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20/08/2009 09:42
TRAGO BOAS NOVAS
Por Claudio R.
Cientistas cubanos, liderados pelo Dr. Gael Fuentes, descobrem a cura do mal do século, a saber: O câncer. Foram vários anos de árdua pesquisa que culminou numa droga poderosa que vence as células cancerosas sem agredir o sistema imunológico. Enquanto o processo quimioterápico destrói todas as células que se reproduzem aceleradamente, a nova droga vai de encontro apenas às células cancerosas. Isso por que o remédio age em etapas distintas: na primeira dela faz um mapeamento, identificando as células malignas e dando uma espécie de coloração diferente a estas; na segunda etapa o processo inibe a reprodução, como uma esterilização; e na terceira e última o remédio destrói as células por completo.
Aconteceu o acordo de paz esperado pelo mundo há décadas. Israelenses e muçulmanos selam a paz definitivamente e, segundo eles, com a benção dos céus. O acordo de paz aconteceu em meio à estranha mensagem que vários líderes receberam advinda do céu. Conforme disseram, eles foram atraídos simultaneamente para o mesmo lugar, onde, palavras dos mesmos, Deus (Javé, Alah) os guiou até ali para ordena-lhes um cessar de ofensas, desrespeito, intolerância e fanatismo. Os dogmas que causavam brigas, agora selam a paz.
Uma fundação dos homens mais ricos do mundo, formada principalmente por sheiks árabes, chamada Grupo do 1 bilhão, resolveu partir para a guerra, uma guerra nobre: acabar com a fome no continente africano. Depois da instituição democrática implementada no continente com a ajuda maciça de Barack Obama, chegou a vez de dar um pouco mais de dignidade e qualidade de vida para aqueles que por várias décadas foram injustiçados. O investimento é desmedido, os valores exatos não foram informados, mas sabe-se que serão as maiores cifras investidas num projeto social. Muito ouro e petróleo serão investidos e eles garantem que só descansarão quando todas as pessoas daquele continente dormirem todos os dias de suas vidas saciados.
O Brasil ficou livre do jeitinho brasileiro. Recente pesquisa informa que 95% dos brasileiros se incomodam com a antiga fama do jeitinho para resolver seus problemas. Ninguém mais é tido como bobo por entregar à polícia dinheiro achado, não se vê mais ninguém furar filas ou invadir vagas de deficientes, ainda, o respeito a idosos e gestantes é unanimidade. Depois da revolução através da educação, na qual hoje o país alcançou 100% de pessoas em idade escolar afalbetizadas e 85% das pessoas que concluíram o segundo grau terem nível superior, o país agora se orgulha da sua educação e cultura. Há alguns anos seria ousado de mais fazer um grande investimento numa livraria, entretanto, hoje isso é comum.
O planeta sobreviverá! O mundo está melhor para se viver, afirma institutos meteorológicos do mundo inteiro. O desmatamento na Amazônia além de cessar por completo, hoje a floresta cresceu 22% com árvores nativas em ações de reflorestamento. A melhor condição de vida para esta e gerações futuras foram priorizados em detrimento do crescimento do PIB das maiores economias mundiais. O combustível fóssil já não é mais a principal fonte de energia e a inteligência e a racionalidade do ser humano foi posta à prova. O homem não é mais o ser que destrói o seu habitat natural, agora ele preserva.
E você, qual seria a notícia que gostaria de ter numa manhã qualquer de sua vida?
enviada por O Ladrão de Palavras
12/08/2009 09:26
E CONTINUEI SUPER
Por Claudio R.
Muita assustada ela olhou pra mim e perguntou:
- Você está com medo?
- Eu, com medo?
- Sim, você! Está ou não está?
- Eu não estou com medo de porra nenhuma...
- Então, por que não levanta e vai lá vê o que está acontecendo?
- Por que eu sei que não é nada de mais...
Muito exaltada, ela grita:
- Você é um homem ou um rato?
- Sou muito além disso.
- Além de que, de um homem?
- Não, além de um rato. Eu sou o supermouse.
enviada por O Ladrão de Palavras
16/07/2009 07:50
HÉROIS E BANDIDOS
Por Claudio R.
É preciso ser muito mais que um profissional quando o mágico encontra o real, quando o místico fantasioso choca-se com a realidade, quando os heróis se deparam com seres humanos. E isso torna-se mais complicado quando os heróis também são humanos, embora este herói em questão tenha características sobre-humanas.
Quase todo mundo já deve ter ouvido falar de Lance Armstrong, o ciclista americano do Texas que no auge da carreira, descobre-se com um câncer em metástase nos testículos que se espalhou por pulmões e cérebro e que depois de uma dura batalha contra os tumores (os médicos lhe deram 3% de chance de sobrevivência) e os efeitos da quimioterapia pesada sobrevive para vencer por sete vezes consecutivas Le Tour de France, a prova mais nobre e difícil do ciclismo mundial.
Lance Armstrong é o recordista em vitórias no Tour, é o recordista em vitórias consecutivas e é amado e odiado por fãs no mundo inteiro. Todo ciclista que se preze já ouviu falar dele e por conta disso tem um sentimento em relação a ele. Ele não passa despercebido pelas pessoas, é amado ou odiado. Os que odeiam o odeia por sua petulância que faz com ele tenha desafiado grandes nomes do ciclismo ainda jovem; odeiam pela arrogância de suas palavras ao se considerar superior; odeiam por sua personalidade destemida; e, sobretudo, por ele ser Lance Armstrong.
Todavia, os que o amam fazem isso por ele, em toda sua vida, tentar redefinir os limites do que era humanamente possível; por ele ter sobrevivido ao câncer; por ele ter nascido filho da D. Linda Armstrong (a mulher mais guerreira que já ouvi falar, a que acreditava mais no filho que ele próprio se não sabiam, agora já sabem a quem o Lance puxou) a mulher que disse para ele estraçalhar os pedais até não aguentar mais; por ele ter desobedecido a técnicos na juventude; por ele ter criado a LiveStrong; e, sobretudo, por ele ser Lance Armstrong.
Lance abandonou o ciclismo em 2005, após sua sétima vitória consecutiva no Tour de France, em meio a acusações de doping, rancor (e amor) dos franceses e uma trajetória invejável. Super-heróis não se escondem por muito tempo, principalmente quando não se tem um substituto à altura para o cargo. Equanto ficou parado ele correu as maratonas de Nova York e Boston, a primeira maratona de NY ele fez no tempo de 2h59min36s, mostrando para o mundo esportivo que Lance Armstrong seria sempre um corredor, a segunda maratona ele fez 2h46min. Corredores profissionais com longos anos de treino costumam fazer 2h10min, se continuasse, ele poderia em breve alcançar esta marca.
No final de 2008, aos 37 anos, ele voltou a competir e para não deixar de ser Lance Armstrong disse: Quero vencer um oitavo Tour. O seu companheiro de equipe, o espanhol José Luis Rubiera disse: Em si tratando de Lance Armstrong, mesmo com os 37 anos de idade, ele não vai vir pra chegar em segundo. Pouca gente no mundo vai ter méritos de abandonar a carreira e voltar 03 anos depois sendo competitivo e, ainda por cima, favorito.
Nós ciclistas precisamos dele como referência encima de uma bicicleta e voltou, segundo ele, para promover a sua fundação para pessoas com câncer, a LiveStrong. Aos 37 anos, após 03 anos de parada o Capitão América volta para os seus admiradores e desafetos. No final do ano passado ele correu o Tour Down Under, na Austrália e depois correu o Giro dItália, tendo feito uma cirurgia na clavícula alguns dias antes.
Tudo isso por que ele é um herói. Heróis não morrem no final das histórias, e foi por isso que ele sobreviveu ao câncer. Heróis são seres especiais ao favor da humanidade e foi por isso que ele criou a LiveStrong. Heróis geralmente têm uma legião de amigos e estes estão sempre de prontidão quando o herói precisa. E é agora, em Le Tour de France 2009, estando na terceira colocação a 8 seg do líder, depois da 11ª etapa que ele precisa da sua legião de ajudantes.
O máximo que eu e outros tantos fãs podemos fazer é torcer por ele, mas existe alguém que pode fazer mais que isso, e esse chama-se Alberto Contador Velásquez. Um jovem de 20 e poucos anos, da mesma equipe de Armstrong, que está em ascensão e que poderia ter a honra de correr para Lance Armstrong (e não o contrário, como vem acontecendo). No ciclismo os conchavos são mais que regra (eu venço hoje, amanhã você), os melhores sempre vencem, mas outros melhores podem, ou não, atrapalhar a vitória deste ou daquele. Armstrong já fez isso com adversários que mereciam mais que ele a vitória.
Ele, Armstrong, ainda pode lutar dolorosamente na subida da montanha por alguns anos, Contador vai poder por muito mais tempo, e com certeza todos os fãs do Capitão América ficarão agradecidos por sua possível gentileza. Caso Contador trabalhe para Lance, veremos que o ciclismo é um esporte que, além da dor e da gana, é beleza, lealdade e honestidade. Contudo, Contador quer vencer e os donos de sua equipe também querem esse resultado.
Estas pessoas não acreditam nos super-poderes que Armstrong possui, não acreditam na forma extraordinária que ele venceu o câncer e de como lidou com o acontecido. Não enxergam magia no que um senhor de quase 38 anos consegue fazer e como ainda ele faz. Faltam ainda 10 etapas para o fim do Tour de 2009, Lance está a 8 segundos do líder, na terceira posição, com Alberto Contador a miseráveis 2 segundos na sua frente.
A verdade é que o câncer foi a melhor coisa que já aconteceu comigo. Não sei por que contraí a doença, mas ela fez milagres por mim e eu não fugiria dela. Por que eu iria querer mudar o evento mais importante e construtivo da minha vida? Lance Armstrong em seu livro DE VOLTA A VIDA
Claudio R. é, sem sombra de dúvidas, quem mais acredita em Lance Armstrong. Vida Forte!
enviada por O Ladrão de Palavras
14/07/2009 13:54
UMA PAIXÃO TEIMOSA
Por Claudio R.
Enquanto eu não existia pra você e que você caçoou do meu querer, eu implorei para que lembrasse dos meus sentimentos. Logo eu que pouca coisa implorava, não fazia parte do meu senso de déspota pedi algo, eu sempre exigi e contigo fui diferente. Eu sentia como se fosse um castelo desmoronado por tua tempestade. Você destituiu o meu trono de soberba e o meu ser insano, deixando perdido e sem alicerces.
No tempo em que nada me fazia feliz, a não ser a sua presença, eu esperei para que atendesse os meus apelos. Fiz as mesmas súplicas que me faz agora. E eu ainda estou aqui, mas agora não dá pra aceitar o seu querer, vai ter que viver a solidão da maneira pior que existe, com a dor. Não que eu deseje a você o que eu passei, nem os períodos de mendicância sentimental, tampouco as intempéries de um coração pedinte, apenas anelo que fique sozinha e pense. Reflita o quanto à solidão é ruim.
Para quem tinha um nome a zelar, eu fui um perfeito idiota lhe querendo e fazendo todos saberem o que eu sentia. A minha imagem foi para o fundo do esgoto mais sujo, eu perdi, eu fui perdedor, mas restituí as grades e ergui o meu escudo novamente.
Nenhuma mulher havia resistido a mim como você fez, nenhuma mulher ousou não aceitar o que eu poderia oferecer de melhor. No entanto, mesmo os nossos signos combinando, você nem acreditava em horóscopo e acredita, até hoje, num destino perverso e teimoso que insiste em fazer pessoas se cruzarem ao seu bel prazer. Santas bobagens! A gente nunca sabe de quem vai gostar e estando desprevenido isso é mais fácil ainda de se afirmar, todavia, eu sempre estive preparado para gostar e desgostar.
A falta de alegria transporta à tristeza, eu estava assim quando me deixou, o sentimento que parecia mais imperfeito se assemelhava com a autenticidade do amor, mas migramos para isso, eu sofrendo e você alegre, porém feliz nunca significou satisfeito e hoje vemos em que a sua felicidade tornou-se. Ao perceber que a felicidade precisa de recheio, puxou-me pelo braço, entretanto, eu já estava algemado noutro percurso e sendo recheio e cobertura de outra alegria.
Ninguém sabe por que essa característica minha de analisar se um casal vai dar certo, mas eu sempre soube, existem peculiaridades nas pessoas que não às deixam unir-se por muito tempo, embora pareça que irão permanecer juntas para sempre, eu enxergo o ponto que irão se separar. Foi assim contigo, quando foi ser feliz usando a parte mais maviosa que tinha e me deixando apenas com lembranças fúnebres de uma paixão teimosa.
A solidão, mesmo a espontânea, faz com que a gente pense em inúmeras coisas, bobagens, maluquices, como sua vó dizia pra mim, a oficina do diabo em pessoa. Eu fiquei sozinho por bastante tempo. Eu quis permanecer só, queria me maltratar por ter me apaixonado por você, queria fazer com que o meu corpo pagasse pelas insanidades do meu querer. Em troca da solidão, obtive pensamentos lúgubres, mas passou.
Como sempre, eu me recompus, voltei a ser o sobre-humano e encontrei alguém pra mim. Vivo a vida de castelo, rei, rainha, princesas e dragões, o ideal para mim. Não acredito mais em horóscopo e nem em destino. Não tenho mais medo da morte, não acredito na sorte, não ando mais em caminhos tortuosos e também não quero você pra mim.
enviada por O Ladrão de Palavras
10/07/2009 15:34
A NÍVEL DE MEIA INTELIGÊNCIA SEM ATITUDE
Por Claudio R.
Naquela amanhã eu levantei da cama muito estranho. Levantei com o pé direito isso mesmo, pé direito quando o costume era o pé esquerdo. O livro que amanhecera ao meu lado era muito chato. Ops! Livro chato? Isso não existia até aquele momento. Eu levantei faltando um pedaço do meu corpo, algo de errado estava acontecendo. Alguma bruxaria fora lançada sobre mim. Eu acabara de perder o meu cérebro, ao menos parte dele. Ficara sem inteligência, meu intelecto fora lançado ás moscas.
Aquilo não me perturbou. Eu não estava achando ruim ser uma criatura sem dotes intelectuais. Na TV passava uma série idiota que eu odiava e comecei a olhar com outros olhos, estava maravilhoso assistir aqueles personagens caricatos, com seu humor explícito e exagerado.
Fui no meu quarto e notei que lá só tinha livros chatos: Nietzsche, Machado de Assis, Schopenhauer, Platão, Sartre, etc. Não havia nada de fácil entendimento, só estes autores entediantes, uns chatos. Tratei de ir numa livraria perto de casa, aquilo me deu uma ojeriza de arrepiar até os cabelos cadavéricos de Kafka. Eu não queria livro, eu não teria tempo. Alguma coisa me dizia que livro tomaria o tempo de eu ir ao cinema ver um filme meloso com final feliz ou ainda um filme com o Jean Claude Van Dame. Dali pra frente ele seria meu ator preferido.
De volta aos livros, eu resolvi comprar uns livros de auto-ajuda, não que eu estivesse precisando de ajuda, eu estava bem, feliz da vida. Mas sempre é bom ter uma segunda opinião, até mais, se for possível. Comprei um livro do Augusto Cury, TREINANDO A EMOÇÃO PRA SER FELIZ: AUTO-ESTIMA, e VOCÊ É INSUBSTITUÍVEL, que maravilha, duas pérolas da literatura mundial. Comprei também um do Paulo Coelho e ganhei de brinde um livro da Zibia Gaspareto. Nunca foi tão fácil ler. Eu estava mais esperto, lia numa velocidade descomunal também, não precisava entender nada, já estava tudo ali na cara não havia palavras complicadas, pareciam ter sido escritas por meu irmão de sete anos e era muito mais fácil entender o que meu irmão de sete anos diz, que as palavras proferidas por um filósofo grego da antiguidade.
Passei a gostar mais de música, toda música que passava na rádio eu procurava no 4shared pra baixar, eu estava feliz pra caramba. Eu dançava muito, não estava perdendo um pagodinho com o pessoal no fim de semana e nem aquele forró da quarta feira à noite. Claro que isso só depois do futebol com o pessoal.
Futebol com o pessoal estava sendo o meu programa predileto, lógico que não era pelo esporte em si, mas pela algazarra que se formava logo depois. Faltou atitude da sua parte, seu porra, ficou parecendo um viadinho. Porra nenhuma, se você tivesse feito menas falta, a gente ia vencer. No próximo a gente vamos ganhar.
Juro que eu não sabia mais o que era um objeto direto, e também juro que aquilo não fazia nenhuma diferença. Aliás, até que fazia, o pessoal não estava mais me chamando de pernóstico e nem virando a cara quando eu chegava. Eu estava integrado ao grupo. Dali pra frente os pronomes oblíquos conjugavam verbo. O que vocês têm pra mim fazer hoje?. Estava sendo bom está assim. Ninguém mais me perguntava nada, não me perguntavam o que eu achava, o que eu entendia por aquilo ou ainda se eu achava que iria dá certo. Eu era como a maioria e, afinal de contas, para que servia a opinião da maioria?
A minha vida agora estava divertida. Qualquer entretenimento era viável, qualquer conversa poderia ser substituída por um joguinho de dominó rodeado de cerveja. Eu estava levando a vida do jeito que pedi a Deus. Eu não enxergava mais uma mulher meio gorda ou uma bunda meio caída. Agora, eu via tudo meia: meia gorda, meia caída, meia feia, meia esquisita, por que no fundo algo meio esquisita é muito mais esquisito que meia.
Quando eu queria dá uma de intelectual - eu já não sabia ser um intelectual -, fazia aquela cara de entendido no assunto e começava falando sempre com um a nível de... seja lá o que fosse, o a nível dava um ar contextualizado ao negócio. E, independentemente de qualquer outra coisa, eu estava muito feliz.
Adjunto adverbial quase me faz perder o ano no ginásio, então, eu tratei de aprendê-lo, tornei exímio conhecedor e não mais errara dali pra frente. Falava corretamente até ter acordado diferente naquela manhã. Ali não fazia mais sentido saber qual a diferença entre usar o independente e o independentemente. Dali por diante eu usava sempre o independente, independentemente de que frase eu estivesse proferindo. A palavra menor tem que prevalecer. Nem queria saber se era adjetivo ou advérbio, foda-se.
Ah, eu comecei a falar palavrões! De todo tipo, mas o pior era cu. Eu mandava muita gente tomar no cu, e pior de tudo é que mandei o meu chefe tomar. E ele me demitiu. Não por que ele não gostasse de tomar no cu, e sim, por eu ter posto o acento no cú. Ele achou uma ignomínia. Veio com um papo de que oxítonas terminados em u e i apenas acentuam-se os hiatos. E quem sabe o que é um oxítona? E um hiato? Quando respondeu o meu e-mail, me demitindo, eu não entendi direito, estava um monte de palavras que eu tive que olhar o dicionário uma porção de vezes até encaixar.
Caguei e andei para o chefe e para a empresa. A vida estava boa de mais para ser levada a sério. Eu não perderia mais o meu tempo sendo um cara tão sério, não leria mais filosofia, tampouco usaria aquele óculos ridículo. Estou pensando em virar surfista, pois as frases deles não têm mais que duas palavras e o meu vocabulário está ficando restrito. Sóóóóó, manêro.
Claudio R. é o escritor de O Ladrão de Palavras.
enviada por O Ladrão de Palavras
06/07/2009 20:31
O AMOR É UMA DOR
Por Claudio R.
Ainda hoje os artistas teimam em utilizar o amor fazendo alusão à dor e eles não estão sendo pessimistas ou depressivos, aliás, não estão sozinhos nesta maneira de pensar, pois, em sua essência, o amor é a representatividade da dor. O amor só é amor quando dói.
Ontem foi o casal ali perto de casa, mas antes deles vieram Tristão & Isolda, Romeu & Julieta e Orfeu & Eurídice que, tal qual a vida real, são casais que a literatura marcou como grandes amores, digno de nossas lágrimas e apreço. No fundo o amor é assim, pra marcar, pra se fazer valer como amor, tem que deixar marcas e cicatrizes, entretanto, isso só é possível caso abra-se uma ferida.
Tristão e Isolda morrem e não vivem uma história carnal de amor (o amor antítese do amor almejado por todos); Romeu e Julieta também sofrem do mesmo problema, já Orfeu e Eurídice vivem uma variante do sofrimento pelo amor, quando uma das partes morre ou o troca por outro. As histórias de amor na literatura e na arte em geral só existem pela própria impossibilidade do amor recíproco e duradouro acontecer ou permanecer, como queiram.
O romantismo, movimento surgido na idade média, centra sua idéia contrariando o racionalismo, ou seja, tudo que viesse dali por diante seria procedente do espírito emotivo dos autores. Os dramas humanos, amores trágicos e utópicos, ainda, os desejos de escapismo e o gosto pela morte são características peculiares do romantismo que traçou um perfil do amor como um sentimento cheio de dores e equívocos.
E o sucesso destes amores está justamente em não ocorrerem de fato. Não é a toa que as músicas românticas são as mais vendidas, as pessoas se compadecem daquele amor que toca em seus corações (perdão do trocadilho) e fazem com que elas se sintam parte daquela relação de paixão onde a saudade, a tristeza e a desilusão imperam.
Caso faça uma lista das 10 canções mais pedidas talvez mais, sendo pessimista como o amor, eu diria as 100 canções mais pedidas , encontraria uma seleção de histórias onde os personagens presentes na letra da canção não vivem e nem convivem em reciprocidade sentimental por muito tempo ou de forma alguma. Na maioria delas uma parte traiu e/ou está vivendo uma história de amor com outra pessoa.
Numa música do saudoso Renato Russo, o personagem troca a segurança do seu mundo por amor. A música trata de uma relação no começo, eles acabaram de se mudar para a nova casa e estão comprando as coisas para iniciarem a vida a dois. Assim, o amor ora vivido por eles ainda não passou pelas desilusões, porém ali está sendo amor, pois o amor só é eterno se não acontecer efetivamente. E a prova disso é que um casal de amigos usou essa música como tema para o seu casamento e quando o amor aconteceu, ele não aconteceu, eles se separaram por que o meu amigo fora abduzido por outra mulher (mas isso é outra história de amor).
Noutra canção do mesmo Russo, ele retrata uma relação entre duas pessoas em que uma sofre com as lembranças do outro por ter acontecido assaz no passado, em tempo, ele diz que aquele é um bom exemplo de bondade e respeito do que o verdadeiro amor é capaz e no fim questiona como se diz eu te amo hoje em dia. O amor do personagem só estava sendo amor por que a outra parte resistia na existência daquela relação numa foto 3 x 4. Também, em Eduardo e Mônica, ele trata de um casal completamente oposto e adjudica razão nas coisas feitas pelo coração. A relação do casal inspirador desta música não chegou a fazer bodas de papel.
Outro que já justificava antecipadamente o fim da relação atentem para o fim da relação e não do amor é o Odair José em eu vou tirar você deste lugar, quando conta a história de amor entre um cliente e uma prostituta, eu quero que você não pense nada triste, pois quando o amor existe, não existe tempo para sofrer. Ledo engano do seu personagem, contradizendo o fato de que o amor só existe enquanto houver sofrimento.
A história de amor impossível é excessivamente atraente por ser mística e emotiva na sua essência. Os olhos marejados da menina ao sair do cinema é que vai determinar se o filme contava uma história de amor profundo na sua impossibilidade ou um melodrama chato.
E por assim dizer, o grande pigmeu Chico César canta o personagem que chorou ao ver o seu broto no cinema com o seu melhor amigo. Está aí uma versão atual de um amor não acontecido e ainda por cima, destruindo um laço de amizade. O personagem talvez nem tenha notado o filme, mediante o acontecido, mas talvez este ficasse em sua memória caso fosse verdadeiramente um filme triste de amor onde os personagens não terminassem felizes para sempre no final.
O filme é outra representação artística onde os que persistem em nossa memória são os que causam sofrimento de amor aos personagens e consequentemente nos espectadores. Closer Perto de Mais e Um amor pra recordar, salvo desproporção qualitativa, são filmes do mesmo gênero, tratam de amores impossíveis e por isso doem e a dor é um alvitre mais forte.
