O Ladrão de Palavras


14/07/2009 13:54

UMA PAIXÃO TEIMOSA

Por Claudio R.

Enquanto eu não existia pra você e que você caçoou do meu querer, eu implorei para que lembrasse dos meus sentimentos. Logo eu que pouca coisa implorava, não fazia parte do meu senso de déspota pedi algo, eu sempre exigi e contigo fui diferente. Eu sentia como se fosse um castelo desmoronado por tua tempestade. Você destituiu o meu trono de soberba e o meu ser insano, deixando perdido e sem alicerces.

No tempo em que nada me fazia feliz, a não ser a sua presença, eu esperei para que atendesse os meus apelos. Fiz as mesmas súplicas que me faz agora. E eu ainda estou aqui, mas agora não dá pra aceitar o seu querer, vai ter que viver a solidão da maneira pior que existe, com a dor. Não que eu deseje a você o que eu passei, nem os períodos de mendicância sentimental, tampouco as intempéries de um coração pedinte, apenas anelo que fique sozinha e pense. Reflita o quanto à solidão é ruim.

Para quem tinha um nome a zelar, eu fui um perfeito idiota lhe querendo e fazendo todos saberem o que eu sentia. A minha imagem foi para o fundo do esgoto mais sujo, eu perdi, eu fui perdedor, mas restituí as grades e ergui o meu escudo novamente.

Nenhuma mulher havia resistido a mim como você fez, nenhuma mulher ousou não aceitar o que eu poderia oferecer de melhor. No entanto, mesmo os nossos signos combinando, você nem acreditava em horóscopo e acredita, até hoje, num destino perverso e teimoso que insiste em fazer pessoas se cruzarem ao seu bel prazer. Santas bobagens! A gente nunca sabe de quem vai gostar e estando desprevenido isso é mais fácil ainda de se afirmar, todavia, eu sempre estive preparado para gostar e desgostar.

A falta de alegria transporta à tristeza, eu estava assim quando me deixou, o sentimento que parecia mais imperfeito se assemelhava com a autenticidade do amor, mas migramos para isso, eu sofrendo e você alegre, porém feliz nunca significou satisfeito e hoje vemos em que a sua felicidade tornou-se. Ao perceber que a felicidade precisa de recheio, puxou-me pelo braço, entretanto, eu já estava algemado noutro percurso e sendo recheio e cobertura de outra alegria.

Ninguém sabe por que essa característica minha de analisar se um casal vai dar certo, mas eu sempre soube, existem peculiaridades nas pessoas que não às deixam unir-se por muito tempo, embora pareça que irão permanecer juntas para sempre, eu enxergo o ponto que irão se separar. Foi assim contigo, quando foi ser feliz usando a parte mais maviosa que tinha e me deixando apenas com lembranças fúnebres de uma paixão teimosa.

A solidão, mesmo a espontânea, faz com que a gente pense em inúmeras coisas, bobagens, maluquices, como sua vó dizia pra mim, “a oficina do diabo em pessoa”. Eu fiquei sozinho por bastante tempo. Eu quis permanecer só, queria me maltratar por ter me apaixonado por você, queria fazer com que o meu corpo pagasse pelas insanidades do meu querer. Em troca da solidão, obtive pensamentos lúgubres, mas passou.

Como sempre, eu me recompus, voltei a ser o sobre-humano e encontrei alguém pra mim. Vivo a vida de castelo, rei, rainha, princesas e dragões, o ideal para mim. Não acredito mais em horóscopo e nem em destino. Não tenho mais medo da morte, não acredito na sorte, não ando mais em caminhos tortuosos e também não quero você pra mim.

enviada por O Ladrão de Palavras






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