O Ladrão de Palavras


08/06/2009 22:19

A PARTE IRRESISTÍVEL.

Por Claudio R.

Não é por maldade absoluta e tampouco por um ensejo sujo de um mal querer, ela fazia aquilo por não saber. A ignorância emocional a cercava e ele vivia um desconsolo que merecia a compaixão dos céus, mas não queria se desvencilhar dela e do relacionamento que os atavam.

O que parecia um desprezo deliberado, nada mais era que alguém que tomava atitudes incorretas acreditando ser o contrário. Por não conhecer as leis que regem os laços afetuosos e sexuais entre dois seres, ela impedia a felicidade de ambos. Todavia, os livros jurídicos que ele detinha em sua estante e expunha explicações para tudo, exceto para o desvelo que ele sentia falta.

Ele cria que a ignorância ou má interpretação da lei não justifica a falta do seu cumprimento nem isenta as pessoas das sanções nelas estabelecidas, por conta disso, ela não estava ilibada da revolta e da vingança idiota que ele cumpria silenciosamente, sem sucesso, diga-se de passagem. Estava lá naqueles livros que ele utilizava para fazer valer a lei como forma de sustento. Ele não soltava bandidos, como diziam, ele fazia o esclarecimento e queria isso naquele amor que vivia a anos.

Tão perdido e tão irresistível. Não conseguia explicar como algo que, teoricamente, não merecia lutar pudesse ser tão magnético, como se não pudesse escapar da batalha e tivesse que continuar com as vestes militares, o capacete e o seu fuzil lutando por aquele amor, embora emudecido.

Assim, ele apenas enxergava a culpa da maneira dela amá-lo. Sim! Ele acreditava no amor dela e talvez fosse isso que o segurasse lutando... Ele a via errando quando chegava carente de carinho, atenção, feito um guerreiro espartano que tinha a retribuição de suas mulheres banhadas, perfumadas e adornadas com o que tinha de melhor. Ele a via errando quando ela não sucumbia veementemente os anseios eróticos dele. O seu erro também era evidente na mínima falta de desvelo pelo homem que ele se entendia ser.

A vontade dele era o primordial naqueles momentos de carência, a urgência lhe tomava pelas mãos e ele precisava fugir daquela prisão sem paredes que um relacionamento tépido se assemelha. Ele queria um romance, como nos contos onde não havia a monotonia e nem os afazeres da lida cotidiana.

Ainda faltava-lhes muita coisa para que isso acontecesse... Ele acreditava que o amor poderia, sim, sobrepor o tempo passando e todas as suas conseqüências. Ela acreditava em tudo, menos nisso. Ambos não imaginavam que o amor é sinônimo de sua rima mais pobre, a saber, a dor. E por mais que tentassem, sempre haveria sofrimento rondando os dois, pois o amor é uma causa perdida e o sofrimento lhe é irresistível, entretanto, é válido persistir.

Claudio R. é o escritor de O Ladrão de Palavras.

enviada por O Ladrão de Palavras






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