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16/07/2009 07:50
HÉROIS E BANDIDOS
Por Claudio R.
É preciso ser muito mais que um profissional quando o mágico encontra o real, quando o místico fantasioso choca-se com a realidade, quando os heróis se deparam com seres humanos. E isso torna-se mais complicado quando os heróis também são humanos, embora este herói em questão tenha características sobre-humanas.
Quase todo mundo já deve ter ouvido falar de Lance Armstrong, o ciclista americano do Texas que no auge da carreira, descobre-se com um câncer em metástase nos testículos que se espalhou por pulmões e cérebro e que depois de uma dura batalha contra os tumores (os médicos lhe deram 3% de chance de sobrevivência) e os efeitos da quimioterapia pesada sobrevive para vencer por sete vezes consecutivas Le Tour de France, a prova mais nobre e difícil do ciclismo mundial.
Lance Armstrong é o recordista em vitórias no Tour, é o recordista em vitórias consecutivas e é amado e odiado por fãs no mundo inteiro. Todo ciclista que se preze já ouviu falar dele e por conta disso tem um sentimento em relação a ele. Ele não passa despercebido pelas pessoas, é amado ou odiado. Os que odeiam o odeia por sua petulância que faz com ele tenha desafiado grandes nomes do ciclismo ainda jovem; odeiam pela arrogância de suas palavras ao se considerar superior; odeiam por sua personalidade destemida; e, sobretudo, por ele ser Lance Armstrong.
Todavia, os que o amam fazem isso por ele, em toda sua vida, tentar redefinir os limites do que era humanamente possível; por ele ter sobrevivido ao câncer; por ele ter nascido filho da D. Linda Armstrong (a mulher mais guerreira que já ouvi falar, a que acreditava mais no filho que ele próprio se não sabiam, agora já sabem a quem o Lance puxou) a mulher que disse para ele estraçalhar os pedais até não aguentar mais; por ele ter desobedecido a técnicos na juventude; por ele ter criado a LiveStrong; e, sobretudo, por ele ser Lance Armstrong.
Lance abandonou o ciclismo em 2005, após sua sétima vitória consecutiva no Tour de France, em meio a acusações de doping, rancor (e amor) dos franceses e uma trajetória invejável. Super-heróis não se escondem por muito tempo, principalmente quando não se tem um substituto à altura para o cargo. Equanto ficou parado ele correu as maratonas de Nova York e Boston, a primeira maratona de NY ele fez no tempo de 2h59min36s, mostrando para o mundo esportivo que Lance Armstrong seria sempre um corredor, a segunda maratona ele fez 2h46min. Corredores profissionais com longos anos de treino costumam fazer 2h10min, se continuasse, ele poderia em breve alcançar esta marca.
No final de 2008, aos 37 anos, ele voltou a competir e para não deixar de ser Lance Armstrong disse: Quero vencer um oitavo Tour. O seu companheiro de equipe, o espanhol José Luis Rubiera disse: Em si tratando de Lance Armstrong, mesmo com os 37 anos de idade, ele não vai vir pra chegar em segundo. Pouca gente no mundo vai ter méritos de abandonar a carreira e voltar 03 anos depois sendo competitivo e, ainda por cima, favorito.
Nós ciclistas precisamos dele como referência encima de uma bicicleta e voltou, segundo ele, para promover a sua fundação para pessoas com câncer, a LiveStrong. Aos 37 anos, após 03 anos de parada o Capitão América volta para os seus admiradores e desafetos. No final do ano passado ele correu o Tour Down Under, na Austrália e depois correu o Giro dItália, tendo feito uma cirurgia na clavícula alguns dias antes.
Tudo isso por que ele é um herói. Heróis não morrem no final das histórias, e foi por isso que ele sobreviveu ao câncer. Heróis são seres especiais ao favor da humanidade e foi por isso que ele criou a LiveStrong. Heróis geralmente têm uma legião de amigos e estes estão sempre de prontidão quando o herói precisa. E é agora, em Le Tour de France 2009, estando na terceira colocação a 8 seg do líder, depois da 11ª etapa que ele precisa da sua legião de ajudantes.
O máximo que eu e outros tantos fãs podemos fazer é torcer por ele, mas existe alguém que pode fazer mais que isso, e esse chama-se Alberto Contador Velásquez. Um jovem de 20 e poucos anos, da mesma equipe de Armstrong, que está em ascensão e que poderia ter a honra de correr para Lance Armstrong (e não o contrário, como vem acontecendo). No ciclismo os conchavos são mais que regra (eu venço hoje, amanhã você), os melhores sempre vencem, mas outros melhores podem, ou não, atrapalhar a vitória deste ou daquele. Armstrong já fez isso com adversários que mereciam mais que ele a vitória.
Ele, Armstrong, ainda pode lutar dolorosamente na subida da montanha por alguns anos, Contador vai poder por muito mais tempo, e com certeza todos os fãs do Capitão América ficarão agradecidos por sua possível gentileza. Caso Contador trabalhe para Lance, veremos que o ciclismo é um esporte que, além da dor e da gana, é beleza, lealdade e honestidade. Contudo, Contador quer vencer e os donos de sua equipe também querem esse resultado.
Estas pessoas não acreditam nos super-poderes que Armstrong possui, não acreditam na forma extraordinária que ele venceu o câncer e de como lidou com o acontecido. Não enxergam magia no que um senhor de quase 38 anos consegue fazer e como ainda ele faz. Faltam ainda 10 etapas para o fim do Tour de 2009, Lance está a 8 segundos do líder, na terceira posição, com Alberto Contador a miseráveis 2 segundos na sua frente.
A verdade é que o câncer foi a melhor coisa que já aconteceu comigo. Não sei por que contraí a doença, mas ela fez milagres por mim e eu não fugiria dela. Por que eu iria querer mudar o evento mais importante e construtivo da minha vida? Lance Armstrong em seu livro DE VOLTA A VIDA
Claudio R. é, sem sombra de dúvidas, quem mais acredita em Lance Armstrong. Vida Forte!
enviada por O Ladrão de Palavras
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