tabu com sua mãe...
- Claro, eu nunca tinha feito anal, eu ia tentar dá o cu pela primeira vez naquele fim de semana. Meu marido vivia pedindo, eu me recusava... E agora estou muito puta da vida de saber que minha mãe, uma velha, dá o cu. Enquanto eu, uma jovem, nunca dei...
- Ah, não se preocupe com isso. Agora, vira de costas que eu vou deixar o seu cuzinho bem bonitinho pro seu marido... Bem mais bonito do que eu deixo o da sua mãe.
- O que??!!! Não acredito nisso...
Claudio R. é o escritor de O Ladrão de Palavras e também não admite no da mãe dele, mas no da sua já é outra história que não posso contar aqui.
enviada por O Ladrão de Palavras
26/05/2008 10:20
UMA PUTA E UMA SACANAGEM
Por Claudio R.
Enquanto isso, na oficina do Rey...
- O que posso dizer que ela era tão linda que valia a pena fazer qualquer coisa por ela. Um espetáculo de mulher, uma bunda daquelas que não se pode aceitar que fosse usada apenas pra sentar no vaso. Os peitos eram a perfeição. A mulher tinha a barriga parecendo uma tábua envergada pra dentro...
- Mas e aí, o que você fez pra conquistá-la?
- E quem disse que eu a conquistei? Nananinanão. Eu queria comê-la e ela titubeava sempre, escorregava mais do que quiabo.
- E você?
- Eu estava embasbacado com ela. Sabe aquela artista estrangeira da bundona? Aquela que namorava aquela bonitão, lá, a cantora lá das bandas do Porto Rico...
- Ah tá, não vai me dizer que ela era parecida com Jennifer Lopez?
- Não vou dizer que era igual, ela era melhor uma besteirinha, mas era... Pois bem, ela era destas mulheres muito doida, tipo topa tudo, mas não rolava comigo. Eu nem sei bem porquê. Um dia eu cheguei e disse pra uma amiga dela: Sou capaz de fazer qualquer coisa pra ter a Ana Maria na minha cama. Aquilo voou como uma flecha até os ouvidos dela.
- E ela caiu na sua cama?
- Calma, não aconteceu assim tão fácil. Quando ela soube que eu realmente estaria disposto a fazer qualquer coisa, ela veio com um pedido dos piores.
- O que ela queria?
- O patrão nem vai acreditar... Veja só! A mulher queria que eu roubasse uma Hayabusa de dentro de uma loja...
- E o que vem a ser uma Hayabusa?
- É uma moto, aliás, essa é a moto, ela talvez seja melhor que a Ana Maria... Imagine o que há de bom numa moto e o senhor só vai conseguir pensar na Hayabusa.
- E o que você fez, roubou a moto?
- Homem, o negócio era complicado, eu dormia e acordava pensando na moto e na Ana Maria... Pensava que se não roubasse perderia ela, e se roubasse poderia ser preso e aí perderia ela do mesmo jeito.
- A Ana Maria era tão gostosa assim que valia a pena?
- O patrão não deve está acreditando quando eu digo, né? Ana Maria não era qualquer mulher, ela era especial, mulherão pra dez homens casarem e ficar todo mundo satisfeito.
- Eita! Então era mulherão mesmo!
- Se era...
- Então, você foi lá e roubou?
- Bem, eu pensei um pouco e acabei resolvendo roubar. Levei quase duas semanas pra bolar o plano.
- E como você conseguiu passar por os sistemas de alarme e estas coisas?
- Isso foi o mínimo, patrão, o difícil foi arrumar as chaves originais da moto... Tá pensando o que? A moto não funciona com qualquer chave, tive que dá um jeito de arrumar a original. E o sistema de filmagem eu dei um jeito facinho de desligar.
- Mas você entende destas coisas?
- Bem, patrão coça a garganta é que nem toda vida eu fui mecânico.
- Daí, então, você foi lá deu a moto a ela e comeu a Ana Maria?
- Que nada, a coisa não foi tão fácil assim, eu fiquei puto da vida.
- Por que?
- Rapaz, a Ana Maria tava dando pro Fraldinha.
- Quem é esse Fraldinha?
- Pense num cara feio e eleve a qualquer número, o Fraldinha ganha. Além de feio fedorento, a boca do cara fede mais que cu.
- Brincadeira, e a toda gostosa da Ana Maria dando pra esse cara!
- Pois é, foi aí que eu fiquei puto, mas já tinha roubado a moto e agora eu teria que comer, mas resolvi fazer mais sacanagem que putaria.
- Como assim?
- Bem, a Ana Maria queria que eu fosse pro motel com ela na moto, pra mim não teria problema algum, eu já saí de pau duro, nem sei se foi pela moto ou pela Ana Maria. Só que antes eu resolvi fazer a sacanagem, quer dizer, comecei a sacanagem.
- O que você fez?
- Olha só, eu estava puto que a Ana Maria tava dando pro fedorento do Fraldinha, então, eu quis sacanear os dois de vez.
- Vixe, os dois de vez?
- É, fui pro motel com a Ana Maria, dei a maior canseira nela. Umas quatro horas de trepada, e a bichinha dormiu, lindamente, com aquele bundão pra cima.
- Você abusou da bunda dela, nesse momento...
- Nem lembrei disso, o patrão falando é que eu me dei conta, meu plano tinha mais coisa. Primeiro eu liguei pro Fraldinha dizendo que precisava dele lá no motel pra me ajudar a tirar a Ana Maria de lá. Inventei que ela tinha bebido de mais.
- E ele veio?
- Pois é, o Fraldinha o que tinha de feio, tinha de tonto. Caiu como um peixe, veio todo aberto. Ele já chegou querendo saber o que tinha acontecido e eu enrolei ele direitinho. Fui embora e deixei os dois lá.
- Ah, entendi, então, você fez com que o Fraldinha pagasse a conta do Motel?
- Isso seria pouco. Eu saí de lá, liguei pra polícia e disse que a moto que tinha sido roubada estava num motel... Dei toda descrição e disse quem tinha roubado.
- O Fraldinha?
- Nada, disse que quem tinha roubado foi a Ana Maria, afinal o Fraldinha iria se embananar todo se eu dissesse que foi ele. Sendo a Ana Maria, até ele confirmaria, pois não sabia como aquela moto teria parado ali.
- Isso é o que eu chamo de uma puta de uma sacangem.
- Não, patrão, é uma sacanagem por causa de uma puta.