O amor só é forte o suficiente quando é apenas uma lembrança dolorida, enquanto a felicidade cai no olvido e só retorna à memória quando outrora ficou pra trás e agora já é a dor de não poder usufruir.
Tudo isso por que o par ideal não existe, a relação ideal não existe, o amor recíproco não existe de verdade e por tentarmos adequar o que nos é oferecido dentro destes aspectos, caímos na armadilha perfeita para eternizarmos o amor, a saber, o sofrimento. Assim como o homem ideal não existe, a pessoa por quem a gente se apaixona também não existe, já dizia Freud, a gente inventou no nosso querer para que fiquemos concretamente envolvidos um com outro, no fim, isso também é um atrativo à dor. Por sermos falhos, jamais conseguiríamos desenhar o ser perfeito a nós mesmos, mesmo que isso acontecesse apenas no meio onírico de nossas mentes.
Por conclusão, o amor vai continuar existindo e os seres humanos, capacitados para a adaptação, aprenderão a lidar com ele com menos dor e sofrimento, por conseguinte, acredito que aí o amor deixará de ser amor. Pois só a aflição trazida pelo sofrimento do amor é capaz de fazer um homem, como o rei Shah Jhan o fez para a sua falecida amada Mumtaz Mahal, construir uma obra de arte incomensurável tal qual o Taj Mahal.
Claudio R. é o escritor de O Ladrão de Palavras e, por muitas vezes, já pensou em construir um castelo com as próprias mãos, em nome do amor.
enviada por O Ladrão de Palavras
03/07/2009 09:23
TUDO O QUE É NECESSÁRIO
Por Claudio R.
Hernandes estava perdido, perdidamente apaixonado pelo violão que Natália carregava junto de sua bagagem de mão. E ele olhava fixamente para a direção dela. Passava na sua cabeça a ideia de que sempre fora apaixonado por instrumentos musicais, principalmente os de corda.
De tanto olha-la, Natália notou que estava sendo observada e lhe desferiu um olhar tímido, mas para a dissimulação de Capitu que a timidez verdadeira.
Notadamente, Hernandes estava sentindo-se tentado a ir encontrá-la, falar com ela, entretanto não lhe vinha à cabeça nenhuma maneira de fazê-lo. Pensou em tropeçar perto dela, inventar frases feitas, etc. Nada era exatamente eficiente para o que ele planejara com aquela mulher.
Uma mulher que toca violão é muito mais interessante que uma que pinta quadros. Foi a única coisa que lhe veio a cabeça quando chegou perto dela. Todavia, a analogia que fizera não possuía nexo algum e ele tratou de emendar a frase Falo isso porque a música e uma pintura são obras de artes femininas.
Ninguém sabia do que Hernandes estava falando. Ele se perdeu no que queria dizer, mas, de alguma forma, aquilo soava filosófico e romântico aos ouvidos de Natália. E ela aparentava uma ouvinte submissa que não queria interferi nas palavras proferidas por ele...
O que se espera de uma mulher como essa é que faça algo tão delicadamente feminino quanto transparece seu olhar Pronto! Ele conseguira toda sua atenção e aquele monólogo esquisito agora se tornava um diálogo.
E é bem mais fácil pensar nela carregando simples pincéis do que um pesado instrumento nas costas, mas eu não acho que seja mais interessante tocar violão que pintar quadros.
Há mais enigmas em você que numa pintora, queria te ouvir tocando, disse ele onde será sua apresentação.
Não haverá apresentação, sou uma entusiasta da música, apenas gosto de tocar, nada de profissional falou Natália com humildade.
Depois de tanto conversarem, de Hernandes expor que mulheres que tocam instrumentos se escondem atrás dele e tinham mãos com exímia destreza em tudo o que punham elas e do senso de liberdade que estavam condenadas, pela própria auto-avaliação e pelos elogios de outrem, eles se apresentaram e Natália perguntou:
Por que você usou uma pintora para comparar com o violão? São coisas completamente diferentes... ele respondeu:
Há uma reclusão em vocês duas, um ocultismo, um jeito depressivo de agir enquanto atuam...
Eles continuaram conversando, num papo amistoso e muito contemplativo. Uma conversa de verdadeiros intelectuais. Estavam se curtindo, haviam passado para o nível dois de um encontro, quando um enumera as qualidades que enxerga no outro e a se tocarem despercebidamente. Assim surgiu o primeiro beijo, sem que notassem o sentido que estavam indo.
Bem, estamos num ponto onde eu tenho que te fazer um convite... disse Hernandes e foi interrompido por ela.
Como assim, convite?! perguntou ela admirada.
Aliás, não seria um convite, seria um convite com três opções... Para onde você iria comigo agora se eu te convidasse, para um shopping center, numa livraria ou para um motel?
Os dois riram bastante e ela respondeu:
Vamos aos três...
Em que ordem? perguntou Hernandes rindo e os dois caíram na gargalhada.
Natália ria com Hernandes e se deliciava com tudo aquilo, na livraria compraram livros, muitos deles, mesmo achando que não teriam tempo para lerem. No shopping center tomaram sorvete de brigadeiro com ovomaltine e no motel...
Natália, devo explicitar umas coisas antes de fazermos.
Anh?! Uma Natália espantada.
Eu gostaria de dizer que só curto sexo com seres humanos adultos, do gênero oposto ao meu, apenas uma por vez e de preferência não seja virgem. Nada de coisas ilegais, que causem prejuízo financeiro ou que prejudiquem a saúde. Portanto, este é o momento de você me dizer coisas essenciais, tais como: Você é maior de idade; Não é travesti; Não usa drogas; Não tem fetiches extremos como usar vela quente ou transar sem camisinha; e por fim, não é puta.
Meu caro Hernandes, é muito bom, realmente, querer saber estas coisas... - Natália falava seriamente e olhando ele nos olhos Sou adulta, tenho 23 anos, embora pareça menos, não tenho um pênis no meio das minhas pernas, não curto ménage a trois e não sou virgem a 5 anos. Também não curto coisas ilegais e nem que prejudiquem a saúde. No entanto, com filhos da puta como você eu não costumo transar, nem pagando.
Nem tudo que é necessário precisa ser dito, cogitado, explanado, explicitado, colocado em ênfase, salientado ou qualquer coisa que signifique manter a língua dentro da boca até comer a mulher.
Claudio R. é o escritor de O Ladrão de Palavras
enviada por O Ladrão de Palavras
01/07/2009 16:13
APRENDENDO A SE DOPAR
Por Claudio R.
Não é de hoje que os atletas de ponta se dopam. Todo tipo de artifício já foi utilizado como doping pelos antigos e hoje o negócio é bem mais tecnológico e mais científico também. Salvo engano, não existe esporte onde não há a existência de doping e isso é muito ruim para a ideia inicial que praticar esporte tem.
Teoricamente, o esporte é saúde, é manutenção da vida saudável por mais tempo, por conseguinte, o doping vai de encontro a essa filosofia. Todo mundo sabe dos efeitos maléficos das drogas usadas como doping, mas uma força muito maior que a sabedoria ataca a mente do atleta, e ele acaba usando desse artifício tenebroso para alcançar o galardão do vitorioso.
O que faz um atleta se dopar?
Um atleta profissional é pressionado a se dopar, isso é um fato. Basicamente, o resultado é a principal fonte de pressão, quer seja diretamente, quer indiretamente. Diretamente é pressionado pela atitude do atleta que se vê atraído pelo pódio e o deseja mais que a própria saúde e a própria vida. Indiretamente através dos patrocinadores e da torcida. Os primeiros pressionam a busca de resultados, não importa o que aconteça, não importa se o adversário está num melhor momento ou se o seu próprio momento é inadequado. Já a torcida não aceita o seu ídolo atrás e cobra o suficiente para que este perca a cabeça.
Nada das coisas citadas acima justifica o doping, sendo que, quando se escolhe ser atleta, estamos sujeitos a todas estas intempéries e devemos aprender a lidar com elas de uma maneira saudável e justa.
No meio amador vemos jovens se dopando por questões estéticas e é na musculação que encontramos a maioria destes. Eu já fui um entusiasta do bodybuilder e almejava um corpo de incrível Hulk, mas sem a tonalidade esverdeada. Durante o tempo que pratiquei a musculação e o jiu-jitsu, eu vi muita gente admitindo o uso de drogas anabolizantes e já fui muitas vezes convidado à mesma prática. Todavia, eu empacava no quesito saúde, mais especificamente a saúde sexual, e não me deixava levar pelos apelos vaidosos da massa, sem trocadilho. Alcancei o ápice da minha performance na musculação e no jiu-jitsu com aproximadamente seis anos de prática. Cheguei a pesar 92 kg, fazia supino reto com 126 kg, leg press com 430 kg e rosca de bíceps com 60 kg e no fim das contas eu não fiquei tão feliz quanto imaginara que ficaria.
O meu esporte atual, o ciclismo, é indiscutivelmente o mais malvisto quando se trata da questão doping. O ciclismo de competição é um esporte duro, ultrajante, ingrato e, como diz uma amiga, tão auto-destrutivo e doloroso quanto um suicídio, não sendo admitida a prática para qualquer um.
O ciclismo caiu no meu colo como uma atividade auxilar ao jiu-jitsu, a atividade aeróbia, e quando o aceitei, eu sabia que eu não era qualquer um. Contudo, de atividade auxiliar, 8 anos depois, tornou-se atividade precípua.
Ciclistas com costas de 1 metro de largura, braços com 46 cm de circunferência e peitoral mais preeminente que o próprio nariz não existem, é uma compleição atípica e eu teria que lutar contra isso, caso quisesse utilizar o ciclismo como atividade de competição. E como eu faria isso? Como eu lutaria para ser tão competitivo quantos os outros? A primeira resposta seria perder peso, e eu perdi 16 quilos daqueles músculos conquistados tão sacrificadamente.
Todavia, ainda faltava responder a segunda questão: ser competitivo; eu não conhecia a resposta certa e a única que permeava a minha mente era apenas o doping. Se no jiu-jitsu o ciclismo era o meu doping saudável (era com ele que eu tinha mais gás nos instantes finais daquelas lutas), com o ciclismo eu não teria a ajuda contrária. Assim, o doping sujo continuava a ocupar espaços no meu pensamento que não lhe pertencia, mas eu permaneci resistente.
Não é fácil resistir ao doping no ciclismo, pelas características que o ciclismo tem. Entretanto, eu aprendi a dopar a minha mente, o ciclismo resume-se à resistência a dor e ninguém entende de dor mais que eu, suponho (já lutei com pé quebrado, com dedo da mão completamente fora de posição e com uma costela fissurada). Embora seja hoje apenas um ciclista, ainda tenho coração de lutador e este não admite ninguém lutando por ele, não admite quebra de regras, não admite falcatrua e tampouco doping.
É o cérebro quem comanda as pernas, coordena a pedalada, define a cadência e controla os batimentos, e eu luto com a força da mente para ser mais forte que o sinal dos meus músculos, luto para ser mais forte que a dor, mais forte que os calafrios e a sensação de queimor nas pernas. Luto contra o sono de madrugada, contra a vontade de permanecer na cama quente e contra o frio da estrada até o aquecimento. Luto contra a sensação de solidão, contra o medo dos motoristas insensatos com seus carros que não respeitam a distância de 1,5 m de mim. Luto contra a falta de dinheiro para a manutenção digna do equipamento. Luto contra a falta de tempo para descansar, contra o corre-corre para chegar no trabalho.
Assim, não dá pra usar doping e não se sentir culpado. O doping é desleal, é roubo, é crime, vai de encontro aos princípios éticos que aprendi com meus pais e com a arte marcial que pratiquei por tantos anos e, sobretudo, é uma ignomínia para o atleta. Estou aprendendo a me \"dopar\" com treino e alimentação condizente com o meu esporte, estou aprendendo mais sobre ele, leio bastante e, sempre que possível, busco orientação profissional. Até hoje não obtive os resultados que almejo, porém sempre que concluo uma prova, eu sou o único responsável por isso. E no dia que eu alcançar a vitória, naquele pódio subirá apenas as minhas pernas, o meu orgulho, a minha honra e a minha força anelante de querer sempre mais.
Claudio R. é o escritor meia-boca de O Ladrão de Palavras e ciclista nas raríssimas horas vagas.
enviada por O Ladrão de Palavras
26/06/2009 13:48
COMO O AVIÃO PARA HUMANIDADE
Por Andréa Pereira
De todas as vezes que eu me vi nesse tipo de situação, sem sombra de dúvidas essa é a pior delas. Não consigo parar de pensar em todos os nossos momentos bons e nas coisas que aprendi contigo, mesmo quando você não queria ensinar. Talvez as coisas tivessem sido diferentes se suas boas características não me atingissem tão negativamente. Eu não sei se o problema é comigo, do mesmo modo que eu também não sei como coisas que são aparentemente boas se transformaram em grandes barreiras entre nós.
Você é movido a grandes emoções, está sempre com metas para atingir e isso é muito bom na vida a dois, porque eu sei que você é centrado e persistente naquilo que deseja. Sei também que você tem seus objetivos pessoais, que precisam ser cumpridos para você ficar bem. Mas, caso o contrario aconteça, você é tomado por um sentimento doido de incapacidade e precisa provar para si mesmo que é capaz, e essa paixão se torna doentia e ofusca o sentimento que você tem por mim, a ponto de eu começar a pensar em colocar duas rodinhas em mim e mudar meu nome pra Caloi, pra ver se consigo a mesma atenção que você dá à sua bicicleta.
E como num passe de mágica, conseguindo atingir ou não o seu grande objetivo, você simplesmente volta ao marasmo de antes e quer que eu continue a mesma, como se essas coisas não me atingissem.
Eu adoro o jeito como você eleva minha auto-estima, e você faz isso constantemente. Sem que eu precise perguntar se esse vestido me deixa gorda, você se adianta e me lança um olhar admirado como quem pensa como eu tenho sorte de ter essa mulher e me diz, com uma voz suave a aveludada, você está linda. Isso seria ótimo, se eu não soubesse o quanto você flerta quando eu estou longe e, sabendo disso, todos os seus elogios me parecem mecânicos, fruto de uma mente treinada que não quer que eu troque meu vestido, para que possamos sair rápido de casa e ir para a festa onde, muito provavelmente, vai lançar olhares a alguns vestidos bem recheados como o meu.
Você me conta com tanta superficialidade sobre seus problemas cotidianos, como os de trabalho ou mesmo os pessoais. Eu sei que talvez você não queira me aborrecer com problemas que eu não consigo solucionar por você e sei que ficaria difícil me contar algumas coisas intimas que nem você sabe direito por que te incomoda. Mas essa sua tentativa voluntária de me poupar me exclui de uma parte muito importante na sua vida e me faz pensar que você acha que eu não tenho capacidade de escutar ou mesmo aconselhar. Você, na realidade, não está poupando a mim de escutar problemas chatos, mas está poupando a si próprio de escutar minhas opiniões, que você julga serem tolas. Isso prova que você não me conhece nem metade do que deveria, e subestima minha capacidade de, antes de tudo, ser sua amiga.
Eu sinto que você quer sempre resolver por mim os meus problemas, compra todas as minhas brigas e me defende como ninguém nunca defendeu antes. E isso é ruim por dois motivos básicos: primeiramente, você não deixa que isso seja recíproco, não me deixa comprar suas brigas, não me deixa nem saber quais são suas brigas; em segundo lugar, porque você não faz isso com o ar de quem defende sua amada por amor, mas sim como quem foi designado a defender uma pobre coitada que não pensa direito e não pode tomar decisões sozinha. E eu sei que eu não sou assim, e você também saberia, se parasse para enxergar tudo que eu tento te mostrar enquanto você tira meus próprios problemas das minhas mãos e os resolve por mim, sem que eu peça. Eu me recuso a acreditar que o problema está somente em mim. Suas qualidades que eu mais admiro, são as que mais me maltratam.
Eu sei que você talvez nunca tenha pensado dessa maneira, mas é assim que eu me sinto... Uma vítima de todas as coisas boas que você oferece. E agora, o que me fez cair de amores por você, se transformou num abismo que nos separa. Mas é impossível continuar do seu lado sendo que você me quer atrás.
Andréa Pereira é a escritora do http://deiadeiadeia.zip.net e é de tirar o fôlego.
enviada por O Ladrão de Palavras
25/06/2009 19:17
DESEJOS IMPLÍCITOS
Por Claudio R.
Resolvi pensar sozinho num dos raros momentos em que me deixou assim. E por pensar, resolvi te deixar, abandonar-te aos teus desejos implícitos em que eu não conseguia adentrar. Eu não te quero mais por entender que o seu pessimismo trágico levou essa nossa relação a uma obscuridade que eu não conseguia mais me encontrar dentro dela, tal qual um baiano perdido no Rio de Janeiro e pedindo informação para um gaúcho característico.
Às vezes penso que eu tinha ciúme de ti, por crer que eu não era o único estrangeiro da sua lista, principalmente ao ouvir as suas frases com trejeitos e sotaques de outros estados.
Eu te deixei por te achar inteligente de mais, bem humorada de mais, sarcástica de mais e gorda de menos. Não conseguia competir com alguém tão esperto quanto o google e ainda por cima, alguém que soubesse disso é o google que não me deixa passar por ignorante, ironizava.
Deixava-me pasmado a idéia de não ter carteira de identidade, mas a paixão encobria isso, logo depois descobria e eu me via atado a ti pela sua despreocupação com isso. No Paulo Leminski era perfeitamente justificável, ele tinha um bigode que não me atraia em nada, já em ti, esse seu belo rosto e o branco lôbrego e libidinoso dos seus olhos sairiam muito lindo em qualquer documento, inclusive a referida carteira.
Achei uma grande maluquice tu comprares um carro e nem ter CNH, mais maluquice você não saber andar de bicicleta. Tudo lindo para o Caetano Veloso, mas pra mim, nem tanto.
Ainda, eu estava na fase mais baixa da sua oscilação de personalidade nos relacionamentos, que consistia em eu sofri, agora é a minha de fazer sofrer. Logo eu que sempre fiz sofrer...
De tudo, eu gostava de quando tinha nada, pois seu tudo era muito tudo e o pouco meu não agüentaria, como não agüentou. Não resistiu às palavras sinceras e mentiras doces, não resistiu ser um personagem secundário num filme onde tu tinhas todo a indumentária de protagonista. E quando acordava em meio a um filme antigo, tal qual E o vento levou , eu tinha que me contentar em não ser nada, pois, nestes dias em teus filmes a Scarlet OHara vivia sozinha e sofria de TPM.
Cansei de ouvir seus dramas da cadeia alimentar de um réptil herbívoro. Cansei de escrever as tuas dietas, teu guia treinamento, de correr contigo... Cansei de vê os resultados aparecendo e tu ficando mais linda do que nunca. Nem posso lembrar, para não pensar em voltar atrás...
Era odioso aquele seu banho demorado e o chuveiro criativo de teorias conspiratórias e filosóficas, e depois, mais odioso, o hidratante demorado de 15 minutos.
Caso eu não esteja enganado, era assim que tu me querias, avesso às seus desmandos e vontades, agora já tem isso. Não sou mais seu amor, não sou mais seu querido, nem seu personagem preferido de uma comédia romântica embora achasse isso o mais sincero possível. Resta-te, agora, cobrar pelos teus abraços, pois aqueles dirigidos a mim, não terão mais serventia sem ser devidamente remunerados.
Se quiser, joga fora aquele cordão que te dei para que não te lembres mais de mim como uma coisa boa na sua vida. Jogues fora aquela calça jeans que levei dias escolhendo e ainda assim não acertando no número e no formato; confesso que paquerei todas as vendedoras do shopping, mas isso foi ensejando uma compra perfeita. Ah, não esqueça de jogar fora também aquele conjunto de lingerie que te dei e tu, implicitamente, achaste egoísta de mais. Fica com os meus e os teus livros, todos eles, teu vício como ofício. Fica com teus sonhos de riqueza com a literatura e com teus amantes letrados, os Max, os Arans, os outros.
Como vê, escrevo-te a mão, para que sinta que é de plena consciência o que tenho dito aqui. Vou te deixar por achar-te pessimista e trágica que acredita que um namoro tem que ser como um livro do Santiago Nazarian, ter começo, meio e fim, mesmo que esse começo, esse meio e esse fim sejam implícitos.
Claudio R. é o escritor de O Ladrão de Palavras.
enviada por O Ladrão de Palavras
18/06/2009 16:06
D. ELVIRA
Por Claudio R.
D. Elvira é uma jovem senhora de 97 anos, nascida no Recife, descendente de holandeses e que adora sexo. Não se espantem! Ela atribui isso à constância e pertinência que ele teve na sua vida. Aos 15 anos foi dada em noivado para um filho de fazendeiro, coronel da cana-de-açúcar, a quem ela deveria se casar dali uns 4 meses. Porém, depois de uma investida dele em por a mão por baixo do seu vestido, descobriu que gostava de mais da putaria e resolveu por em prática o que o corpo pedia. O frangote achou que ela não era moça de família e desistiu, pondo o nome da jovem Elvira na latrina da sociedade pôs colonial.
Elvira, então, resolveu cair na esbórnia, saiu pra trabalhar num bordel. Como aquilo ainda não era o que decidira como um caminho para sua vida, passou 3 anos fazendo apenas sexo anal. No início era para não perder a virgindade da frente, depois continuei por que o negócio é bom que só, meu filho. Virou uma curradeira de mão cheia, ou melhor, de cu cheio.
Aos 20 anos ela ajudou a acabar com a II Guerra Mundial, serviu ao exército, e como serviu. Virou poliglota, sua língua passou por pênis de todas as nacionalidades e idiomas, e com isso os homens de guerra viravam homens de paz.
Quando voltou ao Brasil Elvira montou seu próprio puteiro, se tornou rica e poderosa, mandava mais que o prefeito e o delegado, dizem que até aquele general presidente obedecia os pedidos dela. Todavia, ela caiu nos encantos de Valdemar, um jovem bem dotado que apareceu no seu estabelecimento. Casaram-se e ela abandonou o meretrício, entretanto, a putaria lhe era característica peculiar, e ela costumava a passear pelos barzinhos a procura de novas emoções.
As emoções lhe renderam status de conselheira, muitos homens que dormira ao seu lado voltavam pra casa sabendo um tanto a mais para fazer uma mulher feliz, e a maioria das mulheres que ouvia os seus conselhos tinham um fino trato na arte de seduzir homens.
Adquirira toda experiência na arte de dá o cu e chupar pau, morder e mordiscar, lamber e sugar, o que vestir e o que tirar, etc. Virou uma expert do sexo e do relacionamento.
Valdemar morrera e muitos acreditavam ser de desgosto, contudo, Elvira e os que a cercavam sabiam que ele morrera de felicidade. Pois é, felicidade mata! E Valdemar morreu de sorriso aberto, logo depois de uma das noites tórridas de sexo entre os dois.
Elvira escrevera 25 livros, muito bem vendidos por sinal, mas com pseudônimos que ela prefere não informar para que o mistério continue a lhe render histórias e também noites de sexo. Em pleno 97 anos de idade, ela jura que ainda faz sexo normalmente, aliás, nada nela é tão normal assim. Diz que o único desconforto é tirar a dentadura na hora do oral, pois, segundo ela, não se acostumou com aquele troço na boca.
A partir de hoje ela recebe perguntas que ajudará às pessoas com problemas de ordem sexual e congêneres. Caso você tenha alguma dúvida de como se vestir, como se despir, como chupar, como não chupar, como massagear, como apertar, como morder, como machucar, como não machucar, ou quaisquer dúvidas neste âmbito, mandem seus e-mails para elvira.madalena1924@gmail.com e considere seus problemas terminantemente resolvidos acessando o blog http://velhadesbocada.blogspot.com. Seu e-mail e nome ficarão em sigilo absoluto se você quiser.
Claudio R. é o escritor de O Ladrão de Palavras e atribuiu dois terços e meio de seu conhecimento sexual à D. Elvira.
enviada por O Ladrão de Palavras
17/06/2009 10:03
A ARTE QUE SUSTENTA MINHA INSPIRAÇÃO
Por Claudio R.
No mundo de hoje, estamos vivendo sob a sombra tenebrosa da falta de arte nas atividades em que ela deveria ser o precípuo. Reality shows são vistos como fonte de entretenimento viável. Livros de auto-ajuda são mais lidos que grandes obras e a maior expressão artística cultural do nosso país difundida pelo mundo é a novela. Com isso, as pessoas não estão acostumadas com o entretenimento inteligente e com a apreciação da obra de arte verdadeira em suas vidas.
