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17/06/2009 10:03
A ARTE QUE SUSTENTA MINHA INSPIRAÇÃO
Por Claudio R.
No mundo de hoje, estamos vivendo sob a sombra tenebrosa da falta de arte nas atividades em que ela deveria ser o precípuo. Reality shows são vistos como fonte de entretenimento viável. Livros de auto-ajuda são mais lidos que grandes obras e a maior expressão artística cultural do nosso país difundida pelo mundo é a novela. Com isso, as pessoas não estão acostumadas com o entretenimento inteligente e com a apreciação da obra de arte verdadeira em suas vidas.
Num livro de Bukowsky há um diálogo entre o personagem narrador e seu amigo, onde o autor, utilizando-se do seu eu lírico, diz que um escritor tem que fugir da realidade para ser essencialmente bom. Todavia, não é o que estamos encontrando nos dias atuais, pelo menos não é o que o leitor está querendo.
Recentemente fui abordado sobre a temática dos personagens narradores dos meus escritos, o leitor em questão estava buscando resquícios e/ou traços autobiográficos. Há uma grande confusão entre o eu lírico e o eu autor. Não há separação entre o que é a opinião do autor e o que é do personagem narrador em primeira pessoa. Estas intempéries literárias são causadas por essa influência de qualidade duvidosa (no mínimo) do que é lido.
A Europa sempre foi mais artística que a América, somos filhos do refugo da colonização. Os cultos e intelectuais não legaram nada para os que nos antecederam e por isso somos o que somos. Assim, estamos preferindo a auto-ajuda em detrimento dos clássicos; por isso que um filme com uma expressão artística forte não se torna campeão de bilheteria; e no fim a obra de arte é esquecida.
Há muito tempo eu escrevo contos, crônicas e ensaios, mas prefiro os primeiros, por ser a minha expressão artística mais formidável. É ali que exponho a minha força artística de um mundo que não existe ou até existe, ali é a arte falando através das minhas mãos, mesmo eu não sendo o seu melhor intérprete.
Eu assisto novela, este é um dos meus maiores defeitos aqui é o eu autor quem está falando, o eu lírico não diria isso nem sob tortura atualmente vejo raramente uma novela onde um macaco pinta melhor que um homem. Nestes instantes, um amigo diz que não vê nada de mais nas telas do macaco, e eu tento mostrá-lo a expressão artística contida nas misturas de cores, o sentimento colorido, a agressividade, o formidável, etc, porém isso só deveria ser visto se ele fosse racional ele, leia-se, o meu amigo, não o macaco.
Jamais confundam um personagem narrador com o seu autor e criador, pois podem deixar de enxergar a arte implícita ali. Há muito mais entre a curiosidade sobre a vida do autor e o mistério do que o autor quer expressar usando o eu lírico. O que inspira nem sempre é uma verdade existente e, também, a verdade existente invariavelmente está subentendida, nunca explícita.
Claudio R. é o escritor de O Ladrão de Palavras e é só aqui nessa linha que ele não está sendo escritor.
enviada por O Ladrão de Palavras
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