Claudio R. é o escritor de O Ladrão de Palavras, mas um dia quis ser mecânico.
enviada por O Ladrão de Palavras
20/05/2008 16:06
EU SOU ASSIM, MAS TUDO PODE MUDAR
Por Claudio R.
Fui criança levada e me tornei um adulto idem. Quando criança tinha medo de envelhecer para continuar jogando bola, vivia o sonho de ser um Peter Pan, uma criança que nunca crescia, mas eu cresci, e como cresci (- já cheguei a pesar 92 kg de massa muscular). Nunca tive medo de escuro, mas hoje vejo que sou um escuro (negro) de meter medo.
Sempre me esmerei em ser exímio em tudo que fiz e faço, meu sonho infante era ser jogador de futebol, mas meus pais sempre acharam que eu era inteligente de mais pra lidar com coisas físicas. Ledo engano, eu jogava muito bem e o maior troféu que recebi por jogar bem foi há bem pouco tempo quando um amigo disse: Seu esporte era realmente o futebol, você jogava bem de mais pra ter parado. E eu parei muito cedo, a última vez que joguei futebol foi aos 18 anos, tentei uma volta aos 22, mas em vão, aí eu já estava noutra. Parti para o jiu-jitsu, a arte marcial da técnica suave. Encontrei-me ali. Lutar realmente faz parte do meu show de vida. Quando criança eu brigava muito, adolescente eu continuei brigando, já adulto eu resolvi canalizar a minha força e fui lutar: jiu-jitsu, judô, muhay tae e boxe. Destes, o jiu-jitsu me apetece mais, é mais bonito, mais técnico, mais eficiente e é o que concentra todos os instintos humanos num só lugar.
Nunca fui um cara solitário, mas sempre tive medo da solidão, não sei por que, talvez o meu egocentrismo de primogênito quisesse sempre mais e está só não me dava esse direito. As vezes eu prefiro ficar só, mas nunca muito tempo ao ponto de que esta solidão se solidifique numa tristeza.
Um homem de personalidade forte, um jeitão sorumbático e temperamento explosivo. É assim que a maioria das pessoas me vêem. No entanto, meus maiores amigos dizem que eu sou prestativo, justo, carinhoso (ops! Aí acho que só as amigas) e leal. Eu tenho grandes amigos. É muito bom dizer isso.
Eu sou insatisfeito com tudo, mas principalmente nas relações humanas mais prazerosas, entre elas o sexo. Tenho um comportamento de viciado (como diz minha amiga Nilda), não sinto prazer em outras coisas se eu não estiver comendo alguém. Acredito que não há nada mais bem articulado na natureza que o sexo e todas as suas nuances. Dizem que esta é mais uma coisa que me tornei exímio. Talvez pela quantidade desmedida de parceiras ou pela assaz qualidade que estas tinham. Nem sei o quanto o meu vício está no sexo, muitas vezes penso que meu vício está em emoções fortes e sentimentos nobres e fúnebres como a paixão.
A paixão anda comigo e está para mim como magma está para os vulcões. Não sou eu mesmo quando estou abstinente.
Gosto de animais, talvez até mais que de gente, mas ainda acredito na ingenuidade e inocência das pessoas. Um dia as pessoas serão educadas, sinceras, honestas e bondosas. Não haverá falsidade e nem conchavos. Não sei se, tal qual o meu xará Martin Luther King, eu não verei este dia, mas ele acontecerá.
Minha mãe pode não ter me dado a educação cheia de etiquetas que vemos por aí, mas ela me deu a educação perfeita para que o mundo fosse melhor. Eu não consigo achar uma carteira com dinheiro e tentar me aproveitar daquela situação; Não consigo matar passarinho sem sentir remorso; E não consigo achar bonito roubar seja em qualquer situação. Mas também, claro, não sou bonzinho, tenho um senso de justiça que às vezes confunde-se com frieza e desumanidade. Também, erro. Erro bastante e como diria Leminski, até que o erro saiba que só o erro tem vez.
Ainda, erro no seu sentido mais nobre, gosto de viajar, desbravar, conhecer gente e lugares.
Antes eu tinha medo da morte, mas convivia bem com isso, hoje eu não tenho medo, mas receio morrer sem aproveitar o prazer de ver o meu filho crescer. Entretanto, isso não me impede de me arriscar a viver. Gosto de aventuras, gosto de me embrenhar nos perigos da vida e viver intensamente, tudo isso por medo de que o amanhã seja apenas o dia do meu enterro.
Eu amei, mas as pessoas que me amaram têm mais motivos pra me odiar que o contrário. Por amar, entendo a idéia de querer o outro bem sob qualquer circunstância, portanto, o meu amor converge com isso. Sou egoísta, assim como o amor que não permite nada além dele. Quero o meu bem querer acima de tudo, e é assim que consigo dar o melhor de mim para as pessoas que amo. Mas esse tipo de amor só funciona nos livros de filosofia.
Eu escrevo, gosto de escrever e gosto do que escrevo, sou um escritor que não ganha dinheiro com isso. Assim como, também, sou um ciclista, lutador e amante profissional que não é remunerado financeiramente.
Eu leio muito e gosto muito de ler. Ler me torna diferente das pessoas que me cercam, sou incomum e me orgulho disso. Não leio qualquer coisa, não vejo graça em ler bula de remédio e não leio livros de auto-ajuda, talvez por isso eu não leia nem manuais de equipamentos eletrônicos. Sempre achei que manuais, seja ele um livro de auto-ajuda ou qualquer outro, só serviam para pessoas deprimidas e dependentes, não me encaixo em nenhum dos dois.
Por falar em se encaixar, eu me encaixei muito e num destes encaixes, eu fiz um filho, o qual eu vejo a felicidade na sua existência em minha vida. Espero que ele seja um grande homem e que no mínimo queira ser lutador, mas espero mesmo que ele seja assaz feliz.
Meu filho é um presente maravilhoso, embora eu não seja adepto da prática de receber presentes, esse é um presente inefável e jamais devolverei. Assim como o meu primeiro violão e roupas pretas são presentes que recebi e fiquei feliz em desmesura.
Claudio R. é o escritor de O Ladrão de Palavras
enviada por O Ladrão de Palavras
16/05/2008 14:23
POR PROCURAÇÃO
Por Claudio R.
