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01/03/2008 10:20
SOBRE O SARGENTO HONÓRIO: O Cara
Por Claudio R.
- Não sobe ninguém...
Esta frase foi dita pelo personagem de Wagner Moura em Tropa de Elite. O filme mais comentado dos últimos tempos, basicamente pelo personagem Cap. Nascimento, um homem tido como incomum, por sua impavidez e conduta ilibada. Ao assistir o filme, eu me lembrei de uma época da minha vida, o fim da adolescência e a hora em que os meninos foram separados dos homens. Foi no tempo do exército, serviço militar obrigatório, em que eu conheci o sgto. Honório, um homem que excedia os limites da macheza.
Naquela época, mais que hoje, eu era conhecido por uma frase: Se um homem pra ser homem precisa ter duas picas, eu tenho uma que vale por duas. Eu era um magricela, um molequinho tísico que tinha uma pancada canhota inigualável, treinava um boxe meia-boca, mas era dedicado em causar surpresa com a mão esquerda. Era briguento e mal humorado e não levava desaforo pra casa, aliás, eu não levava desaforo pra lugar algum. Todavia, eu não era o homem mais homem que os outros, este era outro...
Num quartel do exército eu era o cabo nº 07 e lá aprendi um monte de coisa, inclusive a levar desaforo pra casa, pro quarto, pra cela, pelo estômago, etc. O sgto. era um homem branco, alto, por volta de 1,80 m, honesto e uma desmesura de brutalidade. O cap. Nascimento pediria penico pra ele, ou melhor, pediria pra sair perto das coisas que ele fazia.
De tudo que mandava a gente fazer, ele dizia que fazia em dobro, entretanto, 59 homens não tinham coragem de pedi a prova concreta desta afirmativa, mas eu, volta e meia, cobrava isso dele. Envolto num medo raro espiava ele fazer dobrado e mandar eu fazer pelo menos a metade, caso contrário, 15 dias de detenção, nº 07.
- Nº 07, você costuma dizer que é mais homem que todo mundo e que tem uma pica que vale por duas, eu acho que o Sargento Honório tem quatro da sua...
Recordo-me do dia em que o nº 42 foi preso por uma briga durante uma festa de largo numa cidade vizinha. Tudo normal, até o Sgto. descobrir que um homem dele estava preso numa cadeia civil sem a sua autorização.
- Nº 07, monte uma guarnição, 08 homens, prepare o jeep, vamos buscar o nº 42!
- Senhor, precisamos ir armados?
- Até os dentes...
Peguei os homens mais afobados que ficavam sob o meu comando, fuzil, adaga de 12 e muita vontade de ver a cobra fumar. Saímos num alvoroço interno, nossos dedos coçavam, nossos punhos ardiam de vontade de bater, mas nós não sabíamos em quem nós teríamos que fazer isso.
Ao sairmos da cidade o sargento mostrou por que tinha quatro pênis. Havia uma blitz da polícia rodoviária, num jeep não cabem nove pessoas, e garotos de dezoito anos não possuem carteira de habilitação, portanto, estávamos completamente ilegais. Mas tínhamos o sargento sobre o nosso comando, assim, tínhamos a benção dos fenômenos da natureza
- Meu caro policial, estamos em tempo de guerra, caso queira obstruir será considerado inimigo, meus homens serão obrigados a agir como tal.
- Não há problema, senhor, podem passar, fiquem a vontade...
Eu ri muito com aquela situação, mas claro que tudo discretamente, o sargento odiava ver sorrisos e zombaria. Enfim, chegamos à cidade, fomos direto para a delegacia, eu disse pra mim mesmo: Isso não vai dá certo, vai dá merda e eu não sei quem vai limpar.
O sargento, do alto da sua brutalidade característica, entrou na delegacia, entrei com ele, um homem ficou no jeep, dois na porta, quatro entraram logo após e lá começou a maior confusão que eu já havia me metido. Eram dois policiais de plantão e um carcereiro, os coitados não tiveram tempo nem de se assustar, o sargento foi logo mandando abrir a cela e soltar o homem dele. Ao ouvir isso o policial sorriu, quase foi esmagado contra parede, o sargento o empurrou e eu apontei o fuzil para o outro, os meus homens entraram e miraram também.
- Abra a porra da cela, antes que eu comece a me irritar...
- Mas, mas...
- Sem mas, mas... Eu quero a porta aberta... nº 07 atira.
Levei um susto, mas só pra confirmar, eu perguntei: Em qual deles, senhor? Os policiais tremeram mediante a minha pergunta, mas o sargento logo tratou de elucidar...
- Na fechadura, idiota...
- Não precisa respondeu o carcereiro, com as chaves na mão eu tenho as chaves, já vou abrir.
A cela foi aberta, o nº 42 saiu, levado pela gente, mas cometeu um grave erro ao sair: Zombou dos policiais dizendo que eles eram uns manés, mas viu seu dia de rei virar dia de tristeza.
- Vamos homens, e você nº 42, 15 dias de detenção e mais outros 15 de serviço no quartel.
- Poxa sargento, aqui eu sairia na segunda, eu quero voltar pra lá...
Ninguém riu, afinal, o homem que havia contado piada não gostava de risos, aliás, ele não gostava de nada, nem dessa história que acabo de contar. E outra coisa, o nome Honório é apenas fictício, pois eu não teria coragem suficiente pra dizer o nome verdadeiro dele. Outra coisa, ele era o cara, e aí de quem ousasse fazer gracinhas com tom pejorativo com isso, pra falar a verdade, eu teria pena da Kelly Key se ela fosse mais acessível e cantasse aquela música chatinha dela.
enviada por O Ladrão de Palavras
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