O Ladrão de Palavras


03/04/2008 05:52

QUER PAGAR QUANTO?

Por Claudio R.

É meio loucura, mas é a única opção no momento, pelo menos é o que dá mais dinheiro em menor espaço de tempo. E esse telefone que não toca!! Bem que eu poderia receber uma ligação me chamando para fazer qualquer coisa e eu não precisasse fazer isso. A mega-sena me deixaria feliz da vida. Se ao menos eu jogasse... É! Vou seguir o meu caminho, também não lá nenhum infortúnio. Pior é quem não tem nem essa oportunidade de trabalho... Pior é quem não tem o que comer... (Sem trocadilho, sem duplo sentido). O que fazer? É só dançar... Que bobagem! Já dancei tanto nessa vida e não ganhei porra nenhuma, agora que não é mais de graça eu estou me queixando. Esse cara me olhando, olha só isso. Chega pra lá, meu irmão. Lá vai ter muito disso, embora o nome seja direcionando para mulheres, duvido que uma Scheila Carvalho apareça lá. A Scheila está um monstro de gorda, mas eu treparia com ela assim mesmo. Difícil achar com quem eu não treparia. Se alguma mulher lá me chamar pra trepar, eu vou avaliar bem a situação, o binômio custo x benefício faz-se necessário estudar. A noite é uma criança e eu já não sou mais uma, posso tomá-la em adoção. O lugar até que é bonitinho, devo salientar que ficar aqui não será uma tarefa tão árdua. Esse cara aqui deve ter um pau bem maior que o meu, olha só o tamanho do cara! Epa! Melhor eu parar de olhar para estes caras, eu sou facão, só corto de um lado e o lado que corto já é até cortado. Se já é cortado, pra quê serviria o facão? Ah, já sei pra cortar na horizontal... Como o daquela loira que está ali de conversa com os fortões. Quem será essa mulher? Linda de mais. Voz grossa da porra, que negócio estranho. Ai, ai, ai! Estes caras são todos mais fortes que eu, devem ganhar mais... Muda logo esse seu raciocínio senão vai começar um complexo de inferioridade que não combina com você. Eu sei o que tenho que fazer, sei dançar, sei tirar a roupa, só não havia recebido dinheiro na cueca. Que cueca de frutinha, meu pau não cabe aqui dentro, pior, minha bunda não cabe nesse fio. Fio dental fica até bonita naquela loira, quer dizer... Nunca vi uma boceta tão grande! Vamos lá, vamos lá. Eu queria aquela roupa de soldado, combina mais comigo, eu já fui soldado e fica bem melhor que essa roupa de couro com essa cueca enfiada na bunda. Agora eu sei o que sente uma mulher com uma calcinha enterrada. Dinheiro, dinheiro. Olha lá quanto aquele cara ganhou! Concentração total, eu não posso ficar nervoso, se não a coisa não flui corretamente. Luzes, câmera, ação. Minha vez... (Paran, paran, paran, paran, ran, ran, ran, paranranran). Só têm homens na platéia, espero que eles não resolvam pegar em mim, estou precisando de dinheiro, mas minha masculinidade não está à venda. Se bem que olhando para essa calcinha, digo, cueca enfiada no meu cu, não sei não. Não há a quem recorrer. Dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço, então, não deveriam me colocar para dividir o palco com o bombeiro. O cara é um armário e a mangueira dele é maior que a minha. Não preciso ficar assim, eu sou mais esperto, mais inteligente, meu corpo é muito mais definido, eu pego mais mulheres, eu sei tocar flauta. Ops! Não sei tocar nada, aqui não é lugar para enumerar meus dotes musicais, principalmente instrumentos fálicos, ainda mais com esse bando de gente me olhando. Bombeiro otário, olha só, está todo mundo me olhando. Aí, o “cowboy” é mais procurado e mais famoso. Shiiiii! Ai, ai. Ah, vocês querem o meu chapéu? Então toma! Emocionante esse negócio, estou começando a gostar. O problema é que eu não sei me vender. Mas eu me venderia para a loira de voz esquisita, quem será ela? Aliás, não precisa nem pagar, eu vou de graça e com a grana que vai sair daqui, posso até pagar. Bem que poderia ter mais mulheres aqui. Tudo por aqui parece, mas não é. Um clube de mulheres que só tem homens, mas os homens que são homens não são muito. Se tiver duas mulheres aí em baixo eu mudo meu nome, aliás, mudaram o meu nome. Pelo menos me deram um nome austero. Epa! Não passa a mão em mim, que negócio nojento, homem pegando em homem. Tira a mão daí. Hum! Quatrocentos. Humm! Pode por a mão. Hei, você aí também, não se faça de rogado, só cenzinho? Matei oitocentos e cinqüenta paus, digo, reais. E você pode ganhar mais cowboy... A loira! E o que eu teria que fazer? Nem me fale. Hei, cowboy, a loira é um loiro, Êla é namorado do dono da boate. Namorado? Não ligo, não sou ciumento. Ah, esquece esse papo careta, e daí que ela é um transex? Um virgula a mais numa mulher não vai fazer diferença, a não ser que seja na hora de me pagar, daí a coisa pode piorar. Epa! Maior que o meu! Olha só, ficamos entendidos que eu sou facão, às vezes posso ser espada e furar como espeto. Fica de quatro e faz de conta que você é uma picanha, mas amolece esse negócio que eu não gosto de lingüiça, principalmente toscana.

enviada por O Ladrão de Palavras






Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)





Sites Interessantes