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18/09/2008 15:31
SEM AMOR NÃO DÁ, MAS TEM GENTE QUE DÁ
Por Claudio R.
Outro dia vi duas mulheres conversando numa loja, a atendente, a qual estava prestes a se casar, estava enumerando as coisas que pretendia fazer após o casamento e as felicidades que adquiriria por conta disso. Eu me mantive atento ao assunto, mas sem deixar perceberem que eu sabia do que estavam falando. Elas continuavam declamando uma ode ao casamento e nas vantagens que tinham por terem encontrado a pessoa certa pra passarem o resto de suas vidas.
Tudo aquilo era muito bonito de se ouvir, mas faltava nelas a parte prática, a parte que separa a fantasia da realidade e que muitas vezes é dura e crua, principalmene por as pessoas não cogitarem a hipótese da existência desta.
Uma das meninas citou o amor como a fonte de tudo e a sustentabilidade do relacionamento, e me questionou sobre isso.
- Desculpe-me, garotas, mas a minha opinião fere os sonhos de vocês...
Elas insistiram para que eu expusesse a minha opinião sobre o ápice dos relacionamentos e eu, enfim, comecei a dissertar sobre as vantagens e desvantagens de levar em consideração a parte prática de um relacionamento.
Só com muita insistência para me fazer dizer a alguém que está apaixonada e louca pra casar que o amor é uma parte ínfima na manutenção de um relacionamento, seja ele um casamento ou um namoro. Aí vai...
O amor é muito pouco, isso sendo otimista, pois ele pode até ser deixado de lado se o objetivo é ter um relacionamento feliz e duradouro. O amor acaba, e na maioria das vezes o amor acabado vira ódio, principalmente se ele não vier acompanhado do que é realmente requisito básico para uma relação de longas datas.
Seu par precisa ter inteligência, não estou falando de ser um Einstein e sim de saber lidar com as situações e intempéries que se passa com as mudanças. E olha que isso é uma verdade absoluta: você vai mudar e ele também. Isso por que só os muitos sábios ou os idiotas não mudam, sendo assim, se ele for muito sábio não precisa de ninguém pra se completar, portanto, não se casaria e se ele for um idiota você é quem não precisaria dele pra se completar.
É também preciso ser tolerante, mas não um ser anulado. Ser tolerante compreende aceitar o que é impossível mudar no outro e em si mesmo. Já se anular é querer se tornar igual ao outro ou fazer sempre o que o outro quer e acha bonito. Se anulando, vocês terão uma vida chata em menos de seis meses e o fim ficaria mais próximo para vocês. Todavia, é a tolerância que vai fazer você aceitar o mais ou menos da vida. Acredite, a vida é feita de três porções mais ou menos para uma porção de maravilha, no casamento essa proporção beira a 100% de mais ou menos.
Você já procurou ver o que admira nele? Não estou falando da admiração ilusória que a paixão traz consigo, estou falando do tipo de admiração que faria você ser amiga dele noutra circunstância. Há algo nele que cause admiração de verdade? Se a resposta for não, por favor, não case. Admirar o outro é tão raro que as pessoas nem sabem exatamente o que é ser admirado, entretanto, isso é bem fácil quando acontece o contrário. Você irá perceber que não admira quando descobrir que aquele bosta nem tem pontaria pra mijar dentro do vaso. A admiração vai fazer você conversar mais com ele e os diálogos são benéficos o suficiente para impedir que uma briga comece.
Ser parecido é mais vantajoso que ser oposto. Não é difícil imaginar o quanto é trágico uma pessoa que se comporta exatamente diferente com o que você é na sua essência, os opostos, como diz a lei da física, realmente se atraem, mas como diz o poeta Aniteli, os opostos apenas se distraem. Acredite nisso, pessoas opostas apenas ficam, é bom conhecer alguém com uma cultura diferente, com um tipo de vestimenta diferente, com uma condição social diferente, isso agrega conhecimento às nossas vidas, mas a situação complica quando tentamos conviver com essas diferenças, é preciso ser um ás da psicologia para conviver com alguém altamente diferente. Por isso é que a pessoa tem que ser o mais parecida possível de você, não é preciso ser um gênio pra saber que é bem fácil lidar com o que você já conhece.
O quanto o sexo representa pra você? E o quanto representa pra ele? Esse é um assunto complicado, principalmente pra mim que sou um entusiasta da luxúria e suspeito pra tratar. Se o seu parceiro não tiver uma compatibilidade sexual contigo, isso vai ser motivo de muitas brigas. No início você não vai notar qual é a disparidade entre vocês no quesito libido, pois a novidade é um potencializador de tesão, o problema é o passar dos tempos, quando a rotina interferir na vida de vocês e ele continuar desejando transar todos os dias, e vice-versa. Transar com o mesmo homem pelo resto dos seus dias pode ser o seu sonho hoje, quando ainda não descobriu as imperfeições deste homem e nem passou pelos percalços de um cotidiano. Caso eu me use como exemplo, seria muito difícil encontrar a compatibilidade, pois eu tenho tesão da hora que acordo a hora que vou dormir, e muitas vezes dormindo, portanto, eu quero transar todos os dias, achar alguém assim é mais complicado que os 12 trabalhos de Hércules. O dia-a-dia traz oscilações de humor, hormônios, tesão, paixão e ódio, então, se houver compatibilidade será bem mais fácil superar estas alterações.
Por fim, deixe realmente o amor de fora na hora de dizer o sim, ele não impede de que estes outros fatores venham à tona. O amor é bonito, é lindo, como diz aquele compositor baiano, mas é só isso. Gerenciar uma casa, cuidar do lar, montar uma família, ser aguerrido, ser forte, está de prontidão, ter senso de liderança, acatar as ordens quando necessário, desobedecê-las quando preciso, ter tesão por você, gostar de comer você, gostar de conversar com você, de comer com você, de assistir TV com você, de ir ao cinema, de ler com você e pra você, de perguntar de você e contar dele, isso tudo é muito mais importante que o amor.
Claudio R. é o escritor de O Ladrão de Palavras, e ele acredita no amor, gosta de amar, ama e é amado, mas casamento é um instuição que precisa de muito mais que algo abstrato.
enviada por O Ladrão de Palavras
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