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20/05/2008 16:06
EU SOU ASSIM, MAS TUDO PODE MUDAR
Por Claudio R.
Fui criança levada e me tornei um adulto idem. Quando criança tinha medo de envelhecer para continuar jogando bola, vivia o sonho de ser um Peter Pan, uma criança que nunca crescia, mas eu cresci, e como cresci (- já cheguei a pesar 92 kg de massa muscular). Nunca tive medo de escuro, mas hoje vejo que sou um escuro (negro) de meter medo.
Sempre me esmerei em ser exímio em tudo que fiz e faço, meu sonho infante era ser jogador de futebol, mas meus pais sempre acharam que eu era inteligente de mais pra lidar com coisas físicas. Ledo engano, eu jogava muito bem e o maior troféu que recebi por jogar bem foi há bem pouco tempo quando um amigo disse: Seu esporte era realmente o futebol, você jogava bem de mais pra ter parado. E eu parei muito cedo, a última vez que joguei futebol foi aos 18 anos, tentei uma volta aos 22, mas em vão, aí eu já estava noutra. Parti para o jiu-jitsu, a arte marcial da técnica suave. Encontrei-me ali. Lutar realmente faz parte do meu show de vida. Quando criança eu brigava muito, adolescente eu continuei brigando, já adulto eu resolvi canalizar a minha força e fui lutar: jiu-jitsu, judô, muhay tae e boxe. Destes, o jiu-jitsu me apetece mais, é mais bonito, mais técnico, mais eficiente e é o que concentra todos os instintos humanos num só lugar.
Nunca fui um cara solitário, mas sempre tive medo da solidão, não sei por que, talvez o meu egocentrismo de primogênito quisesse sempre mais e está só não me dava esse direito. As vezes eu prefiro ficar só, mas nunca muito tempo ao ponto de que esta solidão se solidifique numa tristeza.
Um homem de personalidade forte, um jeitão sorumbático e temperamento explosivo. É assim que a maioria das pessoas me vêem. No entanto, meus maiores amigos dizem que eu sou prestativo, justo, carinhoso (ops! Aí acho que só as amigas) e leal. Eu tenho grandes amigos. É muito bom dizer isso.
Eu sou insatisfeito com tudo, mas principalmente nas relações humanas mais prazerosas, entre elas o sexo. Tenho um comportamento de viciado (como diz minha amiga Nilda), não sinto prazer em outras coisas se eu não estiver comendo alguém. Acredito que não há nada mais bem articulado na natureza que o sexo e todas as suas nuances. Dizem que esta é mais uma coisa que me tornei exímio. Talvez pela quantidade desmedida de parceiras ou pela assaz qualidade que estas tinham. Nem sei o quanto o meu vício está no sexo, muitas vezes penso que meu vício está em emoções fortes e sentimentos nobres e fúnebres como a paixão.
A paixão anda comigo e está para mim como magma está para os vulcões. Não sou eu mesmo quando estou abstinente.
Gosto de animais, talvez até mais que de gente, mas ainda acredito na ingenuidade e inocência das pessoas. Um dia as pessoas serão educadas, sinceras, honestas e bondosas. Não haverá falsidade e nem conchavos. Não sei se, tal qual o meu xará Martin Luther King, eu não verei este dia, mas ele acontecerá.
Minha mãe pode não ter me dado a educação cheia de etiquetas que vemos por aí, mas ela me deu a educação perfeita para que o mundo fosse melhor. Eu não consigo achar uma carteira com dinheiro e tentar me aproveitar daquela situação; Não consigo matar passarinho sem sentir remorso; E não consigo achar bonito roubar seja em qualquer situação. Mas também, claro, não sou bonzinho, tenho um senso de justiça que às vezes confunde-se com frieza e desumanidade. Também, erro. Erro bastante e como diria Leminski, até que o erro saiba que só o erro tem vez.
Ainda, erro no seu sentido mais nobre, gosto de viajar, desbravar, conhecer gente e lugares.
Antes eu tinha medo da morte, mas convivia bem com isso, hoje eu não tenho medo, mas receio morrer sem aproveitar o prazer de ver o meu filho crescer. Entretanto, isso não me impede de me arriscar a viver. Gosto de aventuras, gosto de me embrenhar nos perigos da vida e viver intensamente, tudo isso por medo de que o amanhã seja apenas o dia do meu enterro.
Eu amei, mas as pessoas que me amaram têm mais motivos pra me odiar que o contrário. Por amar, entendo a idéia de querer o outro bem sob qualquer circunstância, portanto, o meu amor converge com isso. Sou egoísta, assim como o amor que não permite nada além dele. Quero o meu bem querer acima de tudo, e é assim que consigo dar o melhor de mim para as pessoas que amo. Mas esse tipo de amor só funciona nos livros de filosofia.
Eu escrevo, gosto de escrever e gosto do que escrevo, sou um escritor que não ganha dinheiro com isso. Assim como, também, sou um ciclista, lutador e amante profissional que não é remunerado financeiramente.
Eu leio muito e gosto muito de ler. Ler me torna diferente das pessoas que me cercam, sou incomum e me orgulho disso. Não leio qualquer coisa, não vejo graça em ler bula de remédio e não leio livros de auto-ajuda, talvez por isso eu não leia nem manuais de equipamentos eletrônicos. Sempre achei que manuais, seja ele um livro de auto-ajuda ou qualquer outro, só serviam para pessoas deprimidas e dependentes, não me encaixo em nenhum dos dois.
Por falar em se encaixar, eu me encaixei muito e num destes encaixes, eu fiz um filho, o qual eu vejo a felicidade na sua existência em minha vida. Espero que ele seja um grande homem e que no mínimo queira ser lutador, mas espero mesmo que ele seja assaz feliz.
Meu filho é um presente maravilhoso, embora eu não seja adepto da prática de receber presentes, esse é um presente inefável e jamais devolverei. Assim como o meu primeiro violão e roupas pretas são presentes que recebi e fiquei feliz em desmesura.
Claudio R. é o escritor de O Ladrão de Palavras
enviada por O Ladrão de Palavras
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