Num livro de Bukowsky há um diálogo entre o personagem narrador e seu amigo, onde o autor, utilizando-se do seu eu lírico, diz que um escritor tem que fugir da realidade para ser essencialmente bom. Todavia, não é o que estamos encontrando nos dias atuais, pelo menos não é o que o leitor está querendo.
Recentemente fui abordado sobre a temática dos personagens narradores dos meus escritos, o leitor em questão estava buscando resquícios e/ou traços autobiográficos. Há uma grande confusão entre o eu lírico e o eu autor. Não há separação entre o que é a opinião do autor e o que é do personagem narrador em primeira pessoa. Estas intempéries literárias são causadas por essa influência de qualidade duvidosa (no mínimo) do que é lido.
A Europa sempre foi mais artística que a América, somos filhos do refugo da colonização. Os cultos e intelectuais não legaram nada para os que nos antecederam e por isso somos o que somos. Assim, estamos preferindo a auto-ajuda em detrimento dos clássicos; por isso que um filme com uma expressão artística forte não se torna campeão de bilheteria; e no fim a obra de arte é esquecida.
Há muito tempo eu escrevo contos, crônicas e ensaios, mas prefiro os primeiros, por ser a minha expressão artística mais formidável. É ali que exponho a minha força artística de um mundo que não existe ou até existe, ali é a arte falando através das minhas mãos, mesmo eu não sendo o seu melhor intérprete.
Eu assisto novela, este é um dos meus maiores defeitos aqui é o eu autor quem está falando, o eu lírico não diria isso nem sob tortura atualmente vejo raramente uma novela onde um macaco pinta melhor que um homem. Nestes instantes, um amigo diz que não vê nada de mais nas telas do macaco, e eu tento mostrá-lo a expressão artística contida nas misturas de cores, o sentimento colorido, a agressividade, o formidável, etc, porém isso só deveria ser visto se ele fosse racional ele, leia-se, o meu amigo, não o macaco.
Jamais confundam um personagem narrador com o seu autor e criador, pois podem deixar de enxergar a arte implícita ali. Há muito mais entre a curiosidade sobre a vida do autor e o mistério do que o autor quer expressar usando o eu lírico. O que inspira nem sempre é uma verdade existente e, também, a verdade existente invariavelmente está subentendida, nunca explícita.
Claudio R. é o escritor de O Ladrão de Palavras e é só aqui nessa linha que ele não está sendo escritor.
enviada por O Ladrão de Palavras
12/06/2009 15:09
COMPLEXOS TENORES
Por Claudio R.
Faltaram-lhes os corpos atando-se sofregamente
O futuro ser como o pedido de presente no passado
O homem e a mulher terem se amado
A beleza ainda lhe é bem vista
A mulher ainda é bem quista
Os sonhos... Estes se dissiparam
As correntes não se uniram
As algemas se repartiram e uniram em paradoxos
Faltou crescer junto, entender junto e junto juntar-se
Faltou repudiar Platão e sua forma esdrúxula de amar.
Careceu de sonhos que soprassem em vozes tenores
Não houve simplicidade nos amores
E o complexo sem nexo prevaleceu.
Onde acordar agarrado não foi verdade
Os acordes do violão não a acordaram
E as dissonâncias do lúbrico ficaram num sonho distante.
As vozes consoantes ainda suspiram
Os corpos ofegam em direções diferentes
Ledos, oblíquos e dissimulados num querer...
A querência de um ato, uma cena, uma peça inteira.
A ópera tem que continuar... Ovações.
Claudio R. é o escritor de O Ladrão de Palavras.
enviada por O Ladrão de Palavras
08/06/2009 22:19
A PARTE IRRESISTÍVEL.
Por Claudio R.
Não é por maldade absoluta e tampouco por um ensejo sujo de um mal querer, ela fazia aquilo por não saber. A ignorância emocional a cercava e ele vivia um desconsolo que merecia a compaixão dos céus, mas não queria se desvencilhar dela e do relacionamento que os atavam.
O que parecia um desprezo deliberado, nada mais era que alguém que tomava atitudes incorretas acreditando ser o contrário. Por não conhecer as leis que regem os laços afetuosos e sexuais entre dois seres, ela impedia a felicidade de ambos. Todavia, os livros jurídicos que ele detinha em sua estante e expunha explicações para tudo, exceto para o desvelo que ele sentia falta.
Ele cria que a ignorância ou má interpretação da lei não justifica a falta do seu cumprimento nem isenta as pessoas das sanções nelas estabelecidas, por conta disso, ela não estava ilibada da revolta e da vingança idiota que ele cumpria silenciosamente, sem sucesso, diga-se de passagem. Estava lá naqueles livros que ele utilizava para fazer valer a lei como forma de sustento. Ele não soltava bandidos, como diziam, ele fazia o esclarecimento e queria isso naquele amor que vivia a anos.
Tão perdido e tão irresistível. Não conseguia explicar como algo que, teoricamente, não merecia lutar pudesse ser tão magnético, como se não pudesse escapar da batalha e tivesse que continuar com as vestes militares, o capacete e o seu fuzil lutando por aquele amor, embora emudecido.
Assim, ele apenas enxergava a culpa da maneira dela amá-lo. Sim! Ele acreditava no amor dela e talvez fosse isso que o segurasse lutando... Ele a via errando quando chegava carente de carinho, atenção, feito um guerreiro espartano que tinha a retribuição de suas mulheres banhadas, perfumadas e adornadas com o que tinha de melhor. Ele a via errando quando ela não sucumbia veementemente os anseios eróticos dele. O seu erro também era evidente na mínima falta de desvelo pelo homem que ele se entendia ser.
A vontade dele era o primordial naqueles momentos de carência, a urgência lhe tomava pelas mãos e ele precisava fugir daquela prisão sem paredes que um relacionamento tépido se assemelha. Ele queria um romance, como nos contos onde não havia a monotonia e nem os afazeres da lida cotidiana.
Ainda faltava-lhes muita coisa para que isso acontecesse... Ele acreditava que o amor poderia, sim, sobrepor o tempo passando e todas as suas conseqüências. Ela acreditava em tudo, menos nisso. Ambos não imaginavam que o amor é sinônimo de sua rima mais pobre, a saber, a dor. E por mais que tentassem, sempre haveria sofrimento rondando os dois, pois o amor é uma causa perdida e o sofrimento lhe é irresistível, entretanto, é válido persistir.
Claudio R. é o escritor de O Ladrão de Palavras.
enviada por O Ladrão de Palavras
04/06/2009 11:43
DEUSAS DA IMPERFEIÇÃO
Por Claudio R.
Feia, gorda e demente. Não, eu não estou falando mal de uma ex-namorada ou afins. Estas são, sim, as primeiras características que vêem a mente de qualquer pessoa quando se trata do fenômeno desacreditado chamado de Susan Boyle. Ela é talentosa, e estudou para ser assim, fez curso de canto e por isso tem a aquela maviosa voz que todos ouviram no youtube e depois na mídia televisiva. O que intriga, entretanto, é o fato de existirem tantas outras mulheres com talento idem e não alcançam o mesmo sucesso (e espanto) que acompanham Susan.
A verdade é que as pessoas associam beleza ao talento e por isso Susan foi desacreditada por júri e plateia naquele concurso e consequentemente não poderia ser talentosa. O mundo de hoje só aceita o tipo de beleza imposto pelas passarelas (aqueles tipo de mulheres que os gays preferem para usar como cabide), portanto, a gordinha biló da Escócia não poderia cantar como a Sandy.
Quem ama o feio, bonito lhe parece. Nunca gostei deste ditado, pois a beleza nunca me foi um requisito para amar ninguém. Assim, eu poderia amar a feia ou a bonita e não está preocupado com aquilo, a perfeição física não estava nas minhas pretensões, bastava ter gosto por ser mulher.
Susan Boyle é feia! E eu não amo ela por não ser bonita, não a amo por não a conhecer. Todavia, ela canta como poucas mulheres bonitas que estão aí na mídia fazendo o tão sonhado sucesso. Apareceu como uma coitada de um lugarejo e por mais este motivo não poderia ser fenomenal. Estamos vivendo num mundo onde o belo é especial, o lindo é maravilhoso (ops, perdão Caê!) e ninguém pode ter um aspecto especial na sua vida se não for perfeito em todos os outros aspectos.
Um exemplo também um tanto recente disso é Mallu Magalhães, a menina falante e bela que canta e compõe em inglês. Traduzi do inglês para a nossa língua pátria (santo google tradutor), e achei as músicas dela um tanto bobinhas, porém, equivalente à idade dela. Ela canta bem, está acima da média das meninas da idade dela que conheço e por enquanto só encontrei um defeito grave: ela namora um camelo, digo, Marcelo Camello todavia, ouviu-se comentários pejorativos em relação a ela e toda a sua majestade musical. E isso motivado por o defeito da humanidade em encontrar defeitos naqueles que lhe são considerados deuses mortais.
As pessoas vociferam palavras e pensamentos torpes em relação a estas pessoas pela ponta inferior do ice berg da inveja que lhes tomam. Mallu Magalhães não pode ser especial por que é uma adolescente despretensiosa, embora inteligente e está perto dos mortais que a ouve. O mesmo acontece com Susan Boyle, ela não poderia cantar assim, pois tem defeitos e não cabe defeitos nos endeusados. Deuses merecem um lugar superior, o mínimo de inferioridade que vierem travestidos já lhe concede nuances mortais. Contudo, sinto informar que, até os Deuses do Olimpo tinham defeitos, mas permaneceram Deuses.
Claudio R. é o escritor de O Ladrão de Palavras e é ateu, por conta disso, não acredita nas divindades... Mallu, me dá o seu telefone.
enviada por O Ladrão de Palavras
15/05/2009 18:24
A FALTA QUE A PAIXÃO FAZ
Por Claudio R.
Necessariamente não é você que me faz falta, mas as coisas que trazia consigo, coisas que poderia encontrar em qualquer mulher, mas que vejo e não enxergo, o que torna o meu convívio com qualquer outra uma companhia pífia. A carência faz a paixão ser mais forte, salienta as qualidades e traz a tolerância dos defeitos da outra parte. Esta carência pode existir ou simplesmente ser uma fantasia, não sei exatamente o que se passou comigo, mas eu sempre acreditei que a paixão é a supressão de uma necessidade que você tem, acredita ter ou precisa ter para que o outro susta.
E assim, o que me faz falta são as palavras que você me dizia quando queria alguma coisa de mim. O jeito carinhoso que só utilizava comigo... O tratamento diferenciado sempre me agradou e você nem sabia disso, mas mesmo assim utilizava-se deste artifício.
Sinto a ausência de como você me esperava todo dia, quando eu chegava de cara amarrada e exausto, você insistia para que eu transasse contigo, como se estivesse mendigando um carinho pelo qual você não merecia. Entretanto, você sabia que, além de merecer, tinha direitos adquiridos pelos benefícios que incorreu em tempos idos.
Definitivamente, só o fato de usar a minha calcinha preferida, só isso já deveria lhe trazer o merecimento de tudo que quisesse de mim. E eu sinto falta da sua calcinha fio-dental, principalmente aquela vermelha de amarrar em apenas uma das laterais. Logo eu que tinha a cor vermelha como sinônimo de meretrício. Tolo! Você era a minha meretriz e sempre foi só minha. A santa com as vestes que retirava à noitinha e utilizava-se dos gemidos para me excitar ainda mais. Eram estes mesmos gemidos que faziam a minha fama de exímio amante perante a vizinhança.
Sinto falta quando eu queria só um banho e você me puxava para dentro da banheira querendo mais de mim. E eu me fazia de inocente para que você aprimorasse o seu jeito indecente de me fazer bem.
As unhas feitas, o batom delineado, o contorno nos olhos, a depilação do púbis brasileira, a cama vazia as quatro da manhã quando você voltava pra casa antes de todo mundo acordar, tudo isso deixou uma lacuna enorme aqui comigo.
Restou a vaga de uma paixão aqui, restou as lembranças de quando eu entrava, a seu pedido, pela janela a noite e tinha que me esquivar pela manhã para não ser visto por alguém da sua família. E como eu disse, não é você quem me faz falta, não a sua pessoa, pois eu poderia usufruir disso com qualquer uma mulher. Todavia, não sei se encontrarei alguma mulher que andará comigo assim como você andava. Uma que fizesse tudo o que eu gosto de fazer e que simulasse um prazer nos olhos em está comigo numa atividade chata.
Insisto em chamar de lacuna de uma paixão sentir falta do gesto excêntrico de quando você me visitava nas manhãs de domingo com o azo de assistir à fórmula 1. Não víamos nem o início, em troca disso você reclamava da minha cueca de cor esdrúxula e a retirava para que nós fizéssemos o sexo dos deuses.
Vou continuar sentindo a sua falta, ou melhor, a falta das coisas que você fazia, mas a minha carência não poderá ser medida apenas com a supressão disso tudo, pois a paixão é sempre mais que isso, mesmo que ninguém acredite. Nem eu, nem você.
Claudio R. é o escritor ausente de O Ladrão de Palavras, mas pretende voltar o mais rápido possível ao hábito prazeroso de escrever
enviada por O Ladrão de Palavras
10/01/2009 16:06
O NADA
Por Claudio R.
Estes dias eu andei com muita inspiração, mas com a costumeira preguiça não escrevi nada. Daí a inspiração foi embora e eu fiquei sem nada pra escrever, estava almoçando, onde eu comi quase nada e como não tinha nada pra pensar, resolvi pensar no que eu precisava escrever, pois meus leitores estavam sem nada meu até então. Assim, depois de tanto nada, pensei em escrever sobre o nada.
E descobri que eu gosto do nada, não que eu tenha nada contra o tudo, mas o nada também me fascina. Nada pra fazer é bom. Nada pra pagar é desopilante. Nada pra adoecer. Nada pra pra nada. O nada posto nestes contextos é tudo de bom. E é contraditório o nada ser tudo, haja vista que o nada é nada ou coisa nenhuma.
Eu já estive várias vezes sem inspiração, mas nada muito sério, certa vez eu não sabia onde ela estava e a encontrei em meio ao nada, sei que isso não tem nada a ver com o nada que estamos falando, pois o problema com este nada aqui é que ele está sendo usado como o tudo, pois eu não tinha nada a dizer e nada melhor que falar de nada.
Às vezes as pessoas confundem as expressões e eu acho interessante esta confusão quando é feito com o nada. Eu não tinha nada pra fazer, por isso fui embora, veja bem, se você não tinha nada pra fazer é por que você tinha tudo pra fazer, então você não deveria ter ido embora, deveria ter ficado para fazer o tudo. Correto? É, desculpe-me. O nada é muito complicado, nada fácil de explicar.
Provavelmente você não entendeu nada desta minha investida com esta expressão que muitas vezes é tudo para alguém que não tem nada a dizer. O nada é muito forte, e se eu fosse realmente expressar o nada, aqui nesta crônica, não deveria ter escrito nada, visto que nada melhor que uma folha em branco ou melhor, uma folha sem nada escrito para da acepção ao nada. Mas não se engane com tudo que eu tenho dito: nada é o que parece ser!
Li outro dia, num texto que não dizia nada, que o nada é maior que o tudo, pois, segundo o autor, há mais coisas que não existem do que coisas que existem. Contudo, venho dizer que a frase é contraditória, pois o verbo haver tem significado de existir, e sendo assim, como poderíamos dizer que existem mais coisas que não existem do que as que verdadeiramente existem?
Na falta de tudo, vai nada mesmo. E o nada cresce a cada vez que eu penso em nada, pra falar a verdade, esta crônica deveria ter parado lá no primeiro parágrafo, mas, que nada, eu continuei falando e foi surgindo tanto nada na cabeça que já vamos em quase um jornal inteiro sobre o nada.
Quando eu era criança, confundia o nada do verbo, no qual Phelps é exímio, dos outros nada que estamos falando. Acabava que quando alguém tentava me explicar, eu não entendia nada esse nada pode ser substituído por porra nenhuma. Por falar em substituir, o nada é uma palavra muito ousada, cabe em mais frases que tudo que você pensar. Poucas palavras são como o nada, que é substantivo masculino, pronome indefinido e advérbio. Se bem que eu não sei onde o nada entre no caso de pronome e advérbio, mas isso não é nada diante da profusão de tudo que o nada pode ser.
Bem, chegamos ao último parágrafo, e vejo que no fim das contas tudo deu em nada. Nada a declarar, exceto que já escrevi mais de 400 crônicas e, em matéria de dinheiro, não ganhei nada com isso. Essa é mais uma das que não ganharei nada, mas meus leitores são mais que tudo, mesmo eu não ganhando nada. Posso dizer que sou um Sócrates e venho pra dizer que só sei que nada sei. E nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia.
Ah, eu menti sobre o último parágrafo!! Mas não digam nada, não me excomunguem e nem fiquem irritados, afinal nada é o que parece ser. Entretanto, eu criei mais um parágrafo porque me esqueci de dizer que, mediante a minha insignificância, a Rosane é o meu tudo e eu não sou nada sem ela. Embora muitas vezes, sobre ela e o amor, eu nada diga, agora todos vão dizer que eu disse tudo.
Claudio R. é um escritor de nada e ainda assim acha que está bom, pois é melhor que ser um escritor de merda nenhuma
enviada por O Ladrão de Palavras
07/01/2009 17:56
COISAS QUE O DINHEIRO NÃO COMPRA
Por Claudio R.
Toda vez que a mega-sena sai com um valor estratosférico faz com que muitas pessoas sonhem com o prêmio, inclusive esse escritor que vos fala. Eu quase sempre jogo, não é uma freqüência grande, mas sempre que estou entediado com o meu trabalho, eu vou lá e marco os mesmos números. Os sonhos são grandes, tantos os meus quanto os dos que me cercam.
Houve uma época em que eu jogava 2 vezes por mês, juntamente com um amigo que jogava também suas duas vezes, para que não disputássemos o mesmo prêmio, jogávamos em semanas alternadas. Quando eu jogava, ele não e vice versa. Tínhamos um pacto em que um daria um carro excelentemente bom ao outro, caso ganhássemos o prêmio.
Aos olhos dos outros, aquele era um pacto esquisito e mesquinho, haja vista que um carro era muito barato para quem ganharia milhões. Porém, entre nós, havia o discernimento e a racionalidade para sabermos diferenciar o que verdadeiramente seria cumprido após o ganho do prêmio. A gente sabia o que queria enquanto éramos dois pobres, mas quando um de nós se tornasse rico, não sabíamos o que se passaria por nossas cabeças, mas, principalmente, não sabíamos o que os nossos parentes e entes queridos iriam pensar em relação às nossas vidas dali em diante.
Bem, esse tipo de coisa não é muito levado em conta quando se almeja um prêmio gigantesco, e sim, um monte de realizações que beira a insanidade. O dinheiro, além de poder, traz a loucura com ele, bem ali escondida, está ela, e quem não sabe controlar, ou como diria o Frejat, quem não sabe quem é o dono de quem, acaba cometendo asneiras.
Eu não acredito na sorte, tampouco na idéia de merecer, não fica nem bem para um ateu convicto, e homem completamente desprendido de coisas místicas, acreditar em coisas do tipo. E é por isso que as minhas realizações almejadas pós premiação é bem pé no chão, quase tão bem calculada aliás, muito bem calculada numa planilha excel com todos os ganhos e os possíveis gastos.
O que você faria com 44 milhões?
Caso eu ganhasse os 44 milhões do sorteio mais recente, com certeza, muita coisa iria mudar na minha vida. Eu fico, as vezes, imaginando a cena não a sena em que eu ganharia o prêmio e entraria no banco com toda arrogância que já tenho hoje, revestida nos milhões recém ganhos, e pediria ao gerente da CEF que me atendesse, caso não fosse atendido com todos os mimos que tamanha quantia merece, pediria a ele gentilmente que fizesse um cheque administrativo para que eu fosse depositar a grana noutro banco. Outra coisa que seria praxe seria nunca mais por os pés num local de trabalho.
Fiz uns cálculos, a grosso modo, com os juros normais da poupança, fazendo um saque mensal de 30 mil, em 1 ano eu teria 47,8 milhões. Penso que com esse gasto mensal eu teria uma vida de rico e ainda lucraria 3,8 milhões em 1 ano. Sem contar que os juros da poupança poderiam ser negociados para mais entre os bancos que eu escolhesse.
Eu daria uma boa vida para minhas duas mães, meu pai e meus irmãos. E a minha ajuda se restringiria a eles, meus amigos, se verdadeiros fossem, teriam que se contentar com a felicidade do seu novo amigo rico (risadas metafísicas).
Todavia, existem coisas que o dinheiro não compra, mas manda buscar onde tiver. Eu realizaria todos os meus sonhos de consumo. Viajaria muito, sobretudo pela Europa, e para não perder o costume, conheceria vários países pedalando a minha Specialized de fibra de carbono - que hoje eu teria que trabalhar 2 anos sem gastar um tostão para poder pagar. Tentaria me manter o mais culto possível, para poder aproveitar o máximo do que o dinheiro não compra. Iria tentar me aperfeiçoar nos esportes que idolatro jiu-jitsu e ciclismo e o resto do tempo, como diria um grande amigo, ficaria peidando para o cão.
Eu não montaria empresa, não compraria ações, não compraria imóveis como fonte renda, nada que me trouxesse preocupação. Eu apenas seria alguém muito rico que vive da renda mensal líquida de pouco mais de 30 mil reais. Das coisas que o dinheiro não compra, a que mais desejo ter é a de não trabalhar, não ser nem empregado, nem patrão, ser um aposentado com 30 e poucos mil, aos 30 e poucos anos, mas ainda muito inteiro.
Aquele meu amigo da época em que jogávamos juntos, dizia que se ganhasse uma quantia assim trabalharia por mais um mês só pra ter o prazer de mandar o chefe tomar no cu. Enquanto eu dizia pra ele:
- Caso você ganhasse, e continuasse trabalhando, eu torceria para que uma máquina lhe atropelasse falava isso em tom jocoso e emendava - e ainda lhe deixasse paraplégico.
- Você é muito filho da puta respondia ele, e eu dizia:
- Filho da puta é você que quer ser um milionário que trabalhou por 30 dias caíamos na risada e eu ainda dizia pois eu lhe digo que nem sei se cumpriria o nosso pacto, teria o prazer de sumir e nunca mais mandar notícias minhas, este prazer o dinheiro não compra.
"E você, o que faria caso ganhasse 44 milhões?"
Claudio R. é um escritor meia-boca desconhecido, um lutador medíocre, um ciclista idem, mas com 44 milhões tudo isso iria mudar
enviada por O Ladrão de Palavras
12/12/2008 10:34
AS CELEBRIDADES INSTANTÂNEAS
Por Claudio R.
Andressa Soares, a Mulher Melancia, é constantemente assediada por fãs e por fotógrafos. Mas o que a Melancia tem de mais? Não é a bunda enorme ou as coxas grossas, tampouco a sua falta de barriga num corpo avantajado. A Andressa é apenas uma mulher com uma beleza fora dos padrões de passarela, onde modelos magérrimas se exibem. Ela é uma mulher com um carisma inteligente e, acima de tudo, ela é sensual.
Seguindo a onda da melancia surgiram as outras mulheres frutas, e da mesma forma, se exibem dançando funk, contagiando as pessoas e atraindo os olhares masculinos para os seus derrières imponentes. Entretanto, estas mesmas atraem também a ira, o ciúme e a inveja das pessoas mal-amadas.
Outro dia eu estava lendo uma crônica de uma mulher, a qual eu acho muito inteligente e de boa escrita, porém ela criticava ferozmente a pobre moça, como se esta fosse uma criminosa ou congênere. O ponto de vista da escritora, eu vi novamente num comentário de outro cronista, quando disse que a Melancia era apenas uma mulher gordinha a beira da obesidade. Tentei enxergar onde estava encravado o rancor destas pessoas e vi uma mulher feia, mas inteligente, que queria ter um pouco mais de bunda, um pouco menos de barriga, um pouco mais de olhos sobre si. Vi também um homem com uma frustração de adolescência por ter recebido fora da gostosa do bairro.