Meu amigo não sabe, tampouco faz idéia de que eu estou te escrevendo esta missiva para falar sobre ele. Na verdade, por ele ser meu confidente e grande amparo nas horas de agonia, ele usou do mesmo subterfúgio à tristeza e remeteu-se a falar do romance, ao qual eu intitulei de filme B, meloso e bobinho.
Recordo-me muito bem do início do relacionamento de vocês, ele fazendo segredo da mulher que o fazia sorrir diferente e chegar mais tarde em casa. A curiosidade nunca me foi uma característica peculiar, todavia eu queria saber quem o tirara daquela quase depressão e ansiedade em se apaixonar. E realmente se apaixonou, o sorriso era notório, revelador, até a nossa empregada estranhara o jeito diferente que ele acordava. Entretanto, o mistério durou até o dia que ele te levou lá em casa, e que tu não deste a ele o privilégio de deitar com ele.
Tu és uma mulher bonita, digna de aplausos e que, palavras dele, Deus fora bastante gentil contigo. Concordo plenamente com as palavras dele, pois a tua compleição invejava a todos que nos cercavam.
Perdão por está sendo um tanto indiscreto, mas é conveniente falar que muitas vezes ouvi o sexo que faziam. Particularmente os teus gritos, que me pareciam ser sinceros e realmente estava sentindo prazer. Meu nobre amigo se orgulha de ter participado dos teus gozos inúmeros e inéditos. De certo que tu acompanhavas a viagem lasciva que ele te levava.
Ele me disse que dói saber que está longe e ainda por cima com outro homem embora ele também esteja gozando do mesmo pérfido direito, é inaceitável, para ele, a vida sem ti. Ainda, tratou de se esmerar em dizer que não conseguirá te esquecer por completo. Disse que tudo e qualquer coisa trazem lembranças tuas. Interessante o rol de coisas que ele faz alusão ao tempo contigo. Fazer a barba, segundo ele, lembra um dia que tu e ele passastes o dia juntos e ao fazer a barba, mal feita por sinal, tu o ajudou a refazê-la.
Eu não sou adepto destes sentimentos, nostalgia atrapalha a minha invulnerabilidade. Podes até me chamar de insensível, mas eu não posso admitir que estas coisas permeiem o meu cotidiano. É estranho ao meu corpo ser obrigado a chorar toda vez que eu ouvisse o nome da cidade de alguém que eu convivi. Ainda, sinceramente eu não teria nenhuma compaixão em me desfazer de coisas que dividi prazeres com uma mulher.
Desculpe-me por está falando estas coisas e parecer sarcasmo, mas é o que eu acredito e pratico, diferentemente do meu nobre amigo, sou adepto da praticidade, inclusive no meio sentimental. Como exemplo, é bem mais fácil tentar te esquecer com outras mulheres do que ficar choramingando pelos cantos. Mesmo eu não tendo encontrado nenhuma mulher que gritasse, ou melhor, urrasse de prazer como tu, saberia como mudar essa situação inquietante.
O que dizer do dia em que resolvestes inovar no sexo e ele te possuiu pela reentrância de pouca usança. Eu ouvi, não de propósito, mas não pude deixar de apurar a audição no primeiro sussurro propondo o ato. O invejei, mas respeitosamente fiquei apenas na inveja. Tu foste motivo de muitas corridas minha ao banheiro, não resistia tentando imaginar o que teus sussurros significavam e para onde os teus movimentos estavam te levando. Por já ter possuído a mulher de alguns amigos e tu tenhas despertado desejo em mim, antes mesmo de conhecê-lo, eu não me sentiria à vontade para te ter nos meus braços. A paixão dele é tão grande que incomodaria até o mais tarado dos homens que já existiu.
Não raro o ouço dizer que sente mais a tua falta do que qualquer coisa vital. Para mim não é salutar nutrir paixão por alguém cheia de suplementos como marido e filhos. É esquisito esperar, pois mulheres não aproveitam o bom da vida, simplesmente decidem a vida e, infelizmente, não coube a ele a parte decidida por ti.
Contudo o romance acabou e ninguém sabe realmente por que. Ele me diz que tem certeza que jamais te esquecerá e que tem muito medo disso. Inclusive o temor de num dia qualquer do seu futuro, na tranqüilidade de sua decrepitude, ele não consiga enxergar validez nos atos da sua vida amorosa e assim não hesite em dar fim ao próprio sofrimento com a morte do corpo, pois a alma, acertadamente continuará sofrendo por não está contigo. Eu acho tudo isso uma grande tolice, mas eu não estou apaixonado para entender destas coisas, no entanto, ele...
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14/05/2008 15:07
APENAS UM NOME
Claudio R.
Estava eu numa boate conversando com a mulher mais bonita que eu já vira. Corpo malhado, boca carnuda, um peitão turbinado, bumbum redodinho e firme, olhar sensual e penetrante, enfim, a mulher que eu sempre sonhei ter em meus braços e consequentemente em minha cama, ou na dela, ou na de um motel de luxo. Trocamos olhares, até que cheguei perto e começamos a conversar. Por incrível que pareça, ela era tudo aquilo e ainda tinha uma boa conversa, um papo agradável e cheio de sacadas cômicas.
Ela parecia interessada e eu saí com essa:
- Já que terminaremos esta noite juntos, falta uma coisa... Qual o seu nome?
- Ah, deixa isso pra lá, terminaremos sim a noite juntos, mas esqueça que eu tenho um nome.
- Oxe, mulher, como eu passarei a noite contigo e não saberei o seu nome.
- E pra que irá servir o nome?
- Ah, sei lá, é que todo mundo tem um nome e você não pode ser diferente.
- Eu não sou diferente, mas meu nome é muito horrível, estragaria qualquer coisa mais lasciva que você viu em mim, então, melhor deixar pra lá.
A conversa continuava comigo insistindo e ela negando. Impossível que alguém tivesse um nome tão horrível a ponto de preferir não ser chamada por nome algum. Eu continuei perguntando até ela mandar a fatídica frase.
- Você quer realmente saber o meu nome, então, vou te dá a chance de tentar acertá-lo, imagine o nome mais feio que existe.
- Ah, é impossível que você se chame Josefina!
- Pois é, eu me chamo Josefina, ta vendo...
Se fosse na mega sena acumulada eu não acertaria com tanta facilidade. Puta que o pariu!, pensei. Não tinha jeito, antes de ela começar a justificar o porquê de não querer ser chamada pelo próprio nome eu emendei.
- Mas como, no meio de tanto nome horrível, eu fui falar logo um que me traz as mais maviosas recordações?
