O Ladrão de Palavras


22/10/2008 12:33

PAIXÃO INTRANSIGENTE

Por Claudio R.

Já faz algum tempo que eu me esqueci de você, sério, não penso mais em você, não te tenho como uma possível noitada de sexo, uma suposta possibilidade de paixão refratária. Há muito tempo eu não lembro que passei mais de 02 anos pensando no dia que teria você na minha cama – ou eu na sua, tanto faria – eu não lembro nada daquele tempo, é como se eu fosse acometido de uma amnésia sentimental, aliás, não seria sentimental porque eu tive uma forte atração física que me fez apaixonar por alguns dias – tá bom, foram meses, ok, foram anos -. Já esqueci de que todos ali queriam ter tido o que um dia eu tive contigo e que por isso eu vi meu ego inflado de orgulho.

Recordar de você já faz parte do esquecimento, não me lembro de forma alguma que um dia nós ficamos perdidos na mata e eu quis te possuir ali mesmo, mas você nem me olhava com a lascívia que eu queria, o que inviabilizava qualquer aproximação da minha parte, mas eu tentei. Foram tantos dias preso ali. E eu confesso que tirei a camisa propositadamente para que você apreciasse o meu corpo, realmente não foi nada de incômodo com a lama que me sujara. Nas noites em que a temperatura baixava... - Eu li que se a gente se encostar um no outro, é como um processo simbiótico, os corpos se aquecem -, não era para acalentar o seu frio que eu lhe abraçava, tampouco o meu, eu estava me aproveitando da situação para sentir o calor do seu corpo e aumentar o desejo que eu tinha por você.

Contudo, hoje já não lembro nada disso, não lembro que viajei naquele dia de caso pensado pra te ver, e nem lembro que você armou para que eu dormisse na sua casa. Eu estava com tanto tesão que não cogitaria a hipótese de não lhe ter naquele dia. O seu corpo tremia faceira quando me olhava, você me olhava baixo, não me olhou nos olhos em nenhum momento daquela noite. O que era estranho, em todas as posições que ficou, nenhuma você me olhava nos olhos. As marcas que deixou em todas as partes do meu corpo sumiram, por isso eu não lembro que foi a primeira mulher que mordeu e eu gostei, foi a primeira que me fez gostar de dormir junto, embora não tivéssemos dormido daquela vez. Infelizmente eu não consigo me lembrar daquela noite, mesmo tendo sido a primeira vez que tive 03 orgasmos ininterruptos e 06 num só dia. Não consigo me lembrar da sua língua trêmula a passear pelo meu corpo e do jeito ávido que você usava ela ao me chupar.

E por assim ser, não há resquícios de imagens dos dias que antecederam o segundo encontro. Eu não lembro que me apaixonei por aquela noite, me apaixonei pela situação, me apaixonei pela idéia de você ser casada com alguém que eu conhecia e por você ter verdadeiramente sido sustida pelo homem que eu fui naquele dia. A paixão pairou por vários dias, foi ela quem me fez dormir dentro do carro, na rua, por não encontrar vagas nos hotéis da cidade, depois de você ter desligado o telefone quando eu lhe liguei. Eu sabia que você estava acompanhada e eu gostei quando você mentiu dizendo que havia perdido o celular numa viagem que havia feito – mentiras sinceras me interessam. Foram vários dias para que acontecesse de novo, e desta segunda vez dormimos juntos e eu queria transar contigo pela manhã, mas você estava esvaída de cansaço da noite anterior e ainda tinha que trabalhar. Acordou só de calcinha preta que eu nem vira de tão ávido que estava de te ver pelada, você levantou da cama para ir ao banheiro e puxou ela de dentro de um jeito que eu quase não lhe deixo ir trabalhar. Eu não me lembro de você dizendo que nunca tinha gozado tantas vezes com um único homem.

Ainda, eu não me lembro de você, não lembro aquela paixão e de que nunca mais vou ver você novamente. Não lembro que você foi muito boa naquilo que eu chamei de sexo metafísico. E não lembro nada de nada.

J'ai oublié de tout
enviada por O Ladrão de Palavras






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