O ser humano, pela própria essência é mal, e sendo assim, ele tem resquícios característicos de um mau caráter, com certeza estas atitudes são inconscientemente, o que denota ainda mais que no seu intrínseco o ser humano não é nada humano. Ter características tidas como humanas consiste em ficar feliz quando alguém com um poder aquisitivo pífio consegue obter sucesso sem prejudicar ninguém e sem cometer nenhum crime.
A cultura do eu te disse se prolifera a cada dia, e quando algum destes ícones imediatos cai ou é ridicularizado estas pessoas celebram numa roda com gritos de alegria e fogos de artifícios. E tudo isso pelo prazer que a inveja e o orgulho trazem a estas pessoas. O que me surpreende são as pessoas, como os escritores supra citados, com inteligência acima da média e teoricamente bem resolvidas, portarem a doença da insegurança.
Não é raro vermos os famosos de reality shows sendo criticados pejorativamente, puramente pelo fato de que, por algum atributo físico ou sorte, estas pessoas alcançaram uma exposição da mídia que muitos almejam. Notadamente vemos os queixumes invejosos daqueles que dariam muito - ou até não daria nada para está naquele lugar.
Olhando um pouco mais perto, vemos o que acontece com aquela mulher feliz e de bem com a vida, a perfeição em pessoa, tem aquele tipo de fama que seduz seguidores como uma seita religiosa e que também atrai os olhos invejosos. Invariavelmente este tipo de pessoa é alfinetada o tempo todo, procuram defeitos sem valor ou até os põe, ensejando depreciar a famosa em questão.
Ainda, o mesmo acontece com o homem que é assediado pelas mulheres, por conseqüência, namora todas as meninas que o cercam. Este também recebe as flechas invejosas que o difamam com comentários pejorativos pondo em dúvida a sua masculinidade.
A inveja é uma doença que acomete várias pessoas, um vírus silencioso que derruba as barreiras naturais da decência e do amor próprio. Pessoas invejosas sofrem de complexo de inferioridade e por isso querem diminuir o sucesso alheio para que estes se equiparem às suas insignificâncias. Uma bunda bonita e avantajada, um seio farto, uma barriga torneada, uma fama com mulheres e amigos e o sucesso em geral atraem os olhos nefastos das pessoas de baixa auto-estima.
E não importa se os olhos admirados estão direcionados às frutas da estação, aquele sujeito pegador ou aquela menina namoradeira, sempre também haverá alguém com traumas psicológicos os invejando e sonhando com o dia do seu insucesso.
Claudio R. é o escritor de O Ladrão de Palavras e já ouviu o coro da torcida gritando para que broxasse ou para que o seu cérebro fosse amputado.
enviada por O Ladrão de Palavras
05/12/2008 12:52
O SEU CHEIRO
Por Claudio R.
Quando Napoleão Bonaparte exigia de sua esposa, Josephine, que não tomasse banho Volto à Paris em 03 dias, não se lave, não tome banho ele estava tratando do órgão sexual mais eficiente do corpo humano, a saber, as narinas. Não só Napoleão e os europeus tinham este hábito um tanto esdrúxulo aos olhos da atual sociedade, várias civilizações antigas também reconheciam que, nas circunstâncias adequadas, o cheiro característico do corpo humano podia ser um excitante afrodisíaco.
Todavia, hoje os cheiros naturais são disfarçados com poderosas fragrâncias artificiais e muitas vezes até com objetivos deturpados, leia-se: alguns homens que usam fragrâncias femininas e algumas mulheres que usam as masculinas.
Os nossos olfatos foram devidamente preparados pela natureza para antecipar sabores, anunciar perigos, encontrar alimento e água e ainda distinguir o período fértil das fêmeas. Algumas tribos indígenas ainda conseguem ir mais além nos tempos ora vividos, quando conseguem distinguir o cheiro da gravidez e também do período que antecede a menstruação.
Outro dia eu li sobre uma pesquisa que indicava o cheiro como regulador menstrual, ou seja, as mulheres que dormiam com homens constantemente tinham ciclo menstrual regular, enquanto as solteiras tinham desregulado. Acredito que aí esteja contido mais um efeito do instinto de procriação, justificado no fato de que as mulheres solteiras, por não terem um parceiro fixo, estariam expostas ao acaso e com isso não teriam necessidade de serem precisas no seu ciclo.
Quando eu digo que prefiro uma mulher sem o uso de fragrâncias artificiais, basta apenas que esteja limpa ouço de um amigo que diz que eu estou legislando em causa própria, por eu não ser adepto das fragrâncias artificiais em mim mesmo. Mas não é bem assim, e basicamente porque as narinas masculinas são mais apuradas que as femininas, não cabendo aí a idéia de que eu estaria atraindo mulheres com o meu cheiro ou a falta dele.
De certo que o sexo cheira e o cheiro do sexo lembra sexo e a lembrança do sexo traz a vontade do sexo e a vontade do sexo faz com que esse círculo virtuoso se perpetue. Entretanto, há algo interessante em relação ao cheiro, uma dúvida quase filosófica: você gosta de alguém pelo cheiro que ela tem ou gosta do cheiro que ela tem pela pessoa que é?
Quando eu dava aulas de jiu-jitsu os homens tinham cheiro fortes e as mulheres menos. Mesmo as mulheres usando do artifício das colônias e desodorantes, ainda assim, elas tinham cheiros fortes de suor e do kimono lavados uma vez por semana, contudo, eu não me incomodava com o cheiro deles, e não sei se era por está acostumado ou se era pelo carinho que eu tinha pelos meus alunos.
Num lugar onde todos cheiram mal ninguém fede, assim, onde todos cheiram bem, quem cheira mal, fede, e fede muito. É por isso que as pessoas hoje tenham grande dificuldade em aceitar, pelo menos em público, que os odores característicos do corpo humano são poderosos afrodisíacos. Nunca namorei uma lutadora de jiu-jitsu, mas já namorei em academia, onde as mulheres estão suadas e despidas dos cheiros artificiais e é ali que eu consigo distinguir até onde aquele cheiro me levará, é aquele cheiro que me fará apaixonar ou não, é aquele cheiro que me trará a recordação quando eu fechar os olhos.
enviada por O Ladrão de Palavras
18/11/2008 15:50
OUTRAS FORMAS
Por Claudio R.
Miguel entrou no aeroporto alheio a toda e qualquer presença por ali, seu olho procurava no painel a informação se o seu vôo estava dentro do previsto. Ele foi direto para a sala de embarque. Lá, fixou o seu olhar na janela que dava para o pátio de manobras dos aviões. Observava atento o trabalho braçal dos operários com as bagagens e afins.
A sua volta havia pessoas que também não estavam incomodadas com a presença das outras e apenas se preocupavam com os seus livros e revistas. Algumas delas liam, outras falavam baixinho ao telefone. Uma mulher entrou na sala e saudou a todos, Miguel olhou para a mulher e nada respondeu, ficou atônito com a beleza e simpatia dela. Antes de ela colocar-se para dentro da sala alguém a chamou, ela voltou-se pra fora e abriu um sorriso caudaloso e sincero.
- Oi Mila, como você está meu bem? Falou o homem num tom ledo e numa demonstração de afetividade efusiva. Era um homem de estatura média, forte, não era bonito, mas era alegre e o seu sorriso era sincero. A mulher, Mila, não lhe disse nenhuma palavra, apenas lhe abraçou ternamente, passava as mãos carinhosamente pelo pescoço, acariciando as orelhas e beijou-lhe sofregamente.
Miguel olhava atento àqueles dois, sua cabeça ali jazia pensamentos de todas as formas. Ao olhar, estava tentando decifrar a relação contida nas entrelinhas daqueles afagos e beijos.
Os olhos dos dois brilhavam e parecia lacrimejar, o homem olhava incisivamente enquanto a mulher o afagava com as mãos, boca e língua. Os beijos eram dignos de uma preliminar de filme erótico, mas ao mesmo tempo aquele erotismo era tomado por um romantismo singelo.
Aquela voz característica do sistema de som do aeroporto chama o vôo 3740, com destino à Paris e Miguel se desprende da visão do casal, confere o seu bilhete e segue para o embarque. A mulher aproveita até o último segundo que tem direito e arrasta o homem consigo até o portão de embarque, os dois se beijam mais uma vez e se despedem.
Coincidentemente os assentos de Miguel e Mila são juntos. Miguel já está acomodado quando ela chega ajeitando a bagagem de mão e senta-se. O semblante dela causou estranheza em Miguel, completamente refeita, não havia mais marcas do choro, do pranto contido, parecia outra pessoa, não a mesma que outrora estava chorosa.
- Obrigado! Disse Miguel a ela, a qual não entendera.
- Por que está me dizendo isso? Interrogou ela e continuou Não fiz nada.
- Estou te agradecendo por ter saudado na sala de espera, eu não respondi, estava distraído. ainda se sentiu a vontade pra falar da cena romântica Depois fiquei enternecido com a cena romântica entre você e o seu namorado, marido, digo, parceiro.
Mila sorriu com o comentário de Miguel, os dois se entrosaram numa conversa descontraída. Assim, ele ficou sabendo que ela iria à Paris para participar de um treinamento. Ela, uma ex-comissária de bordo que estava ingressando no ramo de consultoria do assunto. Miguel estava indo a trabalho, como jornalista, iria cobrir um evento esportivo. A conversa dos dois rendia, e como a viagem seria bem longa, todos os assuntos foram postos em voga.
Miguel é um homem bonito de corpo atlético, voz grave e uma inteligência sarcástica que fazia Mila embevecer-se a cada término de frase. Fazia o tipo galanteador e exercitava isso. Por conta disso, os dois logo estavam aos beijos. Depois do terceiro whisky foram parar no toalete e deram uma rapidinha.
- Uê, mas a Mila não estava loucamente apaixonada pelo seu namorado, marido, digo parceiro?
- E o que tem haver paixão com isso aqui?
- Não sei, é que eu achei tão bonitinho os dois ali, é de se esperar que, mesmo eu sendo tudo isso aí, ela não sucumbisse.
- Primeiro, você é um personagem, personagens não opinam. Segundo, você não é tudo isso, aliás, você não é nada, nem sei por que comecei este texto citando você. E terceiro, teve o whisky...
- Um whisky e a mulher já vai logo dando para o primeiro cara que ela acha interessante?
- Melhor você se manter no âmbito de sua insignificância.
Voltando a ficção...
Mila saiu do banheiro meio constrangida e o semblante de Miguel também não era diferente. Após o término do efeito da altitude e do álcool, a situação piorou e, por conta disso, eles terminaram a viagem sem se olharem diretamente.
Em terra firme ao menos o avião estava - coincidentemente eles estavam hospedados no mesmo hotel e ali eles protagonizaram tórridas noites de sexo. Foram seis noites e um dia, até a hora em que tiveram que partir.
Entretanto, como trabalho é coisa séria, durante os seus compromissos, eles fizeram o que deveriam ter feito e com sucesso.
Contudo, um fato merece ser explanado... Mila acabara de se casar, havia 25 dias, conhecera o seu marido 04 meses antes. Aquela era a primeira vez nestes 120 dias que eles estavam ficando distantes. Quanto a Miguel, ele era um jornalista gay que estava cobrindo um evento esportivo, jamais cogitou a hipótese de um dia sentir atração física por uma mulher e aquela era a primeira vez que ele havia tido uma relação heterossexual. Talvez a cena enternecedora do aeroporto o tenha hipnotizado e de tal forma que nas várias, intensas e intermitentes vezes que transaram eles não trocaram uma palavra sequer.
Na volta ao Brasil, cada um retornou à sua vida normal. O marido de Mila a estava esperando, e os dois voltaram as entrelinhas daqueles afagos e beijos. Os olhos brilhavam novamente, Mila o afagava com as mãos, boca e língua. E os beijos, novamente, eram dignos de uma preliminar de filme erótico, mas ao mesmo tempo aquele erotismo era tomado por um romantismo singelo.
- Como é que é?
- Como é que é o que? Eu já não mandei você se calar, o autor aqui sou eu, não aceito opinião de personagem vaidoso...
- Tá, tá, tá, mas que porra de história é essa que eu acabo como viado?
- Você não acabou como viado, já começou sendo...
- E como se explica isso?
- Não precisa explicação. E isso aí, pronto acabou, sempre haverá outras formas.
enviada por O Ladrão de Palavras
12/11/2008 09:20
OUVIDO DE CICLISTA PARECE PRIVADA
Por Claudio R.
Outro dia eu escrevi uma crônica sobre os prazeres esdrúxulos (aos olhos normais) de ser ciclista. Todavia, ser ciclista não implica apenas em prazeres, orgulho e benesses. Ser ciclista também é ter paciência, mas não é a paciência de ficar 5, 6, 7 horas em cima de uma bicicleta, tampouco a paciência de esperar o dia de vencer uma prova. Ciclista tem que ser paciente e tolerante para não partir para agressão física quando ouve certas pérolas dos leigos mais próximos e distantes também.
Tudo no equipamento de ciclismo tem um propósito que não é estético, nada é pra ficar mais bonito, aliás, quem quer ficar mais bonito vai ao salão de beleza. Mesmo assim, as pessoas insistem em fazer questionamentos que beiram a ignorância santa ignorância, Batman sobre estética, prazer, objetivo e a falta dele.
Então, vamos lá, seguem as pérolas que nos deixam na iminência do ataque nervoso.
- Por que você não foi de ônibus (ou as variantes, carro, moto, etc)? Pessoas que falam isso, geralmente não têm um objetivo de vida, são pessoas altamente sedentárias, preguiçosas e até sem vontade de viver. É de se esperar que elas façam este tipo de comentário, mas é igualmente irritante.
- Esse selim não é muito fino? (aí também cabe os comentários pejorativos sobre a masculinidade e o formato fálico do selim) Selins de bicicletas de rua são anatomicamente feitos para que você não sofra muito com os buracos, depressões e congêneres da via, entretanto, ele não é feito para dá maior desempenho, não friccionar com as pernas do ciclista, haja vista que uma bicicleta de rua, geralmente, não é utilizada pelo mesmo tempo que um treinamento de ciclismo. E quando o comparam com um pênis, aí nota-se o tamanho da ignorância, pois, eu pergunto, não seria muito mais fácil sentar num pênis de verdade que ficar pedalando por aí?
- Essa bermudinha é meio de gay... - Essa é clássica, eu fico imaginando o que usaria o homem que pergunta isso, se fosse um ciclista... Acho que um terno lhe cairia bem, uma bermuda jeans ou ainda uma calça cargo.
- Em que posição você chegou? Esta todo mundo faz, e você nota a cara de decepção quando chegamos nas últimas colocações. E eu não os culpo, pois as pessoas tendem a jogar sobre o outro o que elas almejam quando não conseguem lutar por aquilo. E é assim com os esportes vejam como é no futebol, ninguém nunca viu um jogador fanático por um time, mas torcedor tem aos montes. Ninguém quer chegar em último, nem a gente que está ali dentro, mas pra chegar em último, a gente tem que está lá dentro, correndo, sentindo a endorfina passear por nossa corrente sanguínea, sentindo a adrenalina e o ácido lático fazendo o efeito prazeroso de causar dor nas pernas. As pessoas não sentem prazer no prazer do outro, elas participam apenas da largada ao pódio, a infinidade de coisas que acontecem com quem está competindo, nesse meio aí, ninguém nem imagina. Assim, a pergunta mais agradável aos nossos ouvidos orgulhosos seria: Como você está se sentindo?. Com certeza a resposta seria: Meu corpo está doendo, minhas pernas estão bambas, mas eu estou feliz, estou orgulhoso de mim mesmo e me sentindo o superman...
De certo que nós competidores não deveríamos tocar nestes assuntos com pessoas leigas por favor, não falo sobre estes assuntos mas somos uns orgulhosos e queremos contar os nossos feitos. Ontem eu pedalei 92 km...
enviada por O Ladrão de Palavras
07/11/2008 16:09
RECLAMAM DE BARRIGA CHEIA
Por Claudio R.
Como diz a Fabiana, eu sou um tarado, mas ela coloca um atenuante na alcunha onde diz que eu sou um tarado intelectual. Bem, intelectual eu não sou, tarado, talvez. Estou começando a ter certeza que sou tarado depois que li uma reportagem sobre as maiores reclamações das mulheres em relação aos seus relacionamentos. E a maioria dos queixumes era em relação à freqüência sexual de seus parceiros. Não havia satisfação por eles estarem muito aquém do que elas desejavam.
Nas minhas andanças sexuais, eu sempre sonhei em encontrar uma mulher, uma sequer, que dissesse frases assim, que se queixasse da falta de sexo, que a minha freqüência era menor do que o desejo dela, que escrevesse em revista pedindo conselhos, que comentasse com as amigas, mas ao invés disso geralmente eu escuto frases assim:
Você só pensa nisso!
Ai me dá um descanso, puxa vida, eu tenho que levantar daqui a pouco
Eu só vou agüentar te ver agora depois de uns 03 dias
Aqui não meu amor, tem gente olhando
Você está cego que não está vendo aquelas pessoas ali
Dá pra se segurar até chegarmos em casa
Benzinho, vamos entrar, alguém pode ver a gente aqui na portaria (do motel)
Dentro de um carro? Certo, mas num ônibus coletivo já é de mais
Você quer morrer fazendo isso tudo bem, mas querer me matar, sinto muito...
Você não estava doente até neste instante?
É só uma massagem, nada mais que isso, hein
Ainda bem que você é como é, senão, teria que atacar as mulheres na rua
Pois é, enquanto umas reclamam de barriga cheia, outras reclamam de barriga vazia e tem gente que não reclama por que não sabe a quem reclamar. É isso.
Claudio R. é o escritor de O Ladrão de Palavras
enviada por O Ladrão de Palavras
06/11/2008 11:42
VIVENDO O LADO SÓ
Por Claudio R.
Agora que não tem mais jeito, eu venho dizer que ainda não sou uma mulher realizada nestes anos todos sem ti. Eu gostaria de dizer-te que não te traí, não te troquei por ninguém. A parte boa de mim sempre foi tua, nunca me doei mais do que o necessário para satisfazer os anelos fulgurantes da luxúria.
De certo que soa estranho uma mulher dizendo-te estas coisas, mas no fundo tu nunca ligaste para tal ato, tu sempre fostes um homem sábio e com uma cabeça imparcial. Eu sempre te amei, meu amor, tu foste o homem mais importante da minha vida, o único homem que me fez mulher, o único homem que me despertou o desejo de viver. Contudo, meu corpo não aceitava a posição torpe de ser subjugada num prazer singular, assim, permaneci com o meu comportamento livre, onde o amor não tem barreiras e o desejo é plural.
Tu quiseste uma mulher como eu. Tu aceitaste domar-me, como um capricho entre os teus amigos, quis a mais bela da academia a mais gostosa, como costumava ouvir-lhes a mais rica, a mais influente, a mais inteligente e por conseqüência de tudo isso, a mais desejada e a mais namoradeira. Meu amor, tu mal sabes que eu também te desejei por todos aqueles dias em que passaste perto de mim sem dizer uma só palavra, me comia com os olhos, me desnudava das roupas e dos meus preconceitos.
Restituíste o que faltava em mim, tu foste um homem pra que eu acreditasse dona, foste o único amor, foste o único a causar a dor em dias de falta, foste o único a preencher o pensamento quando não me preenchia de carne e suor. Embora eu acreditasse ter me obrigado a ser uma maçã que não mais se repartiria para o deleite de outros homens, quando o fiz, foi de uma forma tão superficial que o teu pedaço da maçã permanecia intacto, numa tentativa, com sucesso, de tornar-te o preferido.
Tantos anos se passaram e agora venho a ti dizer estas coisas tolas e que soarão supérfluas aos ouvidos do homem que tem tudo que eu queria pra mim e tem tudo que eu queria ser.
Nós nos amávamos e se tu olhares pra mim verás que a minha íris não brilha ofuscante e efusivamente como quando eu te olhava. Meu corpo não soa nos gemidos estridentes, não sua em fluidos tórridos e nem esvaece em líquidos luxuriosos como fazia quando era tocado pelo teu. Nossos corpos jaziam depois do sexo e tu vinhas com sua mestria em massagens orientais e todo aquele apanhado de coisas que tu eras exímio e recomeçávamos tudo, isso não acontece mais.
Perdão por ter te deixado saber do que eu fazia, por conheceres os homens com quem me deitei, mas que não tiveram, jamais, o que era só teu. Sinto-me culpada por terdes descoberto quando estou tão longe de ti para poder me retratar.
Entretanto, adianto-me para dizer-te que escrevo esta missiva ensejando que tu venhas prestigiar-me, pois eu estou realizando um sonho que surgiu na tua época, e que por isso é tão importante, ganhei um prêmio internacional numa reportagem onde descrevi a tua personalidade. Como tu vedes, ainda hoje, me trazes alegrias e sucesso. Seguem as passagens aéreas. Mando-te duas, pois não sei se já tens alguém contigo. Caso tenhas, não te acanhes em trazê-la, ainda mantenho a discrição e o sigilo, mesmo isso sendo extremamente difícil. Aguardo-te, com carinho, a tua.
enviada por O Ladrão de Palavras
30/10/2008 18:09
PRIMEIRO VOCÊ, EU VOU LOGO EM SEGUIDA
Por Claudio R.
Dois homens, um bem vestido, segurando um paletó, com a gravata folgada e o outro de bermuda jeans, na verdade era uma calça cortada na altura dos joelhos e uma camisa de político, estavam sentados à beira de uma ponte planejando se suicidarem.
- E aí, o que te levou a cometer esse ato que pra muitos parece insano? Indagou o de paletó
- A vida desgraçada, falta dinheiro pra tudo, não tenho mais nada pra fazer por aqui...
- Interessante a sua colocação, no meu caso é o excesso de dinheiro que me traz problemas.
- Como assim? Perguntou o pobre
- Veja bem, eu sou um cara rico, cheio de dinheiro, a vida não é nada fácil pra mim, por exemplo: eu tenho 04 ex-mulheres...
- Puxa vida, doutor interrompeu o pobre minha mulher quis me largar por falta de dinheiro, mas o contrário eu nunca ouvi falar.
- Ah, você não sabe de nada. Eu casei com 04 mulheres que eu nem sei se conquistei, o meu dinheiro deve as ter conquistado. Eu sou uma figura um tanto quanto feia, mas o meu carro, minhas empresas me deixa um cara gostosão para as mulheres. Sempre tive problemas de convivência com elas.
- O senhor está reclamando de barriga cheia, por falar em barriga, eu já passei foi muita fome nesta vida maldita.
- Isso eu também passo direto, quase nunca tenho tempo pra comer, e quando tenho, vou à restaurantes onde a gente tem que comer em porções mínimas que não nos sastisfazem.
- A vida é fácil, doutor, pra quem tem grana. Eu pego 03 ônibus pra ir pro trabalho, de manhã até que é fácil, as pessoas estão todas banhadas, mas é um aperto desgraçado. Você olha para o lado tem gente cochilando em pé, do outro tem gente babando no seu ombro. E ainda tem o risco de assalto o tempo todo.
- Risco de assalto?! questionou espantado o senhor rico eu pensei que só tivesse o risco de assalto quem tinha o que ser roubado. A minha vida é uma dureza em relação a isso, eu não ando sozinho, até pra vim aqui me matar, o segurança veio comigo. E eu não tenho escolhas, tenho um contrato com minha seguradora de vida que me obriga a ter segurança 24 horas, já imaginou o que é ter um homem de 2 metros de altura colado com você?
- Eu já, sim, doutor, direto dentro do ônibus que vou e volto... E o pior é que estes homens sempre estão fedendo a suor. E o senhor pode notar, pela minha altura, onde é que fica posicionado o meu nariz.
- É realmente engraçado falou sorrindo mas o meu caso é bem pior que o seu. Não é nada fácil. De que adianta ter um carro de 160 mil dólares e não poder andar com ele? Eu vivo rodando de helicóptero, e isso já está complicado, pois o congestionamento já está afetando os céus, você viu aquele avião que se chocou com o jatinho americano?
- Eu não vi não, doutor, minha mulher quem me contou. Eu fico quase 18 horas fora de casa. E o senhor ainda vem falar em congestionamento! retrucou o pobre irritado Congestionamento é aquilo que eu pego dentro do ônibus, são 03 horas de manhã e 05 a tarde. Chego em casa tão cansado que nem tenho fôlego pra dá uma cipoada na patroa.