- Como assim? Perguntou ela
- Josephina é o nome da minha falecida avó, uma sábia velha que praticamente me criou, morei na casa dela até os meus 8 (oito) anos de idade. Gostava mais dela que da minha própria mãe. Ela não gostava do nome, mas quando eu a chamava ela gostava...
- Você está falando sério?
- Claro que sim, nunca falei tão sério. Eu não acho o nome feio, só falei por lembrar que a minha vozinha não gostava do dela e vivia as turras com todos, na verdade ela preferia que a chamassem de Isadora.
- Isadora?!!
- É apenas um nome, maluquice, sei lá. Acho que ela vivia tão complexada na infância que usava esse nome.
- Ah tá, você salvou a nossa noite com a sua história.
Realmente eu salvei a noite, nós fomos parar na casa dela e tudo isso quase se perde por apenas um nome. Ainda bem que lembrei da minha avó, que não se chamava nem Josephina, tampouco Isadora, seu nome era Eutrépida Maria.
Claudio R. é o escritor dO Ladrão de Palavras, e é mais que um nome.
enviada por O Ladrão de Palavras
08/05/2008 17:37
UNS RAROS COMEM BEM
Por Claudio R.
Feliz é o homem que desperta a inveja nos outros. Se eu fosse namorado da Jennifer Lopez, (aliás, não conta pra ninguém, mas eu estou comendo risadas metafísicas) eu seria um dos homens mais invejados do planeta e acharia essa sensação maravilhosa. Devo ser um exemplar raro da raça humana masculina, pois a maioria das pessoas que conheço não desfruta do prazer de se sentir melhor que todos através da inveja alheia.
Sentir-se assim é bem simples, basta você transferir toda energia direcionada ao ciúme para o orgulho. Infelizmente isso não é fácil, por dois motivos específicos. O primeiro deles é que num relacionamento amoroso envolve-se muita coisa além da pura e vantajosa vaidade humana, os sentimentos nutridos pelas partes interferem na praticidade, o que leva as pessoas a não serem abertas às investidas da inveja de outrem.
Salvo raras exceções (aliás, raríssimas, ops!), eu sempre obtive no meu currículo sexual mulheres dignas de capa de revista. Eram, de um certo modo, troféus conquistado com uma labuta não muito árdua, diga-se de passagem, entretanto, eu sabia que do meu lado tinha uma mulher que facilmente seria cobiçada e muitas vezes sob os meus olhos. Sempre fui um homem grande e um grande homem, talvez por isso não tenha presenciado atos de inveja acintosos, mas os olhares não costumavam ser muito discretos. Uma certa vez, eu estava com uma namorada e dois casais de amigos, a minha namorada era estonteante, uma mulher de parar qualquer quarteirão, literalmente uma mulher gostosa que todos queriam comer, nem que fosse com os olhos. Lá, eu e os namorados das outras meninas, conhecemos um grupo de jovens que não paravam de olhar para a minha namorada, mas eles não sabiam quem era o namorado da gostosa. Nós fomos jogar bola com eles e fizemos um contato mais amistoso. Um deles partiu com essa:
- Rapaz, se aquela mulher fosse minha namorada, eu não sairia de cima dela. O que você acha negão?
Eu respondi: - Existem coisas que não dá pra fazer com ela por baixo, por exemplo jogar bola com vocês, beber água, comer...Eu, particularmente, muitas vezes tenho que vestir roupa, pois nem tudo posso fazer pelado. Vocês não acham? O rosto do rapaz ficou vermelho, ele ficou com medo de que a minha resposta além de sarcástica fosse apenas o começo e que eu partisse pra porrada. Mas nada disso rolou, eu apenas me senti lisonjeado por ter comigo uma mulher desejável, capaz de causar a inveja e a admiração de muitos outros homens.
Não é fácil ter este tipo de atitude, a auto-estima do cidadão tem que está bastante elevada pra que ele sinta-se a vontade com o próprio orgulho. Pois o ciúme é iminente e se o elemento estiver com baixa auto-estima, pode se sentir ameaçado, o que nunca foi o meu caso.
O fato é que uns comem bem, outros comem mal e outros não comem nada. Faço parte dos que, bem ou mal, comem. Não raro, acerto o fino trato e acabo ganhando uma diva estonteante causadora da inveja alheia. Portanto, continuo me sentindo o pole position, o vencedor, e não tenho problema algum em despejar champanhe em todo mundo pra comemorar a minha vitória. E você que também é dono de uma Ferrari vermelha e vê nos olhares dos outros aquela inveja fulminante, não se preocupe, sinta-se a vontade para dizer à si mesmo: Pode olhar, mas lembre-se que sou eu quem está comendo!
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07/05/2008 16:28
CADA UM COM OS SEUS PROBLEMAS
Por Claudio R.
Cada um sabe a medida do seu problema, isso é algo pessoal e quase sempre intransferível. Problema é o mal que assola a humanidade desde que o homem macaco resolveu descer das árvores e morar numa caverna com sua amada mulher macaco e seus pequenos meninos macaquinhos. Naquele tempo, a dimensão dos problemas não era suficientemente grande, pois não existia cartão de crédito pra sua mulher macaco gastar com bananas num shopping center selvagem, não existia o aluguel da caverna pra pagar e nem o IPVA do carro. Entretanto, o homem das cavernas também tinha problemas que pra eles eram assaz complicados de se resolver, e muitos não havia resolução alguma, como a ameaça iminente de animais e as intempéries.
O que quero explicitar é que problema todo mundo tem, e só quem tem sabe a dimensão do mesmo. Eu, como artista que sou, tenho a mania complicada de exacerbar os meus problemas, dando dimensões desmesuradas a acontecimentos que, para outras pessoas, seriam facilmente solucionados. Assim, passo mais tempo incomodado com o problema e quando a solução aparece, já estou tão estressado que não colho os louros dela.
A preocupação não resolve os problemas, isso é frase feita e não funciona pra quem exige um mar de rosas como padrão de vida. Meu maior problema, com perdão do trocadilho, é não aceitar uma vida mais ou menos e nem que os acontecimentos fujam ao meu controle. Além disso, ainda tenho a ignominiosa fantasia de que os meus problemas geralmente são bem maiores que os dos outros.
