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19/03/2008 15:38
DESTRONADO
Por Claudio R.
É apenas isso, um caso de amor que me foi completamente atípico, aliás, a minha primeira relação verdadeira e digna de querer eterniza-la na área mais indelével do meu âmago. Por achar-te superior, quis torna-me grande, imperativo nas tuas vontades, solícito nos teus desejos, entretanto, foste apenas uma suposição da minha vã ingenuidade.
Fui púbere, não por respeitar-te como mulher, pois a instituição mulher merece mais do que eu na fraqueza da existência humana pude dar, mas, sim, por dar-te valor majestoso, quando apenas merecia tratamento plebeu ou tratamento algum.
Vejo que é assim que funciona, nas histórias infantis, das quais tu deves ter saído, merecias ser vilã, bruxa, madrasta... Equivocadamente te vi como a princesa que vive feliz para sempre com o príncipe encantado. Tolices! Fui tolo a acreditar que eu poderia usar as vestes de alteza real e que tu serias minha eternamente.
Não decidi de caso pensado abdicar dos prazeres carnais aos quais a minha liberdade adjudicava, devo te render créditos, pois isso foi uma conquista de tuas habilidades femininas. Neste quesito eu não posso negar que tu és maestrina, isso eu vou sentir saudades inefáveis. Só agora consigo montar o quebra cabeça. Tal qual Marx, entendo o quanto a tua qualidade sexual provinha de uma quantidade desmedida que eu jamais ousaria enumerar. Eu talvez leve a minha juventude inteira para ter em minha alcova metade dos homens que tu tivestes nos mais inimagináveis lugares.
De princesa a messalina, cá, de príncipe a... Eu poderia utilizar a alcunha de idiota, mas otário me cai melhor, haja vista que idiotas não mudam e não aprendem. Aprendi muito pouco contigo, perdi mais que ganhei e vou levar muito pouco pra casa. Contudo, aprendi a lição que o tempo ensina, aprendi a lição que as perdas trazem. Levas contigo o meu descontentamento e um desejo mórbido de vingança, todavia, não despenderei o meu precioso tempo com algo tão desmerecedor, a saber, tu.
Meus olhos e todos os outros sentidos são testemunhas cabais da ignominiosa atitude tomada por ti, é irrefutável a eu chamar-te de mulher de baixo meretrício a qual eu disfarçadamente paguei mais do que merecia. O tempo perdido contigo adicionado à morosidade das resoluções naturais trouxeram com eles a conta atrasada.
Brinquei bastante com a tua inteligência duvidosa e agora vi o quanto tu vais sair ganhando e eu perdendo. Se bem que quem ensina ganha mais do que quem é ensinado, assim, tenho um lucro absurdo de intelectualidade em detrimento da sua falta dela.
Resta-me agora refazer a vida, retomar a paz e esquecer a mulher de conduta reles que um dia ousei pensar em amar.
Claudio R. é o escritor dO Ladrão de Palavras.
enviada por O Ladrão de Palavras
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