- Cipoada é fazer sexo? questionou o rico, recebendo a confirmação com um balançar de cabeça do seu companheiro desprovido e replicou Eu não sei o que é fazer sexo faz 03 meses, assim mesmo, na última vez, foi com uma garota de programa. Nem beijo na boca rolou, aliás, eu não beijo na boca faz 02 anos. Sexo se tornou algo secundário na minha vida, e principalmente por causa das minhas 04 ex-mulheres.
- Por que o senhor diz isso?
- Aquelas, sim, eram umas prostitutas, só estavam comigo pelo meu dinheiro, e o pior, ainda não faziam sexo comigo. Fui traído duas vezes por cada uma delas. Você sabe como é, a primeira vez a gente perdoa, mas elas não aprenderam. E só não demiti o meu motorista...
- Como é que é, as 04 pegaram o seu motorista? O mesmo motorista e o senhor ainda está com ele?
- É, né, sabe como é. O meu motorista é um sujeito muito prestativo, eficiente no que faz e já está comigo há 15 anos...
- Desse jeito até eu ficaria, doutor. O cara é tão prestativo que presta outros serviços falou sorridente o suicida pobre. Se minha mulher me traísse eu nem sei o que faria.
- Meu amigo, quando uma mulher lhe trair, você não vai ter problema nenhum, não tem dinheiro mesmo pra dividir. E eu? Perdi 50% do meu patrimônio com estas 04 separações, sabe o que isso significa? São 26 bilhões...
- Misericórdia!!! Nem sei contar um dinheiro destes, doutor, o meu salário não dá pra nada, até a luz lá de casa cortaram. E a mulher ainda vem falar que não vai assistir à novela dela e mais um monte de coisa chata. Mulher gosta de reclamar, mas a pobrezinha tem razão.
Ali ficaram os dois contando os seus pesares e os malefícios da vida de cada um. Ser rico e ser pobre. Havia prós e havia contras, mas eles só enxergavam os prós da vida alheia e os contras da própria vida. E assim decidiram por um fim naquilo tudo...
- E, então, vai pular primeiro? indagou o pobre
- Espera um pouco, se quiser ir pulando pode ir, eu acabei de receber uma mensagem aqui no meu Pager dizendo que eu tenho que está no escritório em meia hora... Bolsa de valores está oscilando de mais e nós podemos ganhar muito dinheiro com isso, eles precisam de minha autorização pra entrar num negócio de risco. E aí, sabe como é? O dever me chama. E você, vai ficar por aí mesmo?
- Só um pouquinho, doutor, espera aí que meu celular tá tocando. Vixe, é minha mulher e ainda ligando a cobrar... Oi amor! Eu estou aqui conversando com um amigo que conheci hoje. Ainda não paguei o recibo de luz, mas vou pagar... para de falar com a mulher e se dirige ao rico - Doutor, o senhor tem algum aí pra mim emprestar, sabe como é, né, a mulher tá reclamando que não paguei a conta de luz e o pior é que ela vai ficar sem a novela dela.
- Vou te emprestar 1.000 reais, isso dá?
- Claro e ainda sobra. Agora posso ir lá pagar a conta e amanhã eu resolvo esse negócio de se matar, até porque vai demorar muito para eu chegar em casa de ônibus. Além disso, hoje a mulher vai querer me recompensar e a gente vai ter uma noitada daquelas.
- Ok, se o dólar continuar caindo desse jeito amanhã eu não vou ter tempo de me matar, mas a gente marca isso pra qualquer dia, anote aí meu celular...
Claudio R. é o escritor de O Ladrão de Palavras e acha a vida muito complicada, mas também não tem tempo pra se matar.
enviada por O Ladrão de Palavras
22/10/2008 12:33
PAIXÃO INTRANSIGENTE
Por Claudio R.
Já faz algum tempo que eu me esqueci de você, sério, não penso mais em você, não te tenho como uma possível noitada de sexo, uma suposta possibilidade de paixão refratária. Há muito tempo eu não lembro que passei mais de 02 anos pensando no dia que teria você na minha cama ou eu na sua, tanto faria eu não lembro nada daquele tempo, é como se eu fosse acometido de uma amnésia sentimental, aliás, não seria sentimental porque eu tive uma forte atração física que me fez apaixonar por alguns dias tá bom, foram meses, ok, foram anos -. Já esqueci de que todos ali queriam ter tido o que um dia eu tive contigo e que por isso eu vi meu ego inflado de orgulho.
Recordar de você já faz parte do esquecimento, não me lembro de forma alguma que um dia nós ficamos perdidos na mata e eu quis te possuir ali mesmo, mas você nem me olhava com a lascívia que eu queria, o que inviabilizava qualquer aproximação da minha parte, mas eu tentei. Foram tantos dias preso ali. E eu confesso que tirei a camisa propositadamente para que você apreciasse o meu corpo, realmente não foi nada de incômodo com a lama que me sujara. Nas noites em que a temperatura baixava... - Eu li que se a gente se encostar um no outro, é como um processo simbiótico, os corpos se aquecem -, não era para acalentar o seu frio que eu lhe abraçava, tampouco o meu, eu estava me aproveitando da situação para sentir o calor do seu corpo e aumentar o desejo que eu tinha por você.
Contudo, hoje já não lembro nada disso, não lembro que viajei naquele dia de caso pensado pra te ver, e nem lembro que você armou para que eu dormisse na sua casa. Eu estava com tanto tesão que não cogitaria a hipótese de não lhe ter naquele dia. O seu corpo tremia faceira quando me olhava, você me olhava baixo, não me olhou nos olhos em nenhum momento daquela noite. O que era estranho, em todas as posições que ficou, nenhuma você me olhava nos olhos. As marcas que deixou em todas as partes do meu corpo sumiram, por isso eu não lembro que foi a primeira mulher que mordeu e eu gostei, foi a primeira que me fez gostar de dormir junto, embora não tivéssemos dormido daquela vez. Infelizmente eu não consigo me lembrar daquela noite, mesmo tendo sido a primeira vez que tive 03 orgasmos ininterruptos e 06 num só dia. Não consigo me lembrar da sua língua trêmula a passear pelo meu corpo e do jeito ávido que você usava ela ao me chupar.
E por assim ser, não há resquícios de imagens dos dias que antecederam o segundo encontro. Eu não lembro que me apaixonei por aquela noite, me apaixonei pela situação, me apaixonei pela idéia de você ser casada com alguém que eu conhecia e por você ter verdadeiramente sido sustida pelo homem que eu fui naquele dia. A paixão pairou por vários dias, foi ela quem me fez dormir dentro do carro, na rua, por não encontrar vagas nos hotéis da cidade, depois de você ter desligado o telefone quando eu lhe liguei. Eu sabia que você estava acompanhada e eu gostei quando você mentiu dizendo que havia perdido o celular numa viagem que havia feito mentiras sinceras me interessam. Foram vários dias para que acontecesse de novo, e desta segunda vez dormimos juntos e eu queria transar contigo pela manhã, mas você estava esvaída de cansaço da noite anterior e ainda tinha que trabalhar. Acordou só de calcinha preta que eu nem vira de tão ávido que estava de te ver pelada, você levantou da cama para ir ao banheiro e puxou ela de dentro de um jeito que eu quase não lhe deixo ir trabalhar. Eu não me lembro de você dizendo que nunca tinha gozado tantas vezes com um único homem.
Ainda, eu não me lembro de você, não lembro aquela paixão e de que nunca mais vou ver você novamente. Não lembro que você foi muito boa naquilo que eu chamei de sexo metafísico. E não lembro nada de nada.
J'ai oublié de tout
enviada por O Ladrão de Palavras
21/10/2008 11:41
O PRAZER DE SER CICLISTA
Claudio R.
Além de ser o esporte da negação à dor, o ciclismo também é o esporte da abstração de tudo que é fútil, supérfluo. O ciclista é abstraído da vaidade, principalmente, e dos prazeres que são, para os mesmos, considerados frívolos. No seu corpo não há espaço para ser bonito ou ser impressionante, o corpo de um ciclista não é nada comparável a de um pavão em período de acasalamento.
A partir do momento que se assume a condição de ciclista deve jogar no esquecimento a idéia de que um dia o seu corpo terá um bronzeado uniforme, pois o sol deixará marcas apenas da coxa pra baixo e do pulso até os ombros. E são justamente estas partes que o ciclista, se fosse um vaidoso comum, faria questão de esconder, pois são estas que mais sofrem com as fatídicas quedas.
Ciclistas caem, e como caem! Estas quedas deixam cicatrizes permanentes e muitas delas são horríveis aos olhos leigos. Entretanto, para o ciclista elas são mais valiosas que troféus. Ainda, o ciclista adquire o estranho orgulho pelas suas cicatrizes: Tá vendo esta aqui? Isso foi descendo uma ladeira a 80 km/h, e esta aqui foi numa competição, fui tocado num sprint.
Qualquer ciclista que se preze não liga para moda, pois as únicas exigências em relação às suas roupas são: a absorção de suor e a aerodinâmica. Um ciclista geralmente tem mais malhas de ciclismo que roupas pra sair e isso não causa estranheza em nenhum deles, pois ciclistas não saem para outro lugar que não seja a estrada. Ir pra balada é total perda de tempo e de queda drástica de rendimento no treinamento no dia posterior.
Ciclistas são pessoas estranhas, aliás, ciclistas não estão na categoria de pessoas, ciclistas são super-homens e não é pela aparência multicor, tampouco por suas roupas coladas e pernas depiladas. São estranhos por sua incoerência na hora de comprar. (Se você conhecer um ciclista deve viver se impressionando com os preços exorbitantes da prática do esporte). Ciclistas acham assaz caro um sapato social de 100 reais, mas uma sapatilha de 600 é bastante barata, só pra exemplificar.
Por fim, ciclistas gostam de suas parceiras, mas apaixonado mesmo é por bicicletas. Nenhum ciclista no seu estado normal de consciência (se é que existe estado normal em um ciclista) prefere fazer qualquer percurso de outra forma que não seja de bicicleta. E por assim ser, um ciclista tem várias bicicletas, geralmente duas para cada tipo de terreno. Todavia, ninguém entende isso, nem aquela sua noiva que um dia nas vésperas do seu casamento vai dizer: Se você comprar mais uma bicicleta ao invés de economizar para o nosso enxoval, eu juro, juro mesmo que sumo e te deixo pra sempre. O ciclista vai olhar para a sua noiva com um certo pesar no semblante e dizer: E eu vou sentir sua falta.
Claudio R., o escritor de O Ladrão de Palavras, é lutador de jiu-jitsu por natureza, mas a dureza do ciclismo o fez apaixonar-se.
enviada por O Ladrão de Palavras
02/10/2008 09:08
LOUCURAS POR MIM
Por Claudio R.
Hoje não é ele que vai chegar a você procurando sexo, é você quem vai fazer isso. E não porque está desejando ele e, sim, por que eu estou mandando que o faça. Em meu nome, você usará o corpo dele para satisfazer os seus desejos pelo meu. Sei que é perversidade, mas te garanto que ele vai se sentir o mais amado e desejado dos homens, pois a sensação que farei você dá a ele é inenarrável.
E para não ser uma coisa casual, o lugar também não pode ser o usual, vocês vão transar na sala, no sofá. Com as luzes acesas. Você vai arrancar a roupa dele e não vai olhá-lo como se fosse ele, este aí não será ele, será apenas o empréstimo de um corpo para o uso e sensações de outro, exclusivamente, o meu. Você vai falar palavras obscenas ao seu ouvido, vai dizer pra ele que está com vontade de comê-lo, de devorá-lo, mas sabendo que estas vontades não são direcionadas a ele e, sim, a mim. Você vai ficar totalmente despida, pois eu quero que ele lhe olhe com mais desejo que de costume. Quando ambos estiverem completamente nus, você vai ficar de ponta cabeça no sofá e, fazendo um oral simultâneo (69), você vai pedir pra ele te chupar com muita vontade e ele vai dá estocas na sua boca, com você chupando vorazmente e dando mordidas fortes na base do pênis.
É estranho eu querer que faça estas coisas, mas é como se fosse uma procuração assinada dando plenos direitos ao seu desejo. Quando ele já não agüentar mais e estiver prestes a gozar você vai parar e, mudando para uma posição quase de quatro, com os seus (meus) seios apoiados no encosto do sofá, vai pedir para ele te chupar. E vai conduzir a língua dele por aí, vai mandá-lo percorrer com os lábios por todo seu sexo e todas as suas reentrâncias. E você vai fechar os olhos imaginando que são meus lábios e língua ali. Vai pedir para ele te comer, assim: Vem, mete em mim com força... E naquela mesma posição, ele vai te penetrar forte, e você vai sentir como se fosse o meu pênis dentro de você.
Você vai controlar a situação de tal forma que ele não tenha rédeas alguma sobre o próprio desejo e quando ele não mais resistir, você vai ordenar que ele pare e você vai chupá-lo ensejando que ele se desconcentre e não que ele goze. Vai trocar de posição, você agora vai está de frente pra ele, completamente escancarada para que ele entre em você. Vai colocar seus pés sobre os ombros dele e vai recebê-lo assim. E vai ficar dizendo ao seu ouvido sussurrando que não é para ele gozar até que você ordene. Desta vez não será ele que vai querer fazer anal, será você quem vai pedir e vai ser com ele sentado à sua frente e você cavalgando agachada com os pés no sofá que vai dizer ao seu ouvido: Você agora vai comer o meu cuzinho.
E ele vai te lambuzar de lubrificante e também o pênis dele. Vai te segurar pela cintura e você, abrindo a bunda com as mãos, a cabeça enterrada no sofá e olhando para ele, vai direcionar à entrada. Enquanto ele vai te penetrando, você vai soar em gemidos sussurrantes e vai gozar em estampidos... Depois que ele gozar, seu cuzinho vai está cheio do líquido dele, mas você tem que está imaginando que fui eu que o fiz. E você vai deixá-lo lá no sofá quase adormecido, enquanto vai ao banheiro com o esperma escorrendo por entre as suas pernas e vai olhar no espelho e dizer: Eu sou muito gostosa! E ao tomar banho, vai olhar para as marcas das mãos dele (como sendo as minhas) no seu corpo e a falta do recente preenchimento, vai lembrar de mim e novamente vai querer gozar, só que agora vai ser sozinha...
Hei, não faz nada disso que eu escrevi, exceto pelo banheiro e gozar sozinha. Eu sou um cara muito possessivo e não vou querer nem imaginar que você passa por esta situação. Esquece, não faz nada, faz de conta que eu não te mandei fazer nada. Simples mantenha-se abstinente. Pronto, é isso, mantenha-se abstinente e dá qualquer desculpa pra ele.
Claudio R. é o escritor de O Ladrão de Palavras.
enviada por O Ladrão de Palavras
30/09/2008 11:05
SUPERAÇÃO
Por Claudio R.
Sinto certo desconforto quando as pessoas chamam de maluco alguém que procura superar-se em alguma coisa. Eu ouço constantemente isso desde que comecei a fazer musculação e que colocava 420 kg no legpress ou os 128 kg inimagináveis no supino. Ainda, no jiu-jitsu eu ouvia poucos comentários deste tipo, mas ainda assim falavam do fato de eu não passar das 22:00 hs para dormir e acordar as 4:30 hs pra treinar ou a alimentação esdrúxula aos olhos das pessoas, mas que me mantinham grande, forte e quase imbatível.
Quando comecei a treinar jiu-jitsu comprei também uma bike, nada muito especial, uma bike de rua com 18 marchas, com o intuito de aumentar minha capacidade respiratória e perder as gramas extras em períodos de luta. Pedalava de noite, rodava a cidade que eu trabalhava todinha, procurando aclives acentuados, ruas de pouco movimento e assim eu ia me divertindo e ficando com o VO2 em níveis satisfatórios. Contudo, eu gostei tanto de pedalar que comecei a pedalar longas distâncias, comecei com 18 km e fui aumentado. O negócio passou a ser tão bom que, nos tempos atuais, o jiu-jitsu passou a ser a atividade secundária e o ciclismo a principal. E hoje ouço muitas vezes as pessoas me chamarem de maluco e congênere, isso às vezes me irrita, mas fico feliz quando me chamam de anormal, pois isso é elogio.
Antes de contar esta história, devo explicitar a diferença entre uma bicicleta MTB e uma SPEED. Bem, uma MTB é uma bicicleta para terrenos adversos, seus pneus são birrados para não derraparem em terrenos lamacentos e ela possui amortecedores para aliviar o impacto com rochas e buracos. A relação dela é leve para que se torne fácil as subidas de morros. Ela é o mais próximo possível de uma bicicleta de rua, suas rodas têm o mesmo tamanho destas, ou seja, 660 mm de diâmetro. Já uma SPEED é uma bicicleta de corrida de estrada e pista, ela possui pneus com 700 mm de diâmetro e estes são finos e lisos. A sua relação é mais pesada, e o guidon é curvado, parecido com um chifre de alce invertido para ajudar na diminuição da pressão aerodinâmica sobre o ciclista. Basicamente, são estas as diferenças, uma serve para terra e a outra para asfalto.
Até abril deste ano, eu nunca havia competido no ciclismo, e nem tinha bicicleta para competições, eu apenas tinha uma MTB que eu adaptei para andar no asfalto, mesmo com os pneus menores, eu andava perto da velocidade de uma SPEED, treinava bastante e as distâncias que começaram com as ruas daquela pequena cidade passaram a ser 60, 70, 80... km, entretanto aquilo era muito fácil e eu decidi que iria pedalar muito mais que isso num só dia. Seria o casamento do meu irmão, há 260 km da cidade que eu moro. Quando eu contei para as pessoas que iria fazer esta marca alguns foram céticos e outros, para variar, me chamaram de maluco.
A única pessoa que acha que eu sempre vou conseguir fazer, seja qual for esta coisa, é a minha mãe. Ela nunca duvida e isso as vezes é esquisito, pois a maioria das mães que conheço acha que os filhos não cresceram o suficiente para fazer qualquer coisa, ainda mais se forem coisas anômalas.
Eu treinei por 02 meses, não conhecia nada de treinamento de ciclismo, apenas pegava a bicicleta e rodava 70 km no menor tempo possível e com o pior desconforto suportável. Procurei parceiros, mas não achava ninguém louco o suficiente para ir comigo nesta empreitada que eu previra para 10 h ininterruptas de pedaladas. Um conhecido disse que eu deveria fazer em 02 dias, mas eu achei que seria muito normal fazer isso, eu queria fazer em 01 único dia e sem pegar a estrada durante a noite.
Enfim, chegou o dia! Acordei as 4:30 h, arrumei minhas coisas e parti, levando 05 garrafas de repositor hidroeletrolítico, 20 barras de cereal e 20 saches de carboidratos. Consegui saí de casa às 5:19 hs. Os primeiros 60 km eu já conhecia, já tinha intimidade com o relevo, mas não carregando o peso da mochila nas costas, então, eu fiz em mais tempo que de costume. Mas quando o sol apareceu forte, eu comecei a render mais (as vezes eu acredito que sou de de outro planeta, pois o sol a pino me faz virar um super-homem) e consegui fazer os primeiros 120 km bem abaixo do tempo que um colega previra. Todavia, nem tudo é um mar de rosas e faltando apenas 33 km para o fim do percurso eu tive uma queda drástica de pressão, quase desmaiei e tive que parar.
- Sua pressão está 90 / 60, - disse o médico seriamente - isso é muito aquém dos 120 / 90 que seria o normal. Eu acho melhor você dormir aí...
- Epa! Negativo! Eu preciso seguir viagem, eu não rodei 232 km para ficar parado aqui..
- Bem, sendo assim respondeu ele num tom aconselhador melhor o senhor colocar a cabeça sobre os joelhos e descansar para que sua pressão volte ao normal.
Eu obedeci esta segunda ordem do médico e acabei cochilando por mais de uma hora, mas acordei novo, parecia que não tinha rodado nada. Segui viagem e cheguei à casa de minha mãe as 17:35 h. Eu estava me sentindo o superman, a sensação de poder que se absorve quando conseguimos um feito deste tipo é muito grande. É aí que você se sente anormal, muito acima da normalidade, muito mais forte que o que você era antes de sair. Muito mais forte do que as pessoas imaginavam que você era.
Meu pai achou o máximo, ele sempre que pode me eleva a condição de semideus. E minha mãe, pra variar, achou bem normal pra mim que não sou normal.
Hoje eu acordei cansado, fruto de 02 noites mal dormidas por conta de está viajando e não fui fazer o meu treino de ciclismo das 4:30 hs, mas deixei para a noite o tal treino e com isso o meu colega que divide a casa comigo brincou, pois eu havia reclamado dele não ter ido comprar o pão na padaria que fica a 2km de casa a pé.
- Por que não foi comprar o pão, velho preguiçoso? eu brinquei indagando - Está ficando realmente muito velho pra andar 2 km...
- Você queria está um velho como eu, - revidou ele ledo - casado com uma menina de 20 anos e ainda chegando junto direto. Quando você chegar a minha idade vai está aí querendo se aposentar.
- Aposentar? Isso eu queria está desde ontem, mas não dos esportes que pratico. Na sua idade eu vou está um velho ativo. E lhe digo mais, se tudo der certo, eu vou morrer aos 120 anos de acidente de bicicleta ou por complicações de um treino duro de jiu-jitsu com um homem de 100 kg...
Claudio R., vulgarmente conhecido como King busca sempre a superação e invariavelmente consegue.
enviada por O Ladrão de Palavras
20/09/2008 05:33
ANÔNIMOS DA LUXÚRIA
Por Claudio R.
As vezes eu fico imaginando como seria um encontro de pessoas que têm compulsão sexual. Acho que, seria algo como os alcoólicos anônimos, os pacientes se reuniram numa grande roda e começariam a dá o seu testemunho.
- Olá, boa noite! Meu nome é Ciro e eu sou um trepador anônimo. Estou há 196 dias sem transar, sem bater uma punheta, sem nenhum tipo sexo. Obrigado.
- Olá, eu sou o Tadeu, e estou há 15 dias sem sexo, é muito difícil me manter assim, pois eu gosto de sexo todos os dias, várias vezes por dia, inclusive agora eu estava pensando em sexo. O depoimento da D. Maria, aquela senhora de 63 anos que está há duas semanas sem sexo, me deixou muito excitado e eu quase corri para o banheiro, mas eu fui forte neste momento ouve-se em coro palavras estimulantes e de felicitações o sexo é uma coisa boa, mas estava prejudicando a minha vida em tudo. Eu tive que largar dois empregos, pois eu vivia me masturbando no trabalho. Eu já estava ficando sem dinheiro, pois eu gastava muito com prostitutas, lembrei agora da Greice, uma loirinha de ancas largas... ops! Desculpe-me, bem, é isso aí, estou sendo forte.
Mas lá deve ter todo tipo de gente, mulheres bonitas, mulheres feias, homens bonitos, homens feios, mulheres e homens casados e solteiros, etc. E assim continuaria a reunião:
- Oi, eu sou a Lurdes, e gostaria de testemunhar dizendo que também sou uma trepadora anônima e estou há 215 dias sem sexo. Na verdade não é uma compulsão, eu sou uma mulher casada, mas meu marido não é muito chegado na coisa, desde o início do nosso casamento é assim, entretanto os períodos sem sexo a cada dia vão se alargando. Sem trocadilho, pois a minha perseguida, já não é mais perseguida. Já ofereci de tudo pra ver se ele anima, mas parece que nada faz aquele homem se levantar, agora com trocadilho. Eu já chupei ele dentro de um elevador e creio que o carinha do monitoramento foi o único que se animou, pois ele se manteve de pau mole. Como vocês podem ver, eu sou uma mulher gostosa, como vocês podem bem ver. Eu me depilo com freqüência, faço variados tipos de cortes. Eu me arrumo, visto meia 7/8, como estas aqui que estou usando, calcinha fio-dental, sutiã meia-taça, e nada. Alugo filmes pra ver se o problema da excitação dele é comigo, mas ele não se encoraja a me comer do jeito que eu gosto, não parte pra cima com todo gás... Eu já não agüento mais, mas como eu sei que aqui todos têm problemas relacionados a sexo, então, resolvi vim aqui dá o meu depoimento... Calma gente, calma, calma, hei, esperem! Não é bem assim, ops! Seu Tadeu, que pau enorme! Ai, seu Antonio, misercórdia. Uia, que é isso... Meu Deus, estou no paraíso....
enviada por O Ladrão de Palavras
18/09/2008 15:31
SEM AMOR NÃO DÁ, MAS TEM GENTE QUE DÁ
Por Claudio R.