De acordo com a minha teoria de cada um com os seus problemas, se eu fosse o superman, meu maior problema seria nada mais que salvar a humanidade e ainda me preocupar com Lex Luthor. Infelizmente eu não sou e os meus problemas consistem, basicamente, em coisas simples solucionáveis, todavia, tenho um lema e ele diz o seguinte, não existe problema que a falta de mulher não consiga piorar. E uma coisa sempre atrai a falta da outra ou em ordem contrária. Entretanto o assunto aqui é outro e fiquemos nele...
O que para muitos pode ser uma tempestade, para outros simplesmente um copo dágua. Recordo-me agora quando tive um acidente de moto e estava acompanhado de um amigo, enquanto estávamos os dois no chão, tínhamos uma grande preocupação: Quanto tempo vamos ficar sem treinar? Muitas pessoas estariam preocupadas com fraturas, com luxações, mas nós dois tínhamos outro tipo de problema, para nós dois, ficar sem andar seria muito mais degradante que para uma pessoa comum que apenas teria a dificuldade de locomoção.
As vezes fico pensando o quanto não deveríamos nos preocupar com problemas, já que esta atitude não funciona na resolução do problema, mas não dá pra ser inerte e não se preocupar. Todavia, a preocupação têm que ser dosada a níveis que atrapalhe muito pouco o desenrolar da vida. Por exemplo, alguém preocupado com a morte, não pode deixar que essa preocupação atrapalhe o seu bem estar.
Cada um tem uma característica e um modo de viver, até as crenças interferem na resolução e na tranqüilidade diante do problema. Quando alguém me pergunta como é ser ateu, eu costumo dizer que ser ateu é não ter ninguém para depositar os seus problemas, eu costumo resolver os meus sozinho. Sendo ateu, eu não preciso me preocupar com desígnios celestiais, ira divina, inferno, etc., mas também não tenho o alento dos teístas que acreditam que serão ajudados por alguma força sobrenatural.
Outra coisa que falta em mim é o fanatismo futebolístico, observo quando os torcedores se vestem com as cores do seu time, vestem seus filhos, pegam bandeira e partem para o estádio pra torcer. Naqueles instantes, eles apenas estão preocupados com o seu time, só isso interessa, daí eles se esquecem da conta do cartão de crédito, do patrão chato que o espera na segunda-feira, a prestação infinita do carro pra pagar, nada disso tem valor, o importante é o time que está jogando. E na segunda-feira, mais importante que tudo isso, é o resultado e a zombaria com os colegas que obtiveram vitória ou derrota.
Daí, eu, do alto da minha sábia filosofia de botequim, afirmo que ser meio bobo é muito bom para o bem estar. Talvez se eu cresse em forças sobrenaturais, fosse um monge tibetano ou torcesse para algum time com toda veemência que vejo por aí, eu não ficaria preocupado com a falta que o sexo e o dinheiro faz na vida de um homem.
Claudio R. é escritor e esportista, mas infelizmente o esporte dele consiste em torcer pra ele mesmo.
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22/04/2008 14:29
UM HERÓI PERDIDO EM SOTERÓPOLES
Por Claudio R.
Nenhuma cidade do país tem o marketing turístico que a capital do meu estado. Uma das maiores cidades do país, e com a fama de ser a terra da alegria e do axé. Não nasci e nem sou daqui, mas minha árvore genealógica, por parte de mãe, tem suas raízes fincadas nessa terra de chão pintado de preto pela própria natureza.
Aqui é um lugar muito bonito, lindo de morrer! Ops! Aqui se morre bastante e vive-se com medo de morrer. Não é só a terra de cantos, encantos e axé, o baiano é temeroso em relação a sua vida, pois os crimes de mortes são iminentes a cada esquina ou beco. E por assim dizer, beco aqui é o que mais tem, mais até do que as belas paisagens do farol da Barra e/ou de Itapoã.
Nunca gostei de Salvador, por ser uma cidade agitada, muito maior do que as minhas expectativas e minha invulnerabilidade. A amplidão da cidade, que não é tão imensa assim, não é compatível com os meus super-poderes, o que, neste ponto de vista, configura-se como uma fraqueza para o meu peito de aço. Por não suportar a disputa, Salvador nunca foi um lugar atrativo aos meus anseios de super-homem. Aqui há muitos mais heróis do que o meu conhecimento pode abarcar, há mais outros iguais ou melhores que eu. E como sou um herói solitário, não dá pra montar uma liga da justiça com eles.
Além de heróis, há heroínas. Não há como negar que as mulheres daqui, são mais bonitas que as de qualquer lugar do mundo. A miscigenação é mais forte e mais evidente. Principalmente no ponto de vista dos turistas. Homens e mulheres do lado de cima do Equador se interessam por gente da minha cor azeviche. Talvez pelo contraste lindo ou no azo de montar um Yn Yang étnico. Nisso eu poderia achar uma maravilha, já que levaria vantagem sendo um representante ímpar da pele de ébano. Todavia, não tenho saco pra ser babá de babões e babonas cheios de grana e achando que pode comprar de tudo.
O que não é nada bonito são os meninos, as meninas e os que não se pode definir, literalmente, que se oferecem aos montes para os turistas cheio de dólares e amor pra dar.
Terra da alegria e festa! Rola festa em todo lugar, mas temos que ser abonados financeiramente para participarmos. A maioria dos lugares são imensamente distantes uns dos outros, e estas distâncias ficam maiores quando olho com a minha visão de raio X de super-herói do interior. O costume de andar a pé aqui fica a cargo de desavisados ou empobrecidos da disparidade social que aqui se encontra. Por ser um herói naturalista, não consigo entender como tantos carros podem levar tão poucas pessoas.
Herói de verdade anda de bicicleta, não polui a natureza e nem congestiona o trânsito. Contudo, a idéia de que o baiano é um povo estafermo e ocioso não é vista por aqui. Baiano anda de carro com apenas um passageiro e está sempre com pressa, é ignorante no trânsito e mal educado. Faixa de pedestre é um lugar para se parar os carros com apenas um passageiro e ciclovia é lugar de qualquer coisa, exceto bicicletas. Aqui, no trânsito, cultiva-se a cultura do primeiro eu, segundo eu e depois de mim sou eu.
Ah, mas como diria Vinícius, o poeta, existe a tarde em Itapoã pra compensar. As praias daqui são realmente maravilhosas e de ponta a ponta há locais de banhos. Se tiver que escolher alguém pra ficar, vá as praias, há baianos, baianas e turistas de todo tipo e, em sua maioria, lindos. Mas cuidado com os pés, pois essa gente que gosta de se bronzear, também gosta de sujar e deixar vestígios da sua passagem por esta área.
