O Ladrão de Palavras


03/07/2008 14:34

O MISTÉRIO DO QUASE MORTE

Por Claudio R.

O que os médicos chamam de experiência de quase morte é quando um paciente entra num estado tão profundo que se assemelha com a própria morte, necessitando ser ressuscitado para que não morram verdadeiramente. Eu já tive várias experiências de quase morte que nem de longe se parece com a versão da medicina.

As minhas experiências têm dois fatos que devem ser ressaltados por tamanha estranheza. Um deles é a quantidade de acontecimentos, o que é facilmente atribuído à minha maneira de encarar a vida. Sendo um aventureiro, uma pessoa que gosta de curtir a vida “adoidado” e sugar adrenalina até das unhas do pé, assim, estes acidentes de percursos já são peculiares.

Entretanto, o que é mais estranho, e ainda bem que é assim, é o fato destas experiências serem espetaculares, dignas de filmes de ação (só que sem um dublê preparado para tal), e ainda assim eu sempre saio ileso (ou quase).

Já virei um carro na cabeceira de uma ponte, saí dele pra recolocá-lo na posição normal e segui o meu caminho, deixando as pessoas que testemunharam o feito completamente abismadas. Já caí de moto por 03 vezes, uma delas a moto sobrevoou a minha cabeça, caindo do meu lado e me deixando apenas com uma pequena fissura no osso pé direito; numa outra vez eu estava com um amigo passeando por uma região litorânea quando bati num buraco quebrando as rodas de liga leve, e fomos arremessados a mais de 6 metros de distância. Neste dia, estávamos a pouco mais de 110 km/h, e meu amigo sofreu uma lesão que rompeu o ligamento do joelho. Eu tive que arrastar a moto para pista, a qual estava completamente destruída e ajudar meu amigo a ficar num local onde fosse melhor o acesso de ajuda. E eu não tive absolutamente nada, completamente ileso.

Meu amigo olhava pra mim atônito sem saber como eu não tinha nenhum arranhão, um machucado sequer, nem dores, nada. “Me diz uma coisa, você é feito de quê mesmo?” – perguntou ele. E eu brinquei: “O sol deste planeta faz com que a matéria do meu corpo se assemelhe ao aço”.

A experiência mais recente, e espero que seja a última, foi na terça feira passada dia 01/07/2008, a 18 dias de completar 32 anos eu quase fui pras cucúias, para a terra de pés juntos. Estava treinando com minha bike, numa velocidade de pouco mais de 50 km/h, ultrapassando um taxi, quando o mesmo não sinalizou que iria fazer uma conversão e me suspendeu a 1,50 de altura, me arremessando à pouco mais de 3 m de distância. O capacete foi parar uns 10 m de mim, a bicicleta um pouco mais afastada e eu, para variar, ileso.

Minha camiseta de ciclismo ficou completamente destruída, mas a matéria que estava dentro dela nem arranhão sofreu. A bicicleta, quando olhei pra ela, eu quase chorei, tamanha a destruição. Levantei, sacudi a poeira e continua a vida.

Porém a coisa mais engraçada disso tudo quem protagonizou foi um amigo que me confunde invariavelmente, o qual me chama de Hulk, quando deveria ser outro super herói. Ele disse: “Hulk, imagino o estrago que você fez no taxi e no asfalto!” . Eu o repreendi sarcasticamente dizendo que eu poderia ter morrido e ele não saberia. Foi aí que ele desvendou o mistério do quase morte: “Você só morre se for jogado de um helicóptero”.

Claudio R. é o escritor de O Ladrão de Palavras e acredita que é um gato europeu, tem 9 vidas.
enviada por O Ladrão de Palavras






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