Outro dia vi duas mulheres conversando numa loja, a atendente, a qual estava prestes a se casar, estava enumerando as coisas que pretendia fazer após o casamento e as felicidades que adquiriria por conta disso. Eu me mantive atento ao assunto, mas sem deixar perceberem que eu sabia do que estavam falando. Elas continuavam declamando uma ode ao casamento e nas vantagens que tinham por terem encontrado a pessoa certa pra passarem o resto de suas vidas.
Tudo aquilo era muito bonito de se ouvir, mas faltava nelas a parte prática, a parte que separa a fantasia da realidade e que muitas vezes é dura e crua, principalmene por as pessoas não cogitarem a hipótese da existência desta.
Uma das meninas citou o amor como a fonte de tudo e a sustentabilidade do relacionamento, e me questionou sobre isso.
- Desculpe-me, garotas, mas a minha opinião fere os sonhos de vocês...
Elas insistiram para que eu expusesse a minha opinião sobre o ápice dos relacionamentos e eu, enfim, comecei a dissertar sobre as vantagens e desvantagens de levar em consideração a parte prática de um relacionamento.
Só com muita insistência para me fazer dizer a alguém que está apaixonada e louca pra casar que o amor é uma parte ínfima na manutenção de um relacionamento, seja ele um casamento ou um namoro. Aí vai...
O amor é muito pouco, isso sendo otimista, pois ele pode até ser deixado de lado se o objetivo é ter um relacionamento feliz e duradouro. O amor acaba, e na maioria das vezes o amor acabado vira ódio, principalmente se ele não vier acompanhado do que é realmente requisito básico para uma relação de longas datas.
Seu par precisa ter inteligência, não estou falando de ser um Einstein e sim de saber lidar com as situações e intempéries que se passa com as mudanças. E olha que isso é uma verdade absoluta: você vai mudar e ele também. Isso por que só os muitos sábios ou os idiotas não mudam, sendo assim, se ele for muito sábio não precisa de ninguém pra se completar, portanto, não se casaria e se ele for um idiota você é quem não precisaria dele pra se completar.
É também preciso ser tolerante, mas não um ser anulado. Ser tolerante compreende aceitar o que é impossível mudar no outro e em si mesmo. Já se anular é querer se tornar igual ao outro ou fazer sempre o que o outro quer e acha bonito. Se anulando, vocês terão uma vida chata em menos de seis meses e o fim ficaria mais próximo para vocês. Todavia, é a tolerância que vai fazer você aceitar o mais ou menos da vida. Acredite, a vida é feita de três porções mais ou menos para uma porção de maravilha, no casamento essa proporção beira a 100% de mais ou menos.
Você já procurou ver o que admira nele? Não estou falando da admiração ilusória que a paixão traz consigo, estou falando do tipo de admiração que faria você ser amiga dele noutra circunstância. Há algo nele que cause admiração de verdade? Se a resposta for não, por favor, não case. Admirar o outro é tão raro que as pessoas nem sabem exatamente o que é ser admirado, entretanto, isso é bem fácil quando acontece o contrário. Você irá perceber que não admira quando descobrir que aquele bosta nem tem pontaria pra mijar dentro do vaso. A admiração vai fazer você conversar mais com ele e os diálogos são benéficos o suficiente para impedir que uma briga comece.
Ser parecido é mais vantajoso que ser oposto. Não é difícil imaginar o quanto é trágico uma pessoa que se comporta exatamente diferente com o que você é na sua essência, os opostos, como diz a lei da física, realmente se atraem, mas como diz o poeta Aniteli, os opostos apenas se distraem. Acredite nisso, pessoas opostas apenas ficam, é bom conhecer alguém com uma cultura diferente, com um tipo de vestimenta diferente, com uma condição social diferente, isso agrega conhecimento às nossas vidas, mas a situação complica quando tentamos conviver com essas diferenças, é preciso ser um ás da psicologia para conviver com alguém altamente diferente. Por isso é que a pessoa tem que ser o mais parecida possível de você, não é preciso ser um gênio pra saber que é bem fácil lidar com o que você já conhece.
O quanto o sexo representa pra você? E o quanto representa pra ele? Esse é um assunto complicado, principalmente pra mim que sou um entusiasta da luxúria e suspeito pra tratar. Se o seu parceiro não tiver uma compatibilidade sexual contigo, isso vai ser motivo de muitas brigas. No início você não vai notar qual é a disparidade entre vocês no quesito libido, pois a novidade é um potencializador de tesão, o problema é o passar dos tempos, quando a rotina interferir na vida de vocês e ele continuar desejando transar todos os dias, e vice-versa. Transar com o mesmo homem pelo resto dos seus dias pode ser o seu sonho hoje, quando ainda não descobriu as imperfeições deste homem e nem passou pelos percalços de um cotidiano. Caso eu me use como exemplo, seria muito difícil encontrar a compatibilidade, pois eu tenho tesão da hora que acordo a hora que vou dormir, e muitas vezes dormindo, portanto, eu quero transar todos os dias, achar alguém assim é mais complicado que os 12 trabalhos de Hércules. O dia-a-dia traz oscilações de humor, hormônios, tesão, paixão e ódio, então, se houver compatibilidade será bem mais fácil superar estas alterações.
Por fim, deixe realmente o amor de fora na hora de dizer o sim, ele não impede de que estes outros fatores venham à tona. O amor é bonito, é lindo, como diz aquele compositor baiano, mas é só isso. Gerenciar uma casa, cuidar do lar, montar uma família, ser aguerrido, ser forte, está de prontidão, ter senso de liderança, acatar as ordens quando necessário, desobedecê-las quando preciso, ter tesão por você, gostar de comer você, gostar de conversar com você, de comer com você, de assistir TV com você, de ir ao cinema, de ler com você e pra você, de perguntar de você e contar dele, isso tudo é muito mais importante que o amor.
Claudio R. é o escritor de O Ladrão de Palavras, e ele acredita no amor, gosta de amar, ama e é amado, mas casamento é um instuição que precisa de muito mais que algo abstrato.
enviada por O Ladrão de Palavras
16/09/2008 18:32
O CHEIRO DA PAIXÃO
Por Claudio R.
Acho que estou gostando de você. Já estou conseguindo perceber mudanças escabrosas em mim, coisas que eu não tenho costume de fazer e que têm virado rotina em minha vida. O meu universo perfeito, já está se abrindo para a imperfeição de dias apaixonantes que eu estou desejando ter contigo.
Todo mundo tem um passado oculto que não pode e nem deve ser explicitado, nem por clemência. Mesmo você querendo o meu passado e eu querendo o seu, sejamos fortes os suficiente para deixá-los na condição que merece. No mundo das coisas que já passaram. Sei que pra você é bem mais difícil que pra mim, mas eu pretendo lhe ensinar coisas inimagináveis.
Estou gostando de está no seu pensamento, mesmo quando você hesita em pensar em mim, mesmo quando deveria está com seu pensamento direcionado à outra pessoa mais especial que eu. Sinto tantas saudades nos dias que não lhe vejo, nos dias que não ouço a sua voz suave e forte. Voz de mulher!
O mais dolorido disso tudo é saber que jamais sucumbiremos a isso. E no fundo eu sei que nenhum dos dois quer que isso realmente aconteça, eu por achar que não mereço o seu apreço e você por não ter o intuito de bagunçar o centro de direção que a sua vida tem.
Ontem eu acordei sentindo o seu cheiro, era bem forte exalava e tomava todo o quarto. Foi apenas um sonho, mas que se mostrou depois de acordado como reflexos da realidade que estou desejando. O seu cheiro tomou as minhas narinas a ocupando com exclusividade, seu desconhecido gosto estava nos meus lábios e a excitação do meu corpo me fez sentir saudades de uma coisa que eu não provei.
O acaso nos pôs frente a frente, sou principal culpado desta suposta coincidência, me falta aceitar o seu jeito, a circunstância que a vida lhe colocou na minha e fazer você esquecer o passado que ainda se faz presente na sua vida. A minha vã pretensão anela por ser verdade este passado, que este aí seja substituível e que eu possa sustê-la de alguma forma.
enviada por O Ladrão de Palavras
02/09/2008 09:33
MELHOR QUE SER SURDO
Por Claudio R.
- Moço, eu posso lhe dizer um coisa?
- Depende...
- O senhor não leva a mal, não?
- Depende...
- Olha só, eu acho muito feio homem de brinco, e pior quando são dois, fica horrível.
- Veja bem, na verdade são três brincos, eu acho muito feia mulher gorda, e nem por isso eu me dirigi a você pra lhe falar.
Por Claudio R., o escritor de O Ladrão de Palavras, é homem, é hetero, usa brinco e acredita que homossexual é quem dá a bunda.
enviada por O Ladrão de Palavras
25/08/2008 09:07
UM DESEJO LÚBRICO SEM MANIFESTAÇÕES
Por Claudio R.
Lá está ela, linda, deliciosa,ops!, deliciosa é coisa de pederasta, gostosa mesmo, assim, de boca cheia, um tesão de mulher... Olho ela todo dia, e isso já é quase um deja vu. Enquanto ela não me olha fixando os seus olhos em mim, eu a percebo inteira, têm dias que ela está estonteante, noutros ela está simples, e hoje ela parece que acordou bem em cima da hora, seus olhos estão ainda sonolentos. É uma pena eu não ter coragem de dizem nenhuma palavra. Será que ela fica perturbada com as minhas flechas oculares? Ela coçando o olho é lindo! Agora, eu coçando as partes não é de jeito algum... Ela olha enviesada, lembrei da Capitu e seu olhar oblíquo e dissimulado. Ela usa aliança na mão esquerda, mas ela fica inquieta com os dedos da mão, eu penso que esta é uma atitude de quem não queria está usando, ou que aquilo incomoda. Eu devo incomodá-la, perturbá-la a ponto de desconcentrá-la. Com esse frio o peito dela ficou bem arrepiado, aquilo deve ser um furacão numa alcova. Ela tem um jeitinho de quem trepa muito bem. E que gosta de ser dominada, controlada, pegada... Uma mulher mais velha, mas que tem todas as ferramentas, em perfeito estado, de uma mulher luxuriosa. Mesmo ela sendo casada, eu ficaria com ela, mas bem longe daqui, ela deve morar por aqui por perto. Meu pênis fica empedernido só de pensar que ela pode está excitada comigo, com o meu olhar guloso. É desconcertante ter que ficar ajeitando pro lado e o pior é que nem olho para o lado pra ver se alguém está me observando. Às vezes tenho vontade de desejá-la um bom dia, mas olhá-la me basta, apenas a como com os olhos. Vivendo apenas uma fantasia, uma utopia, ela continua lá, parada, esperando... Eu vou ter que chegar no escritório e correr para o banheiro para satisfazer-me da mulher que fica ali parada.
enviada por O Ladrão de Palavras
20/08/2008 14:00
MANIFESTAÇÕES DE UM DESEJO LÚBRICO
Por Claudio R.
Lá vem ele, parece que ainda não me viu... Pronto, já me viu! Não sei o que ele está pensando, mas me sinto nua quando o vejo. Ele me olha dos pés a cabeça, mesmo quando estou toda coberta. Às vezes penso que ele vai me dizer alguma coisa, um olhar incisivo, chega a ser perturbador. E este ônibus que não passa logo! Fico agoniada com um homem que me come com os olhos assim. Todos os dias, impreterivelmente. Nunca falha... Um homem com este corpo também não deve falhar em momento algum. Hoje eu estou com esse vestido, minhas pernas estão cobertas, acordei um pouco tarde hoje e nem me olhei no espelho. Será que meu olho está com remela? Ah, é bom eu passar as mãos pra não restar dúvidas. E este frio, meu seio está arrepiado, ele passa olhando fixo para o meu corpo inteiro, vai notar que meu peito está assim. Ele pode pensar que é por causa dele. E bem que poderia ser, ele têm mãos grandes, parece ter uma pegada forte. Agora que meu peito ficou mais arrebitado. Ele tem cara de novinho, mas o jeito dele não é de tão novo, embora eu ache que ele seja bem mais novo que eu. Eu daria pra ele. As vezes fico inquieta com esta aliança nas mãos, fico girando o polegar por cima do anelar, é uma tolice, do jeito que ele tem cara de pegador, nem deve ligar para o fato de eu ser casada. Por falar nisso, será que ele é casado? Não deve ser, mas se for, a mulher ou namorada dele deve passar muito bem. Hoje é um daqueles dias que se ele me direcionasse alguma palavra, eu sucumbiria. Não estaria nem aí. Mas ele não diz nada, nem uma palavra, nem um bom dia. O jeito de me olhar, aparentemente, pra ele já basta. Eu já fico toda molhada e alvoroçada quando ele come com os olhos, imagine se ele me comesse de verdade. Pena que isso é uma fantasia, apenas uma fantasia, ele está indo, vai passando... Eu vou ter que chegar no escritório e trocar minha calcinha toda molhada de vontade do homem que passa.
Claudio R. é o escritor de O Ladrão de Palavras
enviada por O Ladrão de Palavras
14/08/2008 08:35
O HOMEM DA MULHER DO PORTO
Por Claudio R.
PS.: Antes vocês deveriam ler A MULHER DO PORTO
Quando o garçom me disse, no hotel da minha antiga vila, que não poderíamos fazer nada, eu fiquei indignado comigo mesmo. Não poderia imaginar aquela história com aquele fim, Ana Sodeñas, a mulher mais bonita que eu já vira, sendo uma louca perambulante de um porto. Gael era o cara mais bacana que eu conhecera, até então, com todas as reviravoltas da vida, eu jamais encontrara alguém com tamanha conduta.
Eu vi quando ele disse que voltaria e que amava Ana, e aquela fora a primeira vez que ele não mentiu na vida. Se alguma coisa acontecera a ele, eu tinha que descobrir pra liberar Ana daquele sofrimento.
- Oi, Ana, você consegue se lembrar de mim?
- Não, quem é você? Não me parece estranho, mas não consigo me lembrar...
- Sou o filho da Maria Del Flores, lembra agora?
- Ah sim!!! E como poderia esquecer, você era um dos meninos que ficava de prosa com o meu Gael...
Ana não me pareceu uma louca, ela falava com uma lucidez impressionante, pelo que ouvi dela ali naqueles dias, era para sequer lembrar que era gente. Ficamos conversando sobre vários assuntos até entrarmos no que ela jamais esquecera: a ida de Gael.
Eu perguntei pra ela: - Você já chegou a cogitar a hipótese de que Gael tenha morrido com um mar revoltoso...
- Já sim...
- Então, porque não se libera deste sentimento aprisionador?
- Mesmo que ele tenha morrido o amor dele por mim continuou imortal, assim, enquanto eu viver, meu amor será pra ele.
Saí da minha antiga vila pensando em como descobrir o que acontecera com Gael, se ele ainda estaria vivo e o que poderia ter acontecido para que ele não voltasse. Então, usei o que pude para encontrá-lo, contratei uma empresa especializada para pesquisar sobre os acidentes da época, a climatologia, os relatos de tempestades e tudo que estivesse relacionado.
Passaram-se 06 meses, mas eles só me traziam falsas evidências... Até que um dia eles descobrem que: Chefe, um barco virou a vinte anos, todos os passageiros morreram, os corpos foram encontrados na praia de uma cidade próxima daqui. O registro do barco havia 31 pessoas, mas um corpo não foi encontrado, só os documentos. E e advinha de quem era? Gael Rodrigues, o nosso procurado. Nós continuamos a investigação e encontramos um homem vivendo numa vila praiana, o qual o pessoal chamava de homem do mar. Ele não conversa com ninguém, imagina-se que ele seja mudo. Não se relaciona, vive de pescaria. Só pode ser ele!
Quando ouvi aquele relato, tive a certeza que estavam falando de Gael, que aquele homem era o mesmo Gael que procurávamos. Pensei em mandar eles o trazerem até a mim, mas eles me dissuadiram ao contrário, falando que o homem era arredio de mais para sair dali. Eu estava disposto a enfrentar a tal criatura sorumbática, completamente fechada para o mundo, se fosse realmente Gael, lembraria de mim e eu arrancaria palavras daquele silêncio.
Eles me levaram até o homem, a imagem do local era aterradora e triste, a solidão imperava ali. Entrei no pequeno casebre de madeira, cipó e folhas de coqueiro, não havia ninguém ali, o homem provavelmente estava catando frutas ou até caçando. Esperamos por algum tempo. Enquanto os meus colaboradores ficaram de plantão na casa, eu fui olhar em volta do lugar, era bonito, ouvia-se todos os tipos de animais que existia por ali, apenas isso e o barulho das ondas quebrando nos recifes de corais interrompia o silêncio inquietante.
Quando o homem chegou, fui chamado, cheguei perto dele e perguntei:
- Qual é o seu nome? Você é Gael Rodrigues? Ele permanecia de cabeça baixa e não me respondia continuei fazendo perguntas e esbravejei Responda, homem, quem é você?
- Ele não vai falar, chefe, deve ter ficado mudo com o naufrágio...
- O que vocês querem de mim? Tomamos o maior susto, a voz do homem saia por entre a barba a anos por fazer, não se via a boca e nem a sua forma.
- Não se lembra de mim, será que não lembra mim, Gael? O filho de Maria Del Flores...
- Claro que lembro, mas preferia não me lembrar de nada. Seus olhos brilhavam, as lágrimas pareciam eminentes.
- E por que não, homem? Perguntei, aflito olhando fixamente e segurando as suas duas mãos.
- Por que eu morri, mas Deus não teve misericórdia de mim, me deixou vagando pela terra, não sou mais que um espírito que perambula, sem descanso e tudo isso por causa...- Gael engasgou, parou, olhou para os rapazes e baixou a cabeça.
- Por favor, nos dêem licença, quero ficar a sós com meu velho amigo. Gael levantou novamente a cabeça, me olhou nos olhos e me abraçou chorosamente.
Ele me contou do acidente, o barco em que ele viajava naufragou duas semanas depois de ter saído da vila, todos morreram. Segundo ele, tentou salvar algumas pessoas, inclusive retirou gente com vida do mar, mas eles sucumbiram à morte, deixando Gael como único sobrevivente. Ele vagou pelas redondezas por muitos dias, até encontrar um local onde construiu um casebre antes deste que vive agora, morou sozinho por mais de 10 anos. Até construir uma jangada e tentar sair dali, entretanto a sua jangada se partiu e ele fora arrastado pela correnteza para esta vila onde se encontrava.
- Você é um homem forte Gael, como conseguiu? O mar tentou lhe matar por duas vezes, mas fracassou, ainda bem. Fico muito feliz de ter lhe encontrado, você precisa voltar pra casa... Gael me interrompeu com uma certa fúria.
- Não tenho casa, não tenho para onde ir, não tenho para onde voltar.
- E Ana Sodeñas? Quando perguntei, vi o olho brilhar como no dia em que se despediu dela, ele caiu em prantos, tremia chorosamente. Permaneceu assim por vários minutos e quando se acalmou eu perguntei Por que não voltou pra ela, homem, a deixou esperando por tanto tempo?
- Eu tenho vergonha de mim, da criatura que me tornei. Ana era uma mulher bonita, a jovem mais bonita que já vi, deve ter casado depois de tanto tempo. Eu me tornei esta criatura pavorosa que você está vendo. Gael mal sabia que Ana estava solteira e que ainda esperava por ele.
- Gael, você não sabe o que tenho pra lhe contar, Ana está lá, no mesmo lugar, lhe esperando, solteira, se guardou pra você, criatura.
Gael mostrou os dentes pela primeira vez depois de mais de vinte anos passados, mas freou o ímpeto de felicidade quando lembrou que prometera voltar pra buscar Ana para ir morar com ele, dar-lhe uma vida melhor do que a que ela tinha.
Por muitos anos aquilo o manteve vivo e forte, mas ele se deixou matar, - assim como ele se tratava - morreu para o mundo e não queria mostrar-se como o fracassado que ele achava que era. Mas pra mim Gael era um herói, por ter escapado de dois naufrágios e ainda conseguir sobreviver nas condições que vivia. Ana o amaria mais ainda se soubesse que ele se manteve fiel ao amor por ela, se soubesse que seu homem era mais que um simples homem, era um herói que nem os deuses do mar conseguiram matar.
Gael, voltou a chorar em prantos, mas ainda teve forças pra falar:
- Você a viu?
- Eu a vi, conversei com ela, sei que ela está a sua espera, não estou inventando nada do que lhe disse...
Saímos dali, Gael ainda olhava desconfiado para toda aquela situação, mas fomos para cidade, tudo era novo para ele. Não sabia o que era nada do que estava em sua volta. Computador, TV, carros em alta velocidade, helicóptero, etc. Tudo era novo, exceto a única coisa que nunca lhe faltara, o amor incondicional por Ana Sodeñas.
- Gael, se você achava que Ana tinha se casado, porque se manteve fiel a ela e a esse amor?
- Eu amo aquela mulher mais que a vontade de viver, seria muito perverso da minha parte mentir amor por outra mulher, seja quem fosse. Eu nasci para amar Ana, e eu só sei fazer isso com esse coração maltratado.
Fiz de tudo para que chegássemos de barco, o intuito era criar a situação que Ana esperou a vida toda. Su cabello se blanqueó, pero ningún barco a su amor le devolvia. Desta vez um barco devolveria o seu amor, eu seria o responsável por aquilo. Ana Sodeñas e Gael Rodrigues ficariam felizes para todo o sempre, o amor que nunca morreu, nem o mar matou, nem a insanidade, tampouco o tempo.
Gael fez a barba, cortou o cabelo, compramos roupas, presentes para Ana e começamos a navegar. Gael assustava a cada onda mais forte: Não se preocupe Gael, desta vez o barco não vai afundar. O mar não estava revolto, raramente uma onda batia, seguíamos bem e chegamos ao litoral da minha vila natal. Com um binóculo eu vi Ana no cais, na sua rotina de mais de vinte anos. Llevaba el mismo vestido y por si él volviera no se fuera a equivocar.
Quando aportamos, Gael sentiu medo de descer, não tinha visto Ana ainda, estava com medo de ser feliz... Eu olhei pra Ana e ela estava desconfiada olhando para o barco. Quando me viu, sorriu. Mas a sua felicidade ficou evidentemente eufórica quando viu arrastar o braço do seu homem. Ela o reconheceu imediatamente, Gael também a reconheceu trajada no seu vestido branco com renda na barra. Os dois se abraçaram e se beijaram sofregamente. Eu também fiquei muito feliz, não consigo nem imaginar o quanto eles estavam contentes, mas eu me sentia parte daquela felicidade. Tudo isso porque Ana deixou de ser a mulher do porto e Gael o homem do mar.
Baseado na letra da música de FHER OLVERA - En muelle de San Blàs.
enviada por O Ladrão de Palavras
12/08/2008 08:27
MANIFESTO PRETENSIOSO
Por Claudio R.
Das coisas que tenho a dizer, a mais interessante é que tu vais sentir saudades de uma coisa que não viveste. Embora pareça uma antítese, teu corpo vai tremer toda vez que tiveres em excitação e, por mais que tentes se esquivar, tu vais pensar em mim como uma lembrança forte e carnal.
É esquisito imaginar o teu beijo, com teus lábios se abrindo para receber o contorno dos meus e a minha língua circulando dentro da tua boca. Senti a tua respiração ofegando ao meu ouvido quando eu te apertar a cintura e beijar teu pescoço. Jamais terei tal sensação, mesmo o mundo dando voltas inimagináveis e fazendo o percurso natural das coisas mudarem completamente. Acordar contigo depois de uma noite de sexo tórrida e plácida se é que isso é possível , não fará mais parte dos meus sonhos incógnitos.
Infelizmente eu vou partir, vou morrer, vou sumir, vou mudar de planeta... Sem ter provado o que tenho certeza que é bom. Tudo isso com o azo de me afastar de ti, de fazer com que eu esqueça que um dia eu quis ter contigo qualquer tipo de relação carnal.