Ainda, se você não for rico o suficiente para vir de carro à Salvador, ou alugar um carro de bacana, há o grande risco de levar baculejo (ser vistoriado com apalpações quase sexuais pela polícia) quando quiser sair à noite. Não sei porquê a polícia daqui acha que bandido só anda de carro popular.
Hei, tira a mão daí, essa é minha arma de salvação da humanidade. Claro que não é de fogo! Aliás põe fogo, mas é de uso exclusivo de mulheres, o que não é seu caso. Não preciso de armas, sou um super-herói... E me desculpe por não está andando com um carro de cem mil ou voando com minha capa vermelha.
Eu não poderia esperar muito de um lugar onde o Bairro da Paz vive em guerra. Venha a Salvador, mas seja rico, mal educado no trânsito, apressado em todos os afazeres e curta bastante ir à festas e pegar engarrafamento na ida e na volta. Pois, O Salvador daqui é puro marketing turístico. Eu vou bater minha capa daqui para um lugar onde a única coisa discrepante seja o surrealismo de Salvador Dali.
Claudio R. é o escritor dO Ladrão de Palavras.
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08/04/2008 09:30
ME DÊ UM ORGASMO SE FOR CAPAZ
Por Claudio R.
Mulher que não goza existe aos milhares, dado à cultura retrógrada na qual foi educada, esta mulher aprendeu que sexo é o mais animalesco dos instintos e por isso não se deveria sentir prazer com algo tão menor.
O mundo cresceu, as pessoas ficaram mais inteligentes e aprendeu-se que o sexo (mesmo ainda sendo animalesco) é muito melhor do que os ensinaram. E que tudo é permitido desde que seja feito de acordo com a vontade de ambos. Mas aí reside o maior empecilho, na maioria das vezes as vontades não sincronizam e geralmente o gozo das mulheres empaca na sua própria vontade de não querer sincronizar.
Atualmente fala-se muito em liberalidade na cama e que, nesta tal liberalidade, um casal (ou até mais pessoas) pode tudo, mas muitas mulheres, principalmente, não se liberam para o tudo, desde simples coisas, como o sexo oral (leia-se gozar na boca) à qualquer técnica ninja sexual (leia-se mais menaje, dp, etc). Assim, a relação sexual plena fica a cargo da raridade de dias festivos e do amadorismo da falta de prática.
Amador é aquele que pratica, variavelmente, ou tenta, algo que o profissional é exímio. Então, quem se sente à vontade para ser amador jamais desejará a responsabilidade e a etérea reputação de profissional.
Com o gozo é bem assim, se você é amador nesta parte tênue do sexo, não se formará profissional se isso não for um desejo unicamente seu. Todavia, ouve-se muitas mulheres dizendo que tal coisa é boa, mas o homem tem que saber fazer. Aí é que falta o profissionalismo, pois se um não souber o outro tem que está de prontidão para ensinar, e mesmo assim isso não deveria impedir o bel prazer da parte sabedora.
Até nisso encontra-se resquícios da submissão imposta durante anos, pois muitas mulheres ainda se submetem ao querer do homem. Fulano me fez gozar várias vezes ontem à noite. Quando o correto deveria ser: Gozei várias vezes com o fulano, ontem.
De tanto ouvir: Sexo anal é bom, mas se o homem não souber fazer é ruim e eu não gozo; Ele não sabe me fazer gozar no sexo oral; e o fulano me faz ter orgasmos múltiplos. Resolvi desmistificar e provar quase que por uma equação de álgebra que ninguém faz ninguém gozar se o outro não quiser.
Saí com uma menina que realmente era um furacão, uma gostosa de proporções desmedidas, exímia na arte de trepar. Fomos a um motel, nos beijamos, acariciamos, ela gozou eu fazendo oral e a penetrando fazendo pressão no ponto G dela (Ela queria gozar, é claro). Ela me chupou, muito bem, como sempre fazia, e quando estava me cavalgando, eu disse a fatídica frase: Me faz gozar! E ela: Como?!!. Eu confirmei: É isso mesmo, me faz gozar como nenhuma melhor o fizera.... A mulher ficou ruborizada, fez todo tipo de movimento possível naquela posição, rebolava, extremecia, ficou de quatro, tremia feito uma dançarina de axé. Ela resolveu me chupar com mais afinco, mas não adiantava. Usou bala de menta extra forte, gritava, gemia e parecia encarnar uma entidade com os gemidos, mas eu continuava no meu propósito de não querer gozar. Mesmo quando ela pediu com voz sedosa e safada: Põe no meu bumbum!. Eu pus, ela gozou, seu corpo gelou, ela tremia, chorava pela boceta, mas nem assim!!
Ela sentiu a responsabilidade que a maioria dos homens de boa vontade sentem, ou seja, sentiu-se muito mal por não conseguir me fazer gozar, e com isso eu provei que ninguém consegue obrigar o outro a ter um orgasmo alheio a sua vontade. Bem, a mulher não entendeu o meu empirismo sexual, mas fazer o que?
enviada por O Ladrão de Palavras
03/04/2008 05:52
QUER PAGAR QUANTO?
Por Claudio R.
