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03/07/2009 09:23
TUDO O QUE É NECESSÁRIO
Por Claudio R.
Hernandes estava perdido, perdidamente apaixonado pelo violão que Natália carregava junto de sua bagagem de mão. E ele olhava fixamente para a direção dela. Passava na sua cabeça a ideia de que sempre fora apaixonado por instrumentos musicais, principalmente os de corda.
De tanto olha-la, Natália notou que estava sendo observada e lhe desferiu um olhar tímido, mas para a dissimulação de Capitu que a timidez verdadeira.
Notadamente, Hernandes estava sentindo-se tentado a ir encontrá-la, falar com ela, entretanto não lhe vinha à cabeça nenhuma maneira de fazê-lo. Pensou em tropeçar perto dela, inventar frases feitas, etc. Nada era exatamente eficiente para o que ele planejara com aquela mulher.
Uma mulher que toca violão é muito mais interessante que uma que pinta quadros. Foi a única coisa que lhe veio a cabeça quando chegou perto dela. Todavia, a analogia que fizera não possuía nexo algum e ele tratou de emendar a frase Falo isso porque a música e uma pintura são obras de artes femininas.
Ninguém sabia do que Hernandes estava falando. Ele se perdeu no que queria dizer, mas, de alguma forma, aquilo soava filosófico e romântico aos ouvidos de Natália. E ela aparentava uma ouvinte submissa que não queria interferi nas palavras proferidas por ele...
O que se espera de uma mulher como essa é que faça algo tão delicadamente feminino quanto transparece seu olhar Pronto! Ele conseguira toda sua atenção e aquele monólogo esquisito agora se tornava um diálogo.
E é bem mais fácil pensar nela carregando simples pincéis do que um pesado instrumento nas costas, mas eu não acho que seja mais interessante tocar violão que pintar quadros.
Há mais enigmas em você que numa pintora, queria te ouvir tocando, disse ele onde será sua apresentação.
Não haverá apresentação, sou uma entusiasta da música, apenas gosto de tocar, nada de profissional falou Natália com humildade.
Depois de tanto conversarem, de Hernandes expor que mulheres que tocam instrumentos se escondem atrás dele e tinham mãos com exímia destreza em tudo o que punham elas e do senso de liberdade que estavam condenadas, pela própria auto-avaliação e pelos elogios de outrem, eles se apresentaram e Natália perguntou:
Por que você usou uma pintora para comparar com o violão? São coisas completamente diferentes... ele respondeu:
Há uma reclusão em vocês duas, um ocultismo, um jeito depressivo de agir enquanto atuam...
Eles continuaram conversando, num papo amistoso e muito contemplativo. Uma conversa de verdadeiros intelectuais. Estavam se curtindo, haviam passado para o nível dois de um encontro, quando um enumera as qualidades que enxerga no outro e a se tocarem despercebidamente. Assim surgiu o primeiro beijo, sem que notassem o sentido que estavam indo.
Bem, estamos num ponto onde eu tenho que te fazer um convite... disse Hernandes e foi interrompido por ela.
Como assim, convite?! perguntou ela admirada.
Aliás, não seria um convite, seria um convite com três opções... Para onde você iria comigo agora se eu te convidasse, para um shopping center, numa livraria ou para um motel?
Os dois riram bastante e ela respondeu:
Vamos aos três...
Em que ordem? perguntou Hernandes rindo e os dois caíram na gargalhada.
Natália ria com Hernandes e se deliciava com tudo aquilo, na livraria compraram livros, muitos deles, mesmo achando que não teriam tempo para lerem. No shopping center tomaram sorvete de brigadeiro com ovomaltine e no motel...
Natália, devo explicitar umas coisas antes de fazermos.
Anh?! Uma Natália espantada.
Eu gostaria de dizer que só curto sexo com seres humanos adultos, do gênero oposto ao meu, apenas uma por vez e de preferência não seja virgem. Nada de coisas ilegais, que causem prejuízo financeiro ou que prejudiquem a saúde. Portanto, este é o momento de você me dizer coisas essenciais, tais como: Você é maior de idade; Não é travesti; Não usa drogas; Não tem fetiches extremos como usar vela quente ou transar sem camisinha; e por fim, não é puta.
Meu caro Hernandes, é muito bom, realmente, querer saber estas coisas... - Natália falava seriamente e olhando ele nos olhos Sou adulta, tenho 23 anos, embora pareça menos, não tenho um pênis no meio das minhas pernas, não curto ménage a trois e não sou virgem a 5 anos. Também não curto coisas ilegais e nem que prejudiquem a saúde. No entanto, com filhos da puta como você eu não costumo transar, nem pagando.
Nem tudo que é necessário precisa ser dito, cogitado, explanado, explicitado, colocado em ênfase, salientado ou qualquer coisa que signifique manter a língua dentro da boca até comer a mulher.
Claudio R. é o escritor de O Ladrão de Palavras
enviada por O Ladrão de Palavras
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