Um andar lascivo, um olhar penetrante e uma boca convidativa... Nem sabes que eu imaginei te dá um milhão de prazeres, jamais olhei a tua boca sem criar um roteiro especial pra ela. Até o branco dos teus olhos me excitava, principalmente quando eu lembrava deles sendo revirados numa noite à beira do mar iluminado com a lua cheia.
É difícil falar daquilo que ainda não viveste, é difícil evidenciar o gosto, o cheiro, o prazer, de uma coisa que não fora provada. Todavia, jamais irás saber o quanto eu sou bom neste assunto. A minha vida toda só fiz isso, é de se esperar que eu seja exímio amante. Sei que tu irás pensar que o meu manifesto é uma vã pretensão de um sujeito pernóstico, mas destas coisas que te falei, as quais eu realmente posso fazer, recebi mais elogios do que me manifestei com vanglórias.
Perco tanto quanto tu, entretanto a minha perda consiste em continuar vivendo dos louros da labuta de ser como sou. Já tu viverás com a eterna sensação que te faltas algo na vida e com isso terei pena do único homem (ou dos vários) que tentará pôr em sua vida (cama, corpo, boca), tentará desejar depois de ter me visto te anelando. Ensejando apagar o furor sexual que impregnei em ti apenas com os olhos, farás infelizes homens. E será aí que entenderá o que as lembranças não vividas são capazes.
No fundo tu te pareces comigo, és uma dona, alguém com a própria vontade e seguidora de si mesma. Também gosto disso, mas preferiria ser o teu dono, mandar em ti e em teus desejos. Resta-me deixar-te com esta falta de mim, esta ausência que doerá muito mais que qualquer coisa que tu viverás. Estou indo, hei, estou partindo! Prestas bem a atenção no que acabo de dizer, será a última vez que terás palavras minhas direcionadas a ti.
Claudio R. é o escritor de O Ladrão de Palavras.
enviada por O Ladrão de Palavras
06/08/2008 11:04
O CU DA ANNA - OPS! O CUIL DA ANNA
Por Claudio R.
Se alguém perguntar qual o melhor site de busca que você conhece, certamente receberá como resposta a palavra Google. Na verdade, se esta resposta não for verdadeira, com certeza, é a mais conhecida. O buscador do Google é praticamente o único que a maioria das pessoas conhece. Isso graças a Anna Patterson, programadora que inventou o buscador do jeito que é conhecido hoje. Anna é uma mulher branca, cabelos curtos, rosto arredondado (na verdade parece uma bunda) e olhar sorridente.
Mas Anna debandou e, segundo ela, criou um buscador ainda melhor e este será o principal concorrente dos seus ex-patrões: o Cuil, que pronuncia-se cool (desse jeito mesmo que você falou aí agora, com a mesma pronúncia daquele oxítona que você manda o seu chefe ir toda vez que ele te irrita). Em inglês, ser cool é ser legal, aqui no Brasil ilegal é ficar sem ter o privilégio de adentrá-lo.
Ter o rosto parecido com uma bunda não a qualifica na condição de criar um derrièri de alta capacidade. O cuil da Anna Patterson pode até ser melhor que o dos engenheiros do Google, mas Anna por Anna, prefiro o da Kournikova aquela tenista gostosa que, segundo o viadinho do Enrique Iglesias, tem mal hálito.
Embora o fundo da Anna provavelmente seja rosado, o seu Cuil é preto nas bordas com uma bolinha azul no meio, e quem abre o site logo leva um susto com o contraste, principalmente quem estiver acostumado com o Google, que tem o fundo branco, como deve ser o cu da Anna, a Kournikova. Ela investiu 33 milhões pra que seu Cuil ficasse à mostra, - mas também com aquela feiúra, tinha que pagar realmente, a Carla Perez ficou rica recebendo pra mostrar o dela. Enquanto o seu marido Tom Costello ajudou, juntamente com os ex engenheiros do Google Russel Power e Louis Monier, a por o Cuil da Anna a mostra, tem muito marido que gasta os mundos e os fundos para que sua mulher não mostre o dela, como o ex da Luma de Oliveira.
Anna disse que não vende o seu Cuil, disse que pretende ganhar dinheiro mostrando, ou melhor fazendo as pessoas entrarem pra fazer suas procuras, mas o Cuil dela ainda é muito apertado, digo, muito restrito, só 120 bilhões de páginas (todas em inglês) a buscar. A Bruna Surfistinha alugava o dela pela merreca de apenas 100 reais por cada hora e meia com certeza o Cuil da Anna é bem mais valioso, entretanto eu prefiro o da Bruna Surfistinha.
Por aqui por estas bandas, quando se quer dizer que uma cidade é pequena a ponto de todas as pessoas se conhecerem (leia-se se encontrarem), diz-se que ela é um cu, sendo assim, a Anna escolheu o nome certo para o site buscador, já que ela quer dá a impressão de que você encontrará facilmente o que procura.
De agora em diante, o Cuil da Anna vai ficar famoso, talvez não mais que, como diria meu professor de Língua Portuguesa, aquele famigerado monossílabo que tem assento, mas não acentua-se, como todo oxítona terminado em u e i, com exceção dos hiatos. Assim, você vai poder mandar o seu chefe, sua sogra, seu cunhado, o motorista do ônibus, tomarem no centro do cu sem ter uma conotação pornográfica, eles podem entender que é pra procurar no Cuil da Anna.
Ah, clicando www.cuil.com você pode ver o Cuil da Anna, e deixem de ser pervertidos que não estou falando do seu monossílabo rosado, e sim, do preto com a bolinha azul.
Claudio R., que em breve será entrevistado pelo Jô Soares, é o escritor de O Ladrão de Palavras, diz que o seu site ainda não pode ser encontrado no Cuil da Anna.
enviada por O Ladrão de Palavras
17/07/2008 08:28
PAGOU COM A LÍNGUA
Por Claudio R.
Ela foi o meu primeiro amor, uma namoradinha da adolescência. Entretanto, o pai dela era racista e não queria que ela namorasse comigo, isso por que eu sou preto. Mas além de ser um negão, eu sou persistente e aquilo não era empecilho capaz de impedir os nossos encontros às escondidas. Por muitas vezes escondido.
Meu maior sonho era fazer um filho nela, só pra ver a reação do seu pai quando soubesse que seria avô de um neto mulatinho. Ainda bem que isso foi só uma maluquice adolescente.
Por entender que o universo é circular e que a vida dá voltas entorno dele, eu sempre sentei e esperei. E por esperar, estes dias eu encontrei uma das irmãs dela, aí fiz um grandes descobertas. Descobri que a mulherada da casa é chegada na pele azeviche. Esta irmã casou-se com um negão, uma outra irmã estava namorando um negão e que a minha ex também havia casado com um negão e ainda por cima meu xará.
Contudo, toda vingança minha vem no lombo dum jegue e numa tropa. Não há dinheiro que pague a notícia final, foi a coisa mais gostosa que eu já ouvi: Ah, eu esqueci de dizer, o Andrezinho, também está namorando um negão. Aquilo me deixou com um gostinho maravilhoso de vingança realizada.
Minha vingança só não foi completa porque Andrezinho não vai dá netos mulatinhos ao meu ex sogrão.
Claudio R. é o escrito de O Ladrão de Palavras e é um negão de tirar o chapéu.
enviada por O Ladrão de Palavras
09/07/2008 08:43
MUDANDO-TE
Por Claudio R.
Eu posso te levar as nuvens durante um beijo,
Aos céus, voando sem sequer ter asas...
Flutuar sobre parreiras e cair num barril de uvas...
Posso te fazer viajar, fazer tua cabeça sem ser uma droga alucinógena
Posso ser o teletransporte, o ser que te encomenderá a felicidade
Posso ser eu, simplesmente eu,
Enquanto você sobe no pedestal
Vou continuar desejoso e sendo um reles mortal.
Claudio R., o escritor de O Ladrão de Palavras, não é o Pessoa, mas as vezes ataca a pessoa de poeta.
enviada por O Ladrão de Palavras
03/07/2008 14:34
O MISTÉRIO DO QUASE MORTE
Por Claudio R.
O que os médicos chamam de experiência de quase morte é quando um paciente entra num estado tão profundo que se assemelha com a própria morte, necessitando ser ressuscitado para que não morram verdadeiramente. Eu já tive várias experiências de quase morte que nem de longe se parece com a versão da medicina.
As minhas experiências têm dois fatos que devem ser ressaltados por tamanha estranheza. Um deles é a quantidade de acontecimentos, o que é facilmente atribuído à minha maneira de encarar a vida. Sendo um aventureiro, uma pessoa que gosta de curtir a vida adoidado e sugar adrenalina até das unhas do pé, assim, estes acidentes de percursos já são peculiares.
Entretanto, o que é mais estranho, e ainda bem que é assim, é o fato destas experiências serem espetaculares, dignas de filmes de ação (só que sem um dublê preparado para tal), e ainda assim eu sempre saio ileso (ou quase).
Já virei um carro na cabeceira de uma ponte, saí dele pra recolocá-lo na posição normal e segui o meu caminho, deixando as pessoas que testemunharam o feito completamente abismadas. Já caí de moto por 03 vezes, uma delas a moto sobrevoou a minha cabeça, caindo do meu lado e me deixando apenas com uma pequena fissura no osso pé direito; numa outra vez eu estava com um amigo passeando por uma região litorânea quando bati num buraco quebrando as rodas de liga leve, e fomos arremessados a mais de 6 metros de distância. Neste dia, estávamos a pouco mais de 110 km/h, e meu amigo sofreu uma lesão que rompeu o ligamento do joelho. Eu tive que arrastar a moto para pista, a qual estava completamente destruída e ajudar meu amigo a ficar num local onde fosse melhor o acesso de ajuda. E eu não tive absolutamente nada, completamente ileso.
Meu amigo olhava pra mim atônito sem saber como eu não tinha nenhum arranhão, um machucado sequer, nem dores, nada. Me diz uma coisa, você é feito de quê mesmo? perguntou ele. E eu brinquei: O sol deste planeta faz com que a matéria do meu corpo se assemelhe ao aço.
A experiência mais recente, e espero que seja a última, foi na terça feira passada dia 01/07/2008, a 18 dias de completar 32 anos eu quase fui pras cucúias, para a terra de pés juntos. Estava treinando com minha bike, numa velocidade de pouco mais de 50 km/h, ultrapassando um taxi, quando o mesmo não sinalizou que iria fazer uma conversão e me suspendeu a 1,50 de altura, me arremessando à pouco mais de 3 m de distância. O capacete foi parar uns 10 m de mim, a bicicleta um pouco mais afastada e eu, para variar, ileso.
Minha camiseta de ciclismo ficou completamente destruída, mas a matéria que estava dentro dela nem arranhão sofreu. A bicicleta, quando olhei pra ela, eu quase chorei, tamanha a destruição. Levantei, sacudi a poeira e continua a vida.
Porém a coisa mais engraçada disso tudo quem protagonizou foi um amigo que me confunde invariavelmente, o qual me chama de Hulk, quando deveria ser outro super herói. Ele disse: Hulk, imagino o estrago que você fez no taxi e no asfalto! . Eu o repreendi sarcasticamente dizendo que eu poderia ter morrido e ele não saberia. Foi aí que ele desvendou o mistério do quase morte: Você só morre se for jogado de um helicóptero.
Claudio R. é o escritor de O Ladrão de Palavras e acredita que é um gato europeu, tem 9 vidas.
enviada por O Ladrão de Palavras
01/07/2008 09:56
SEXO DEPOIS DO CASAMENTO
Por Claudio R.
Outro dia eu ouvi uns amigos conversando e um deles saiu com a seguinte frase: A mulher da gente, a gente come quando der certo e olhe lá. O meu amigo queria dizer que não precisa fazer sexo com a mulher dele com a mesma obrigação que lhe impulsiona a comer qualquer outra mulher. (Isso levou-me a crescer os olhos para a mulher deste amigo, provavelmente a pobrezinha estaria necessitada de um pouco de lascívia pra acalmar os instintos). Partindo do princípio do meu amigo, não há necessidade alguma de fazer sexo com a esposa, pois o casamento não foi feito pra isso.
Sempre achei que o casamento era aquele estado da vida em que você deixava de comer várias mulheres de vez em quando pra ficar comendo uma só de vez em sempre. Todavia, eu estava com um ledo engano a pairar na minha cabeça. A lógica que me fazia crer nisso vinha de que entre um homem e uma mulher que vivem juntos e estão disponíveis por mais tempo que um casal de namorados, estes deveriam fazer mais sexo que aqueles. Entretanto, na prática não se pratica.
O que determina essa falta de freqüência, no meu entender, é a falta de sincronia na maneira de administrar o instinto. Homens e mulheres são diferentes e foram criados para serem diferentes, homens são racionais, mas costumam ser títeres do instinto e com isso seus impulsos sexuais, alvoroçados no período da paixão, entram em calmaria durante o casamento, pois o objetivo, em tese, do instinto da procriação está praticamente garantido com o encontro da parceira com disponibilidade permanente. Já as mulheres são mais emocionais e o dia-a-dia e seus percalços não criam a atmosfera perfeita para o desenrolar de uma noite tórrida de amor. Assim, o sexo fica preterido, dando lugar a uma pérfida noite de sono, um de bunda para o outro.
Já ouvi bastante a célebre frase conselheira em que diziam para um casal pré-nubente aproveitar bastante antes de casar. Aquilo era uma agulha no meu testículo esquerdo, pois eu não conseguia admitir a falta de aproveitamento dentro do casamento. Ora, se o casamento é o enlace matrimonial mavioso, o cumprimento das leis naturais, o encaixe perfeito entre os pares, resumindo, uma coisa boa de viver, não havia motivo algum para deixar de aproveitar. Depois de tanto conversar com pessoas casadas e não raro participar de camas matrimoniais, descobri que o aproveitar significava fazer sexo, pois não se faria depois do sim.
Muitos dizem que a convivência assassina o sexo aos poucos, mas eu não posso admitir isso, ao menos não sou assim. O instinto que me impulsiona a fazer sexo com uma mulher é ativo constantemente, olhar para uma mulher transmite um sinal a massa encefálica que reenvia à massa fálica, a qual intumesce e faz acatar qualquer desejo. E isso não é só quando é uma novidade, costumo dizer que a saudade me move muito mais que a curiosidade. Portanto, aquela mulher com quem fiz sexo ontem, anteontem, semana passada, vai me trazer muito mais desejo hoje.
Costumam dizer que sou à exceção da regra, que sou anormal e que ninguém gosta de fazer sexo todo dia. Penso que o sexo deve ser como uma refeição, e desta forma deve ser consumido todos os dias, caso contrário não haverá bom funcionamento dos corpos. E mesmo que seja feijão e arroz, é bom e mata a fome, mas é claro que não se deve esquecer os banquetes domingueiros.
Uma amiga me disse outro dia que eu não aprendi a lição que insiste em dizer que o casamento não é o melhor lugar pra fazer sexo. Ela racionaliza na questão, tem experiência no assunto e trata com sarcasmo dizendo que é impossível sentir tesão por marido. E corroborando com ela, eu já ouvi um homem dizer que tinha preguiça de transar com a mulher.
Conheci muitas mulheres que fazem mais sexo que seus maridos (equação difícil de explicar aos olhos com pudores mas é mais ou menos assim, se você não estiver comendo sua mulher, alguém deve está) e por incrível que pareça, conheci poucos homens que fazem o contrário. Atualmente, os casais encontram a solução para que haja sexo dentro do casamento em cada um arrumando outro parceiro e ficando tudo bem. Isso hoje em dia é mais comum que se poderia imaginar a alguns anos atrás. Para manter a freqüência sexual, muitos estão partindo para o casamento aberto, onde sempre cabe mais, ou mais dois, sabe se lá.
Hoje, entendo que a maior asneira quando se trata de relacionamento é transformar a sua amante, aquela sua namorada que você não sai de cima, a mulher que você deseja sexualmente, que quer transar todos os dias, em sua esposa, aquela mulher que vai te ajudar a gerenciar uma casa, uma família, vai ser sua companheira na velhice, e que não vai ter disponibilidade e tampouco disposição para ser sua fêmea no cio. Ou seja, o sonho do casamento pode se tornar um pesadelo. Mas se mesmo assim você não estiver convencido disso e não quiser se manter apenas namorando, o que já é muito, aproveite bastante, pois sexo depois do casamento, talvez só exista na lua de mel.
Claudio R. é o escritor de O Ladrão de Palavras.
enviada por O Ladrão de Palavras
13/06/2008 10:12
SONHANDO NA CHUVA
Por Claudio R.
Ele se comprometeu em se comportar com cavalheirismo e só fazer o que ela quisesse. Nada de mão naquilo e o mais improvável seria aquilo naquilo. Apenas um encontro de corpos com resquícios de toques na alma. Um enlace com vestes fraternas que não convinha à fama dele e que ele nunca pretendera.
Nela havia um desejo oculto, o qual ela não admitia a possibilidade de explicitar, principalmente com ele, um homem sem valor e desmedidamente amoral; de passado lúbrico, aliás, passado, presente e futuro. Não seria amor ou seria apenas amor. Seria apenas paixão, mas paixão é muito para ser tratada como apenas. A ousadia lhe era peculiar, mas ele havia prometido que não a usaria, ao menos que o anelo não pudesse se contiver na sua promessa.
O cenário seria uma noite, um crepúsculo, melhor dizendo. O céu avermelhado pelo pôr do sol no horizonte, a noite caindo pelo véu da lua minguante e a imponência da natureza ao seu redor. Todavia, o vermelho amarelado deu lugar a um azul acinzentado e onde deveriam enxergar estrelas e uma lua morrendo ás mínguas, restaram nuvens que denunciavam o advento duma tempestade.
Ele amava a tempestade! Os raios cortando o céu, o estrondo do trovão e a certeza de que aquilo tudo era bem maior que ele. Enfim, ele via poesia naquilo. Enquanto, ela amava a chuva e a idéia lúdica de correr se molhando como crianças. Enfim, ela via inocência na chuva.
Eles se olhavam amistosamente, sorriam infantes, bobos. A chuva molhava fortemente, o frio os tomava pelas mãos, a escuridão encobria o desejo incontido dele e despertava o dela. As mãos dele começavam a enrugar, os joelhos tremiam e os dentes idem. Ela estava completamente encoberta pelas vestes da inocência e a pureza, intocada pela lascívia e protegida pela promessa dele de não exceder os limites da alma. Havia duas opções para dizimar o frio que lhes acometiam: abraçarem-se num enlace tórrido ou correrem feito crianças distraindo-se com a tempestade. Optaram pela segunda, correram e, numa brincadeira adolescente, um tentava pegar o outro. Fugindo dela, ele caiu estatelado no chão e ela tropeçou estabanada caindo sobre ele.
Ainda extasiados da brincadeira, eles se abraçaram e, esquecido do que prometera, ele a beijou, abraçou e torridamente permaneceram agarrados ali. Seus corpos rolavam nas poças formadas pela tempestade sob qual estavam expostos.
Num resquício do cavalheirismo que não lhe era peculiar quando se tratava de instintos humanos, ele levantou-se e a levantou em seus braços. Eles se olharam desconsertados, voltaram a sorrir e a se beijarem sofregamente.
O passado não lhes importava naquele instante, o futuro não ameaçava tal felicidade e os céus não se sentiam no dever (tampouco direito) de perturbar o que eles pretendiam a partir dali. Que nome dar aquilo que viviam agora? A união do lúdico com lúbrico. Ao invés de opostos conflitantes, dois seres incumbidos de, na doçura comovente da expressão, esquecer as diferenças e serem opostos que se completavam.
Num susto, ela acordou em sua cama extasiada, sorridente e disposta a esquecer o sonho demasiado da noite anterior. Ele levantou-se em sua casa, despido como costumeiramente dormia. Foi lavar-se, pois o acontecimento onírico tratou de sinalizar no mundo real o desejo do corpo, da alma, do ser, do instinto... Talvez de ambos. Acordados, ele, untado de superstição, resolveu-se por calar, ensejando trazer pra realidade. Enquanto o pudor impregnado a silenciou.
Claudio R. é o escritor de O Ladrão de Palavras.
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10/06/2008 12:03
A MULHER DO PORTO
Por Claudio R.
Quando eu era criança, morava próximo ao cais do porto e era ali que eu costumava brincar. Vivia saltando do píer e muitas vezes nadava até próximo aos barcos . Sempre que eu chegava da escola, corria pra lá e ficava a dar meus mergulhos e depois conversando com um homem jovem na faixa dos vinte e poucos anos. Este chamava-se Gael, era muito conhecido por seus causos e mentiras fantasiosas que costumava contar. Aquilo ajudava eu e os meus amigos a passar o tempo e também nos alegrava bastante. A vila era pequena e servia apenas de descanso para alguns velhos marinheiros em seus trajetos por mar aberto.
Ali no cais apenas uma coisa era mais agradável que Gael, a figura imponente de vestido colorido esvoaçante e cabelos idem. Ana Sodeñas, a mulher mais bonita da vila! Não havia ninguém lá que não achasse ela linda. Inclusive nós, uns meros pirralhos em nossas idades pré púberes e que vivíamos o sonho de um dia ser beijado por Ana. Entretanto isso não seria possível pois, por sua vez, a exuberante Ana era a namorada de Gael. Além de mentiroso, todos o chamavam de sortudo, por conseguir ganhar o coração cobiçado dela.
Eu e meus amigos ficávamos olhando pra Ana numa paixão lúdica e invejando Gael. A nossa inveja infinitamente desproporcional à dos pescadores amigos de Gael. Muitas vezes, estes costumavam a olhar acintosamente para ela, causando certo desconforto em Gael, mas ele geralmente tirava de letra aquela situação.
Gael sempre tinha um bom causo na ponta da língua e eles se diversificavam ainda mais quando ele ia pescar. De lá sempre trazia, além dos peixes, uma boa estória pra conta. Algumas vezes era um grande peixe que quase virou o barco na tentativa de fugir da sua rede, noutras vezes piratas atentaram contra ele e muitas outras quimeras de bom coração.
Por não ter perspectiva financeira ali, Gael sonhava em ir morar numa cidade maior onde pudesse ganhar dinheiro e ter uma vida cheia de regalias com sua princesa brejeira. Por conta disso, inventando histórias dos lugares que existiam lá fora, além daquele imenso mar que nos rodeava. Ninguém sabia ao certo o quanto daqueles lugares existiam realmente e o quanto era retirado da mente fértil dele. A riqueza de detalhes nos deixava ainda mais curiosos para retomar os papos nos dias subseqüentes. Mas era só Ana chegar para sermos preteridos, os olhos de Gael brilharem como duas bolinhas de gude, a conversa com os guris cessar e a sua boca ser usada apenas nos beijos cálidos com ela.
Ana não era uma mulher pra viver ali, esta era a frase de todo homem que via nela uma princesa. Até eu, um pequeno infante, pensava assim. Todavia, o homem que ela escolhera para príncipe não tinha condições construir um castelo ali, tampouco leva-la consigo para outro lugar. Foi aí, então, que ele resolveu partir dali em busca de melhoria financeira, mas prometendo voltar.
Lembro-me com clareza este dia, foi tocante. Além do amor por Ana, ainda tinha o fato de que Gael era um cara bacana e alegrava a meninada da vila. Unido a isso, sobrepondo a nossa saudade pouco valorosa, o semblante choroso de Ana que trajava um vestido branco com renda nas barras, diferentemente de todos os outros coloridos que usava. Ela parecia que acabara de vir dum enterro e o defunto era o seu ente mais querido.
- Ana, meu amor, não chore. Eu juro que vou voltar... As lágrimas desciam do rosto de Gael, estas transmitiam a veracidade daquele amor. Era a demonstração da certeza de que aquela era a primeira vez que ele falava a verdade. Enquanto Ana o olhava num pranto incontido e dizia:
- Eu choro, meu amor, não posso ficar sem você, não me abandone.
- Não é abandono, Ana, estou apenas indo buscar uma melhora pra nossa vida, logo voltarei pra te buscar, me espere. Aquilo não era qualquer promessa, era uma promessa verdadeira. Gael realmente iria voltar, qualquer um que o visse falando acreditaria.
