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14/05/2008 15:07
APENAS UM NOME
Claudio R.
Estava eu numa boate conversando com a mulher mais bonita que eu já vira. Corpo malhado, boca carnuda, um peitão turbinado, bumbum redodinho e firme, olhar sensual e penetrante, enfim, a mulher que eu sempre sonhei ter em meus braços e consequentemente em minha cama, ou na dela, ou na de um motel de luxo. Trocamos olhares, até que cheguei perto e começamos a conversar. Por incrível que pareça, ela era tudo aquilo e ainda tinha uma boa conversa, um papo agradável e cheio de sacadas cômicas.
Ela parecia interessada e eu saí com essa:
- Já que terminaremos esta noite juntos, falta uma coisa... Qual o seu nome?
- Ah, deixa isso pra lá, terminaremos sim a noite juntos, mas esqueça que eu tenho um nome.
- Oxe, mulher, como eu passarei a noite contigo e não saberei o seu nome.
- E pra que irá servir o nome?
- Ah, sei lá, é que todo mundo tem um nome e você não pode ser diferente.
- Eu não sou diferente, mas meu nome é muito horrível, estragaria qualquer coisa mais lasciva que você viu em mim, então, melhor deixar pra lá.
A conversa continuava comigo insistindo e ela negando. Impossível que alguém tivesse um nome tão horrível a ponto de preferir não ser chamada por nome algum. Eu continuei perguntando até ela mandar a fatídica frase.
- Você quer realmente saber o meu nome, então, vou te dá a chance de tentar acertá-lo, imagine o nome mais feio que existe.
- Ah, é impossível que você se chame Josefina!
- Pois é, eu me chamo Josefina, ta vendo...
Se fosse na mega sena acumulada eu não acertaria com tanta facilidade. Puta que o pariu!, pensei. Não tinha jeito, antes de ela começar a justificar o porquê de não querer ser chamada pelo próprio nome eu emendei.
- Mas como, no meio de tanto nome horrível, eu fui falar logo um que me traz as mais maviosas recordações?
- Como assim? Perguntou ela
- Josephina é o nome da minha falecida avó, uma sábia velha que praticamente me criou, morei na casa dela até os meus 8 (oito) anos de idade. Gostava mais dela que da minha própria mãe. Ela não gostava do nome, mas quando eu a chamava ela gostava...
- Você está falando sério?
- Claro que sim, nunca falei tão sério. Eu não acho o nome feio, só falei por lembrar que a minha vozinha não gostava do dela e vivia as turras com todos, na verdade ela preferia que a chamassem de Isadora.
- Isadora?!!
- É apenas um nome, maluquice, sei lá. Acho que ela vivia tão complexada na infância que usava esse nome.
- Ah tá, você salvou a nossa noite com a sua história.
Realmente eu salvei a noite, nós fomos parar na casa dela e tudo isso quase se perde por apenas um nome. Ainda bem que lembrei da minha avó, que não se chamava nem Josephina, tampouco Isadora, seu nome era Eutrépida Maria.
Claudio R. é o escritor dO Ladrão de Palavras, e é mais que um nome.
enviada por O Ladrão de Palavras
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