É meio loucura, mas é a única opção no momento, pelo menos é o que dá mais dinheiro em menor espaço de tempo. E esse telefone que não toca!! Bem que eu poderia receber uma ligação me chamando para fazer qualquer coisa e eu não precisasse fazer isso. A mega-sena me deixaria feliz da vida. Se ao menos eu jogasse... É! Vou seguir o meu caminho, também não lá nenhum infortúnio. Pior é quem não tem nem essa oportunidade de trabalho... Pior é quem não tem o que comer... (Sem trocadilho, sem duplo sentido). O que fazer? É só dançar... Que bobagem! Já dancei tanto nessa vida e não ganhei porra nenhuma, agora que não é mais de graça eu estou me queixando. Esse cara me olhando, olha só isso. Chega pra lá, meu irmão. Lá vai ter muito disso, embora o nome seja direcionando para mulheres, duvido que uma Scheila Carvalho apareça lá. A Scheila está um monstro de gorda, mas eu treparia com ela assim mesmo. Difícil achar com quem eu não treparia. Se alguma mulher lá me chamar pra trepar, eu vou avaliar bem a situação, o binômio custo x benefício faz-se necessário estudar. A noite é uma criança e eu já não sou mais uma, posso tomá-la em adoção. O lugar até que é bonitinho, devo salientar que ficar aqui não será uma tarefa tão árdua. Esse cara aqui deve ter um pau bem maior que o meu, olha só o tamanho do cara! Epa! Melhor eu parar de olhar para estes caras, eu sou facão, só corto de um lado e o lado que corto já é até cortado. Se já é cortado, pra quê serviria o facão? Ah, já sei pra cortar na horizontal... Como o daquela loira que está ali de conversa com os fortões. Quem será essa mulher? Linda de mais. Voz grossa da porra, que negócio estranho. Ai, ai, ai! Estes caras são todos mais fortes que eu, devem ganhar mais... Muda logo esse seu raciocínio senão vai começar um complexo de inferioridade que não combina com você. Eu sei o que tenho que fazer, sei dançar, sei tirar a roupa, só não havia recebido dinheiro na cueca. Que cueca de frutinha, meu pau não cabe aqui dentro, pior, minha bunda não cabe nesse fio. Fio dental fica até bonita naquela loira, quer dizer... Nunca vi uma boceta tão grande! Vamos lá, vamos lá. Eu queria aquela roupa de soldado, combina mais comigo, eu já fui soldado e fica bem melhor que essa roupa de couro com essa cueca enfiada na bunda. Agora eu sei o que sente uma mulher com uma calcinha enterrada. Dinheiro, dinheiro. Olha lá quanto aquele cara ganhou! Concentração total, eu não posso ficar nervoso, se não a coisa não flui corretamente. Luzes, câmera, ação. Minha vez... (Paran, paran, paran, paran, ran, ran, ran, paranranran). Só têm homens na platéia, espero que eles não resolvam pegar em mim, estou precisando de dinheiro, mas minha masculinidade não está à venda. Se bem que olhando para essa calcinha, digo, cueca enfiada no meu cu, não sei não. Não há a quem recorrer. Dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço, então, não deveriam me colocar para dividir o palco com o bombeiro. O cara é um armário e a mangueira dele é maior que a minha. Não preciso ficar assim, eu sou mais esperto, mais inteligente, meu corpo é muito mais definido, eu pego mais mulheres, eu sei tocar flauta. Ops! Não sei tocar nada, aqui não é lugar para enumerar meus dotes musicais, principalmente instrumentos fálicos, ainda mais com esse bando de gente me olhando. Bombeiro otário, olha só, está todo mundo me olhando. Aí, o cowboy é mais procurado e mais famoso. Shiiiii! Ai, ai. Ah, vocês querem o meu chapéu? Então toma! Emocionante esse negócio, estou começando a gostar. O problema é que eu não sei me vender. Mas eu me venderia para a loira de voz esquisita, quem será ela? Aliás, não precisa nem pagar, eu vou de graça e com a grana que vai sair daqui, posso até pagar. Bem que poderia ter mais mulheres aqui. Tudo por aqui parece, mas não é. Um clube de mulheres que só tem homens, mas os homens que são homens não são muito. Se tiver duas mulheres aí em baixo eu mudo meu nome, aliás, mudaram o meu nome. Pelo menos me deram um nome austero. Epa! Não passa a mão em mim, que negócio nojento, homem pegando em homem. Tira a mão daí. Hum! Quatrocentos. Humm! Pode por a mão. Hei, você aí também, não se faça de rogado, só cenzinho? Matei oitocentos e cinqüenta paus, digo, reais. E você pode ganhar mais cowboy... A loira! E o que eu teria que fazer? Nem me fale. Hei, cowboy, a loira é um loiro, Êla é namorado do dono da boate. Namorado? Não ligo, não sou ciumento. Ah, esquece esse papo careta, e daí que ela é um transex? Um virgula a mais numa mulher não vai fazer diferença, a não ser que seja na hora de me pagar, daí a coisa pode piorar. Epa! Maior que o meu! Olha só, ficamos entendidos que eu sou facão, às vezes posso ser espada e furar como espeto. Fica de quatro e faz de conta que você é uma picanha, mas amolece esse negócio que eu não gosto de lingüiça, principalmente toscana.
enviada por O Ladrão de Palavras
01/04/2008 18:07
A MAGNÍFICA ARTE DE CHUPAR
Por Claudio R.
O mesmo que sugar, sorver, aborver... Chupar é realmente uma arte e não são todas as pessoas que estão credenciadas à prática. Desde criança aprende-se a chupar, sem o ato de sorver o leite, jamais chegaríamos a idade em que se adjudica o direito de praticar a sua variante mais maravilhosa, a saber, o cunilingus.
No sexo, chupar é uma maravilha que não agrada a todas as categorias e isso faz da prática muitas vezes um desastre de proporções desmedidas.
Não existe escola pra isso, nenhum homem sabe ensinar, nem aquele seu amigo pegador-expert- bambambam-comedor sabe, talvez nenhuma mulher saiba dizer como gosta e daí torna-se difícil executar. Chupar tem que ser por prazer. Não necessariamente precisa ser o prazer de quem é chupado(a), e sim, o prazer de quem chupa. Tem que ser feito com gosto, com vontade, como se dali saísse o alimento que livraria da morte, salvaria a vida... Pra chupar não se deve seguir regras básicas predefinidas, não se deve seguir livros, principalmente os religiosos.
Chupar é um desejo que viaja do consciente para inconsciente transportando quem chupa e quem é chupado para um mundo de maravilhas. O maior problema é quem não sabe o que está perdendo, quem não gosta de prazer, quem não sabe sentir prazer, quem não se permite à esta experiência magistral.
Por culpa da cultura que lhe é imposta, mulher geralmente é maioria no rol dos que não se permitem chupar ou serem chupadas. Por terem sido educadas com rigor excessivo, com repressão sexual, muitas delas não conseguem ser exímias na arte.
Existem as que têm nojo da própria genitália, conseqüentemente elas terão nojo da genitália masculina, daí, vão chupar (se chegarem a chupar) com uma mesquinhez de desejo que não causará nenhum prazer no parceiro. Têm aquelas que sentem vergonha da própria boceta, então elas ficarão retraída em por um pau na boca.
O pudor tem que ficar de fora na hora de chupar, deve restar apenas o desejo, a luxúria, a lascívia, a safadeza e muita putaria. Receber uma chupada bem dada é de deixar o pau mais duro que concreto fck 50. Em compensação, cometer deslizes do tipo: chupar só a cabeça, como se só a glande fosse zona erógena; passar os dentes; chupar descompassado; etc, não merece perdão.
