O Ladrão de Palavras


01/07/2008 09:56

SEXO DEPOIS DO CASAMENTO

Por Claudio R.

Outro dia eu ouvi uns amigos conversando e um deles saiu com a seguinte frase: “A mulher da gente, a gente come quando der certo e olhe lá”. O meu amigo queria dizer que não precisa fazer sexo com a mulher dele com a mesma “obrigação” que lhe impulsiona a comer qualquer outra mulher. (Isso levou-me a crescer os olhos para a mulher deste amigo, provavelmente a pobrezinha estaria necessitada de um pouco de lascívia pra acalmar os instintos). Partindo do princípio do meu amigo, não há necessidade alguma de fazer sexo com a esposa, pois o casamento não foi feito pra isso.

Sempre achei que o casamento era aquele estado da vida em que você deixava de comer várias mulheres de vez em quando pra ficar comendo uma só de vez em sempre. Todavia, eu estava com um ledo engano a pairar na minha cabeça. A lógica que me fazia crer nisso vinha de que entre um homem e uma mulher que vivem juntos e estão disponíveis por mais tempo que um casal de namorados, estes deveriam fazer mais sexo que aqueles. Entretanto, na prática não se pratica.

O que determina essa falta de freqüência, no meu entender, é a falta de sincronia na maneira de administrar o instinto. Homens e mulheres são diferentes e foram criados para serem diferentes, homens são racionais, mas costumam ser títeres do instinto e com isso seus impulsos sexuais, alvoroçados no período da paixão, entram em calmaria durante o casamento, pois o objetivo, em tese, do instinto da procriação está praticamente garantido com o encontro da parceira com disponibilidade “permanente”. Já as mulheres são mais emocionais e o dia-a-dia e seus percalços não criam a atmosfera perfeita para o desenrolar de uma noite tórrida de amor. Assim, o sexo fica preterido, dando lugar a uma pérfida noite de sono, um de bunda para o outro.

Já ouvi bastante a célebre frase conselheira em que diziam para um casal pré-nubente aproveitar bastante antes de casar. Aquilo era uma agulha no meu testículo esquerdo, pois eu não conseguia admitir a falta de aproveitamento dentro do casamento. Ora, se o casamento é o enlace matrimonial mavioso, o cumprimento das leis naturais, o encaixe perfeito entre os pares, resumindo, uma coisa boa de viver, não havia motivo algum para deixar de “aproveitar”. Depois de tanto conversar com pessoas casadas e não raro participar de camas matrimoniais, descobri que o “aproveitar” significava fazer sexo, pois não se faria depois do “sim”.

Muitos dizem que a convivência assassina o sexo aos poucos, mas eu não posso admitir isso, ao menos não sou assim. O instinto que me impulsiona a fazer sexo com uma mulher é ativo constantemente, olhar para uma mulher transmite um sinal a massa encefálica que reenvia à massa fálica, a qual intumesce e faz acatar qualquer desejo. E isso não é só quando é uma novidade, costumo dizer que a saudade me move muito mais que a curiosidade. Portanto, aquela mulher com quem fiz sexo ontem, anteontem, semana passada, vai me trazer muito mais desejo hoje.

Costumam dizer que sou à exceção da regra, que sou anormal e que ninguém gosta de fazer sexo todo dia. Penso que o sexo deve ser como uma refeição, e desta forma deve ser consumido todos os dias, caso contrário não haverá bom funcionamento dos corpos. E mesmo que seja feijão e arroz, é bom e mata a fome, mas é claro que não se deve esquecer os banquetes domingueiros.

Uma amiga me disse outro dia que eu não aprendi a lição que insiste em dizer que o casamento não é o melhor lugar pra fazer sexo. Ela racionaliza na questão, tem experiência no assunto e trata com sarcasmo dizendo que “é impossível sentir tesão por marido”. E corroborando com ela, eu já ouvi um homem dizer que tinha preguiça de transar com a mulher.

Conheci muitas mulheres que fazem mais sexo que seus maridos (equação difícil de explicar aos olhos com pudores – mas é mais ou menos assim, se você não estiver comendo sua mulher, alguém deve está) e por incrível que pareça, conheci poucos homens que fazem o contrário. Atualmente, os casais encontram a solução para que haja sexo dentro do casamento em cada um arrumando outro parceiro e ficando tudo bem. Isso hoje em dia é mais comum que se poderia imaginar a alguns anos atrás. Para manter a freqüência sexual, muitos estão partindo para o casamento aberto, onde sempre cabe mais, ou mais dois, sabe se lá.

Hoje, entendo que a maior asneira quando se trata de relacionamento é transformar a sua amante, aquela sua namorada que você não “sai de cima”, a mulher que você deseja sexualmente, que quer transar todos os dias, em sua esposa, aquela mulher que vai te ajudar a gerenciar uma casa, uma família, vai ser sua companheira na velhice, e que não vai ter disponibilidade e tampouco disposição para ser sua fêmea no cio. Ou seja, o sonho do casamento pode se tornar um pesadelo. Mas se mesmo assim você não estiver convencido disso e não quiser se manter apenas namorando, o que já é muito, aproveite bastante, pois sexo depois do casamento, talvez só exista na lua de mel.

Claudio R. é o escritor de O Ladrão de Palavras.

enviada por O Ladrão de Palavras






Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)





Sites Interessantes