Também, chupar uma boceta pode também não trazer o resultado esperado. Pois muitos homens, por serem egoístas em excesso, não conseguem se entregar ao ato, não chupam com o desejo pedido, sem o pudor necessário e com a vontade de vida. A boceta é tão pequena e muitos homens não conseguem chupa-la por inteira. Essa deve ser a única regra a ser seguida, não esqueça do botãozinho dourado, ache-o, mas não despreze todo o resto, a boceta deve ser chupada como um todo e não apenas isolar-se numa parte.
Por fim, dizem por aí que os homossexuais são exímios na arte de chupar, sejam eles gays ou lésbicas, mas isso evidentemente deve-se ao fato de que eles sabem como gostam que sejam feito neles. Portanto, se você é homem e uma lésbica quiser ser sua amiga, não estrague essa amizade em hipótese alguma, ela pode te ensinar o caminho das Índias, não só destas, mas também das negras, das orientais, das arianas, etc. O mesmo para você mulher, procure pôr em prática os conselhos daquele seu amigo gay, ele vai te ensinar muito mais do que você imagina.
enviada por O Ladrão de Palavras
19/03/2008 15:38
DESTRONADO
Por Claudio R.
É apenas isso, um caso de amor que me foi completamente atípico, aliás, a minha primeira relação verdadeira e digna de querer eterniza-la na área mais indelével do meu âmago. Por achar-te superior, quis torna-me grande, imperativo nas tuas vontades, solícito nos teus desejos, entretanto, foste apenas uma suposição da minha vã ingenuidade.
Fui púbere, não por respeitar-te como mulher, pois a instituição mulher merece mais do que eu na fraqueza da existência humana pude dar, mas, sim, por dar-te valor majestoso, quando apenas merecia tratamento plebeu ou tratamento algum.
Vejo que é assim que funciona, nas histórias infantis, das quais tu deves ter saído, merecias ser vilã, bruxa, madrasta... Equivocadamente te vi como a princesa que vive feliz para sempre com o príncipe encantado. Tolices! Fui tolo a acreditar que eu poderia usar as vestes de alteza real e que tu serias minha eternamente.
Não decidi de caso pensado abdicar dos prazeres carnais aos quais a minha liberdade adjudicava, devo te render créditos, pois isso foi uma conquista de tuas habilidades femininas. Neste quesito eu não posso negar que tu és maestrina, isso eu vou sentir saudades inefáveis. Só agora consigo montar o quebra cabeça. Tal qual Marx, entendo o quanto a tua qualidade sexual provinha de uma quantidade desmedida que eu jamais ousaria enumerar. Eu talvez leve a minha juventude inteira para ter em minha alcova metade dos homens que tu tivestes nos mais inimagináveis lugares.
De princesa a messalina, cá, de príncipe a... Eu poderia utilizar a alcunha de idiota, mas otário me cai melhor, haja vista que idiotas não mudam e não aprendem. Aprendi muito pouco contigo, perdi mais que ganhei e vou levar muito pouco pra casa. Contudo, aprendi a lição que o tempo ensina, aprendi a lição que as perdas trazem. Levas contigo o meu descontentamento e um desejo mórbido de vingança, todavia, não despenderei o meu precioso tempo com algo tão desmerecedor, a saber, tu.
Meus olhos e todos os outros sentidos são testemunhas cabais da ignominiosa atitude tomada por ti, é irrefutável a eu chamar-te de mulher de baixo meretrício a qual eu disfarçadamente paguei mais do que merecia. O tempo perdido contigo adicionado à morosidade das resoluções naturais trouxeram com eles a conta atrasada.
Brinquei bastante com a tua inteligência duvidosa e agora vi o quanto tu vais sair ganhando e eu perdendo. Se bem que quem ensina ganha mais do que quem é ensinado, assim, tenho um lucro absurdo de intelectualidade em detrimento da sua falta dela.
Resta-me agora refazer a vida, retomar a paz e esquecer a mulher de conduta reles que um dia ousei pensar em amar.
Claudio R. é o escritor dO Ladrão de Palavras.
enviada por O Ladrão de Palavras
01/03/2008 10:20
SOBRE O SARGENTO HONÓRIO: O Cara
Por Claudio R.
- Não sobe ninguém...
Esta frase foi dita pelo personagem de Wagner Moura em Tropa de Elite. O filme mais comentado dos últimos tempos, basicamente pelo personagem Cap. Nascimento, um homem tido como incomum, por sua impavidez e conduta ilibada. Ao assistir o filme, eu me lembrei de uma época da minha vida, o fim da adolescência e a hora em que os meninos foram separados dos homens. Foi no tempo do exército, serviço militar obrigatório, em que eu conheci o sgto. Honório, um homem que excedia os limites da macheza.
Naquela época, mais que hoje, eu era conhecido por uma frase: Se um homem pra ser homem precisa ter duas picas, eu tenho uma que vale por duas. Eu era um magricela, um molequinho tísico que tinha uma pancada canhota inigualável, treinava um boxe meia-boca, mas era dedicado em causar surpresa com a mão esquerda. Era briguento e mal humorado e não levava desaforo pra casa, aliás, eu não levava desaforo pra lugar algum. Todavia, eu não era o homem mais homem que os outros, este era outro...
Num quartel do exército eu era o cabo nº 07 e lá aprendi um monte de coisa, inclusive a levar desaforo pra casa, pro quarto, pra cela, pelo estômago, etc. O sgto. era um homem branco, alto, por volta de 1,80 m, honesto e uma desmesura de brutalidade. O cap. Nascimento pediria penico pra ele, ou melhor, pediria pra sair perto das coisas que ele fazia.
De tudo que mandava a gente fazer, ele dizia que fazia em dobro, entretanto, 59 homens não tinham coragem de pedi a prova concreta desta afirmativa, mas eu, volta e meia, cobrava isso dele. Envolto num medo raro espiava ele fazer dobrado e mandar eu fazer pelo menos a metade, caso contrário, 15 dias de detenção, nº 07.
- Nº 07, você costuma dizer que é mais homem que todo mundo e que tem uma pica que vale por duas, eu acho que o Sargento Honório tem quatro da sua...
Recordo-me do dia em que o nº 42 foi preso por uma briga durante uma festa de largo numa cidade vizinha. Tudo normal, até o Sgto. descobrir que um homem dele estava preso numa cadeia civil s |