- Podem passar milhões de anos, todos os dias da minha vida serão teus, Gael. Eu vou te esperar, nem que isso custe a minha vida, vou te esperar, vou amar-te pra sempre.
- Não se preocupes, Ana, eu vou está contigo no meu coração, me aguarde.
Quando Gael entrou no barco, o choro de Ana silenciou, ela agora soluçava e punha as mãos no rosto. Ana saiu do cais e foi pra casa. Nós ficamos ali e eu fui pra casa contar pra mamãe sobre Gael.
Mamãe era uma das pessoas que chamava Gael de mentiroso, então, supunha-se que ela não gostava muito dele. Quando eu falei da cena no porto, ela disse que não passava de baboseira e emendou.
- Logo, logo, essa menina vai está de namorico com outro rapaz daí da vila, do jeito que ela é faceira, não dou um mês. E o Gael, quando disse que vai voltar, contou mais uma mentira.
Ledo engano de minha mãe. Ana pretendia permanecer fiel a Gael por toda eternidade se fosse preciso e este iria voltar.
Passei mais dez anos morando na vila, logo mudei-me para capital no intuito de estudar. Naqueles dez anos que procederam a ida de Gael, Ana manteve-se fiel. Por estarmos crescendo, tendo nossos próprios amores, nós logo esquecemos de Gael e sua Ana.
Eu passei 05 anos fazendo faculdade e mais outros 03 ficando rico numa multinacional do petróleo. Praticamente esqueci da pequena vila em que nasci, exceto pelo fato de minha mãe ir lá todos os anos nos dias dos mortos colocar flores no túmulo de meu avô.
A minha vida melhorou bastante, não fiquei milionário, mas o meu patrimônio me dava o luxo de poder comprar um grande barco de passeio. Num destes passeios em mar aberto, um princípio de maremoto quase virou nosso barco, nós temíamos por nossas vidas, por sorte e peça do destino, uma corrente marítima nos levou para a minha vila natal. Estava com minha namorada e nós, juntos com a tripulação, resolvemos aportar.
Pulei do barco e fui nadando até o cais, recordando os velhos tempos de criança. Era noite, um sábado, eu me lembrei que os navios de passageiros só aportavam nos dias de domingo. Quando comentei com minha namorada esse detalhe, ela riu achando completamente absurdo a idéia de só existir esta possibilidade de transporte.
Fomos caminhando em direção a uma velha e única pousada da vila. Nosso trajeto foi interrompido por uma mulher que nos parou e disse: - Amanhã é domingo, o barco chega amanhã e vou por meu vestido branco para que ele não se confunda.
A mulher falava rápido, eu não entendi direito e pedi para ela repetir, ela continuou:
- Eu envelheci, já se passaram muitos anos, não sou mais aquela jovem, meus cabelos estão brancos. Mas ele vai reconhecer o vestido branco de renda na barra.
Segui pra pousada e não dei muita atenção à história da mulher, mas fiquei rememorando tudo que eu vivera e acabei lembrando quem era a mulher. Um estalo! Ana Sodeña, agora uma mulher madura de quarenta e poucos anos, com a pele envelhecida do sol e do destrato consigo mesma.
No jantar eu procurei saber sobre ela e um garçom me contou o que ele sabia, o que não seria muito, haja vista que ele não tinha idade para ter visto a história completa, mesmo assim suas informações foram de grande valia.
- Ela é conhecida como a louca do porto... Vive nas redondezas do cais, todos os domingos ela põe um vestido branco dizendo que um homem vai voltar. Dizem por aí que já fazem mais de 20 anos que isso acontece... Já tentaram levar ela para o manicômio e tudo, mas ela sempre foge e vem pra cá. Toda vez que chega um barco sem o homem dela, ela fica em prantos, dá até pena, mas isso é coisa de doido mesmo, não podemos fazer nada.
Não podemos fazer nada. Esta frase ecoou por vários minutos em minha cabeça. Não era coisa de doido, era impressionante o que havia acontecido, Gael não havia voltado e Ana havia esperado como prometera. Eu procurei saber sobre o que havia acontecido, mas ninguém tinha notícias do que acontecera com ele. Fiquei triste por saber que aquela história de amor não acontecera como pretendiam.
O amor sobrepôs todas as outras necessidades de Ana, ela ficou só por todos aqueles anos esperando por Gael que nunca voltou. Sem consegui esquece-lo, ela transformou a lembrança do amor vivido numa esperança imortal. Mas o que teria acontecido Gael?
Baseado no letra da música de FHER OLVERA - En muelle de San Blàs.
enviada por O Ladrão de Palavras
09/06/2008 12:13
AS RESPOSTAS: As divagações para as suas perguntas
Por Claudio R.
Na verdade, eu tenho bastante orgulho disso e credito isso ao fato de, primeiramente, ter nascido numa casa onde meus pais lêem bastante e me incentivaram a isso. Outra coisa também é ter tido a sorte de meu trabalho me colocar a cada dia numa cidade diferente, fazendo, com isso, que eu conheça várias culturas e comunidades diferentes.
Não é bem medo, é apenas um receio do que posso ficar sem fazer se isso vier a acontecer.
Claro que para uma pessoa que é adepta de qualquer esporte, o corpo é muito importante, portanto, para um atleta a imobilidade é bem maior que uma pessoa comum.
A dor pra mim é quase um troféu, sou adepto do no pain, no gain, as vezes exagero, mas dentro de uma certa normalidade que eu imponho.
Nunca tive esse tipo de sentimento, gosto de mais pra ter este tipo de repulsa. Aliás, não há nada ali que me cause isso.
Não contei, mas tentei contar, acho que não foram poucas, porém menos do que eu realmente gostaria.
Há uma grande diferença entre o ideal e o satisfatório, pelo menos pra mim que sou inconstante e insatisfeito. E além disso tem as mudanças no percurso da vida. O que hoje é ideal, amanhã deixa de ser, mas o tipo que mais se aproxima do ideal é a que seja completamente única. Que não tenha medos, mas que de vez em quando finja me pedindo colo. Que goste assaz de uma certa coisa que eu gosto em excesso. Que não tenha tabus. E se possível não venha com moldes fixos. Ah, e que coma pimenta (risadas metafísicas).
Não sei se quero realmente, mas tive esse desejo a algum tempo e foi bastante forte. Se tivesse de ter iria querer uma menina, mas me contento com o meu menino que me orgulha muito.
Parece continuação, mas isso foi o que mais me emocionou, na verdade, eu levei bastante tempo pra que caísse a ficha. Isso até gera desinteligência, pois as pessoas esperam que você fique alvoroçado com tal acontecimento, no meu caso eu fiquei abstraído de toda aquela situação. Acho que isso é que emocionante e não toda aquela euforia difusa.
Hoje não tenho mais religião, mas já fui bastante religioso, no entanto acho que foi apenas por conveniência. Nasci no meio em que as pessoas criam no sobrenatural e eu fui de carona. Larguei a conveniência para ser ateu por convicção.
Claro que isso é complicado, principalmente para quem convive com pessoas que são ferrenhas nisso. No fim, eu tenho um saldo estável, não há céu, mas também não há inferno.
Não tenho nenhum tipo de preconceito, acho uma burrice ter, mas tenho alguns problemas com pessoas religiosas, principalmente aquelas que querem impor a sua crença. Assim, há um certo afastamento, mas respeito acima de tudo.
Acho que só os de infância mesmo, mas eu tenho uma coisa interessante em relação à amizade, eu me apaixono pelas pessoas. Claro que não no sentido erótico, tenho amigos de pouco tempo que tenho tanta afinidade que parece uma paixão por uma mulher. E tenho poucas amigas que são pau pra toda obra, que estão para o que der e vier, geralmente homens têm mais este tipo de lealdade.
Isso eu faço, não tenho medo de por a prova. Troco facilmente a amizade de uma mulher por um relacionamento amoroso com a mesma, dou valor às amizades, mas uma paixão é mais sublime. E como a história está acontecendo o tempo todo, inclusive os começos, meios e fins, a amizade pode ter estas fases, então, porque não arricar uma paixão?
Não separo bem, preciso de alma pra separar mais, porém como fazer isso com um ser que não admite a existência desta? Sou mais instintivo que amoroso, mas as vezes fico olhando um animal e seu instinto afetivo para com os iguais e vejo mais amor que nos seres humanos.
Não só pareço como é verdade que prefiro eles e sua enigmática forma de amar e viver. Mas, gente inocente e inteligente (se é que isso é possível) me cai bem.
Acho o romantismo meio cafona, mas me vejo muito raramente ligado em algo romântico, pode ser uma música, principalmente.
Não acredito nisso, acho esquisito quem só começa o dia se ler sobre o seu, mas me lembro muito bem da primeira vez que quis saber sobre, foi por causa de uma paixão adolescente.
Por ser todo insatisfeito, eu tenho vários maiores, na infância eu queria ser jogador de futebol, mas cresci e este ficou lá pra trás. Quando adulto o jiu-jitsu me transportou a vários desejos... E tem também a escrita. Vivo sem saber o que me apetece mais, se é o reconhecimento em qualquer coisa digna ou ser reconhecido apenas como escritor.
enviada por O Ladrão de Palavras
30/05/2008 11:22
NO DA MINHA MÃE, NÃO
Por Claudio R.
Enquanto isso, no salão de beleza, duas mulheres conversam, uma jovem de mais ou menos vinte e sete anos que estava fazendo depilação e a sua depiladora...
- Mulher, você não sabe a vergonha que eu passei estes dias?
- O que foi?
- Eu estava recebendo meus pais em casa, um almoço de fim de semana. Meus pais são ultra conservadores e meu filho de 02 anos partiu de dentro do meu quarto com um tubo de lubrificante íntimo e camisinhas com sabor.
- E você?
- Morri de vergonha, olhava pra cara do meu pai imaginando o que ele estava pensando.
- Você ficou com vergonha à toa, ele nem deve ter notado.
- Como não, meu filho estava com a camisinha na boca dizendo gotoso, mamãe, chiquete!
- Vixe, aí não tinha como notar. E você tomou da mão dele?
- Fiquei paralisada, mais vermelha que um camarão. Depois de alguns instantes eu toda sem jeito peguei, dei um sorriso muito falso, olhei pros meus pais e disse: É, nem sei como isso veio parar aqui...
- E eles?
- Ficaram me olhando, não sei se eu nervosa percebia isso, ou se realmente o olhar deles era repreensivo.
- E o tubo?
- Bem, o tubo eu disse que era um creme de cabelo. E tomei da mão do Fabinho. Mas eu fiquei passada quando minha mãe olhou e disse: Filha isso não é o creme de cabelo
- Que horror! Então ela sabia realmente o que era?
- Não só sabia como também usava...
- Mas deve ser por causa da menopausa, há dificuldade na lubrificação vaginal. Muitas mulheres estão usando para facilitar o sexo.
- Eu queria acreditar que era pra isso, mas ela foi muito mais fundo, sem trocadilho. Saiu dizendo que aquele não era muito bom e que existia outra marca que a lubrificação melecava tanto e perguntou ao meu pai o nome. Eu fiquei passada!!
- E seu pai respondeu?
- Meu pai respondeu com outra pergunta que me deixou mais constrangida ainda: Você está falando do Fleet Enema? E minha mãe diz: Não, amor, este aí é que deixa tudo limpinho lá dentro, estou falando do outro. Daí meu pai responde KY Warner. Pode uma coisa destas? Eles muito entendidinhos no assunto.
- Ah, mas eles têm vida sexual ativa, isso é bom, você deveria se orgulhar disso...
- Nada de orgulho, fiquei com a maior vergonha de saber que minha mãe dá o cu.
- Mas o que tem de mais? Hoje em dia todo mundo dá o cu. Canso de fazer depilação no ânus das mulheres e elas comentam que estão fazendo aquilo para que ele fique mais bonito e atraente para o marido.
- Sim, mas nenhuma destas mulheres é a minha mãe. Puxa vida, você já imaginou sua mãe dando o cu?
- Olha, nunca imaginei, não, mas não ficaria ofendida se soubesse que ela dá.
- Eu não fiquei ofendida, eu fiquei envergonhada.
- Não entendo o porquê da vergonha, afinal você também faz anal. Hoje em dia isso deixou de ser tabu e passou a fazer parte do cotidiano de muitos casais.
- Ah, é, passou a ser? Quem falou isso? Eu não posso acreditar numa coisas destas.
- Mas mulher, você faz anal com seu marido e fica aí com todo esse tabu com sua mãe...
- Claro, eu nunca tinha feito anal, eu ia tentar dá o cu pela primeira vez naquele fim de semana. Meu marido vivia pedindo, eu me recusava... E agora estou muito puta da vida de saber que minha mãe, uma velha, dá o cu. Enquanto eu, uma jovem, nunca dei...
- Ah, não se preocupe com isso. Agora, vira de costas que eu vou deixar o seu cuzinho bem bonitinho pro seu marido... Bem mais bonito do que eu deixo o da sua mãe.
- O que??!!! Não acredito nisso...
Claudio R. é o escritor de O Ladrão de Palavras e também não admite no da mãe dele, mas no da sua já é outra história que não posso contar aqui.
enviada por O Ladrão de Palavras
26/05/2008 10:20
UMA PUTA E UMA SACANAGEM
Por Claudio R.
Enquanto isso, na oficina do Rey...
- O que posso dizer que ela era tão linda que valia a pena fazer qualquer coisa por ela. Um espetáculo de mulher, uma bunda daquelas que não se pode aceitar que fosse usada apenas pra sentar no vaso. Os peitos eram a perfeição. A mulher tinha a barriga parecendo uma tábua envergada pra dentro...
- Mas e aí, o que você fez pra conquistá-la?
- E quem disse que eu a conquistei? Nananinanão. Eu queria comê-la e ela titubeava sempre, escorregava mais do que quiabo.
- E você?
- Eu estava embasbacado com ela. Sabe aquela artista estrangeira da bundona? Aquela que namorava aquela bonitão, lá, a cantora lá das bandas do Porto Rico...
- Ah tá, não vai me dizer que ela era parecida com Jennifer Lopez?
- Não vou dizer que era igual, ela era melhor uma besteirinha, mas era... Pois bem, ela era destas mulheres muito doida, tipo topa tudo, mas não rolava comigo. Eu nem sei bem porquê. Um dia eu cheguei e disse pra uma amiga dela: Sou capaz de fazer qualquer coisa pra ter a Ana Maria na minha cama. Aquilo voou como uma flecha até os ouvidos dela.
- E ela caiu na sua cama?
- Calma, não aconteceu assim tão fácil. Quando ela soube que eu realmente estaria disposto a fazer qualquer coisa, ela veio com um pedido dos piores.
- O que ela queria?
- O patrão nem vai acreditar... Veja só! A mulher queria que eu roubasse uma Hayabusa de dentro de uma loja...
- E o que vem a ser uma Hayabusa?
- É uma moto, aliás, essa é a moto, ela talvez seja melhor que a Ana Maria... Imagine o que há de bom numa moto e o senhor só vai conseguir pensar na Hayabusa.
- E o que você fez, roubou a moto?
- Homem, o negócio era complicado, eu dormia e acordava pensando na moto e na Ana Maria... Pensava que se não roubasse perderia ela, e se roubasse poderia ser preso e aí perderia ela do mesmo jeito.
- A Ana Maria era tão gostosa assim que valia a pena?
- O patrão não deve está acreditando quando eu digo, né? Ana Maria não era qualquer mulher, ela era especial, mulherão pra dez homens casarem e ficar todo mundo satisfeito.
- Eita! Então era mulherão mesmo!
- Se era...
- Então, você foi lá e roubou?
- Bem, eu pensei um pouco e acabei resolvendo roubar. Levei quase duas semanas pra bolar o plano.
- E como você conseguiu passar por os sistemas de alarme e estas coisas?
- Isso foi o mínimo, patrão, o difícil foi arrumar as chaves originais da moto... Tá pensando o que? A moto não funciona com qualquer chave, tive que dá um jeito de arrumar a original. E o sistema de filmagem eu dei um jeito facinho de desligar.
- Mas você entende destas coisas?
- Bem, patrão coça a garganta é que nem toda vida eu fui mecânico.
- Daí, então, você foi lá deu a moto a ela e comeu a Ana Maria?
- Que nada, a coisa não foi tão fácil assim, eu fiquei puto da vida.
- Por que?
- Rapaz, a Ana Maria tava dando pro Fraldinha.
- Quem é esse Fraldinha?
- Pense num cara feio e eleve a qualquer número, o Fraldinha ganha. Além de feio fedorento, a boca do cara fede mais que cu.
- Brincadeira, e a toda gostosa da Ana Maria dando pra esse cara!
- Pois é, foi aí que eu fiquei puto, mas já tinha roubado a moto e agora eu teria que comer, mas resolvi fazer mais sacanagem que putaria.
- Como assim?
- Bem, a Ana Maria queria que eu fosse pro motel com ela na moto, pra mim não teria problema algum, eu já saí de pau duro, nem sei se foi pela moto ou pela Ana Maria. Só que antes eu resolvi fazer a sacanagem, quer dizer, comecei a sacanagem.
- O que você fez?
- Olha só, eu estava puto que a Ana Maria tava dando pro fedorento do Fraldinha, então, eu quis sacanear os dois de vez.
- Vixe, os dois de vez?
- É, fui pro motel com a Ana Maria, dei a maior canseira nela. Umas quatro horas de trepada, e a bichinha dormiu, lindamente, com aquele bundão pra cima.
- Você abusou da bunda dela, nesse momento...
- Nem lembrei disso, o patrão falando é que eu me dei conta, meu plano tinha mais coisa. Primeiro eu liguei pro Fraldinha dizendo que precisava dele lá no motel pra me ajudar a tirar a Ana Maria de lá. Inventei que ela tinha bebido de mais.
- E ele veio?
- Pois é, o Fraldinha o que tinha de feio, tinha de tonto. Caiu como um peixe, veio todo aberto. Ele já chegou querendo saber o que tinha acontecido e eu enrolei ele direitinho. Fui embora e deixei os dois lá.
- Ah, entendi, então, você fez com que o Fraldinha pagasse a conta do Motel?
- Isso seria pouco. Eu saí de lá, liguei pra polícia e disse que a moto que tinha sido roubada estava num motel... Dei toda descrição e disse quem tinha roubado.
- O Fraldinha?
- Nada, disse que quem tinha roubado foi a Ana Maria, afinal o Fraldinha iria se embananar todo se eu dissesse que foi ele. Sendo a Ana Maria, até ele confirmaria, pois não sabia como aquela moto teria parado ali.
- Isso é o que eu chamo de uma puta de uma sacangem.
- Não, patrão, é uma sacanagem por causa de uma puta.
Claudio R. é o escritor de O Ladrão de Palavras, mas um dia quis ser mecânico.
enviada por O Ladrão de Palavras
20/05/2008 16:06
EU SOU ASSIM, MAS TUDO PODE MUDAR
Por Claudio R.
Fui criança levada e me tornei um adulto idem. Quando criança tinha medo de envelhecer para continuar jogando bola, vivia o sonho de ser um Peter Pan, uma criança que nunca crescia, mas eu cresci, e como cresci (- já cheguei a pesar 92 kg de massa muscular). Nunca tive medo de escuro, mas hoje vejo que sou um escuro (negro) de meter medo.
Sempre me esmerei em ser exímio em tudo que fiz e faço, meu sonho infante era ser jogador de futebol, mas meus pais sempre acharam que eu era inteligente de mais pra lidar com coisas físicas. Ledo engano, eu jogava muito bem e o maior troféu que recebi por jogar bem foi há bem pouco tempo quando um amigo disse: Seu esporte era realmente o futebol, você jogava bem de mais pra ter parado. E eu parei muito cedo, a última vez que joguei futebol foi aos 18 anos, tentei uma volta aos 22, mas em vão, aí eu já estava noutra. Parti para o jiu-jitsu, a arte marcial da técnica suave. Encontrei-me ali. Lutar realmente faz parte do meu show de vida. Quando criança eu brigava muito, adolescente eu continuei brigando, já adulto eu resolvi canalizar a minha força e fui lutar: jiu-jitsu, judô, muhay tae e boxe. Destes, o jiu-jitsu me apetece mais, é mais bonito, mais técnico, mais eficiente e é o que concentra todos os instintos humanos num só lugar.
Nunca fui um cara solitário, mas sempre tive medo da solidão, não sei por que, talvez o meu egocentrismo de primogênito quisesse sempre mais e está só não me dava esse direito. As vezes eu prefiro ficar só, mas nunca muito tempo ao ponto de que esta solidão se solidifique numa tristeza.
Um homem de personalidade forte, um jeitão sorumbático e temperamento explosivo. É assim que a maioria das pessoas me vêem. No entanto, meus maiores amigos dizem que eu sou prestativo, justo, carinhoso (ops! Aí acho que só as amigas) e leal. Eu tenho grandes amigos. É muito bom dizer isso.
Eu sou insatisfeito com tudo, mas principalmente nas relações humanas mais prazerosas, entre elas o sexo. Tenho um comportamento de viciado (como diz minha amiga Nilda), não sinto prazer em outras coisas se eu não estiver comendo alguém. Acredito que não há nada mais bem articulado na natureza que o sexo e todas as suas nuances. Dizem que esta é mais uma coisa que me tornei exímio. Talvez pela quantidade desmedida de parceiras ou pela assaz qualidade que estas tinham. Nem sei o quanto o meu vício está no sexo, muitas vezes penso que meu vício está em emoções fortes e sentimentos nobres e fúnebres como a paixão.
A paixão anda comigo e está para mim como magma está para os vulcões. Não sou eu mesmo quando estou abstinente.
Gosto de animais, talvez até mais que de gente, mas ainda acredito na ingenuidade e inocência das pessoas. Um dia as pessoas serão educadas, sinceras, honestas e bondosas. Não haverá falsidade e nem conchavos. Não sei se, tal qual o meu xará Martin Luther King, eu não verei este dia, mas ele acontecerá.
Minha mãe pode não ter me dado a educação cheia de etiquetas que vemos por aí, mas ela me deu a educação perfeita para que o mundo fosse melhor. Eu não consigo achar uma carteira com dinheiro e tentar me aproveitar daquela situação; Não consigo matar passarinho sem sentir remorso; E não consigo achar bonito roubar seja em qualquer situação. Mas também, claro, não sou bonzinho, tenho um senso de justiça que às vezes confunde-se com frieza e desumanidade. Também, erro. Erro bastante e como diria Leminski, até que o erro saiba que só o erro tem vez.
Ainda, erro no seu sentido mais nobre, gosto de viajar, desbravar, conhecer gente e lugares.
Antes eu tinha medo da morte, mas convivia bem com isso, hoje eu não tenho medo, mas receio morrer sem aproveitar o prazer de ver o meu filho crescer. Entretanto, isso não me impede de me arriscar a viver. Gosto de aventuras, gosto de me embrenhar nos perigos da vida e viver intensamente, tudo isso por medo de que o amanhã seja apenas o dia do meu enterro.
Eu amei, mas as pessoas que me amaram têm mais motivos pra me odiar que o contrário. Por amar, entendo a idéia de querer o outro bem sob qualquer circunstância, portanto, o meu amor converge com isso. Sou egoísta, assim como o amor que não permite nada além dele. Quero o meu bem querer acima de tudo, e é assim que consigo dar o melhor de mim para as pessoas que amo. Mas esse tipo de amor só funciona nos livros de filosofia.
Eu escrevo, gosto de escrever e gosto do que escrevo, sou um escritor que não ganha dinheiro com isso. Assim como, também, sou um ciclista, lutador e amante profissional que não é remunerado financeiramente.
Eu leio muito e gosto muito de ler. Ler me torna diferente das pessoas que me cercam, sou incomum e me orgulho disso. Não leio qualquer coisa, não vejo graça em ler bula de remédio e não leio livros de auto-ajuda, talvez por isso eu não leia nem manuais de equipamentos eletrônicos. Sempre achei que manuais, seja ele um livro de auto-ajuda ou qualquer outro, só serviam para pessoas deprimidas e dependentes, não me encaixo em nenhum dos dois.
Por falar em se encaixar, eu me encaixei muito e num destes encaixes, eu fiz um filho, o qual eu vejo a felicidade na sua existência em minha vida. Espero que ele seja um grande homem e que no mínimo queira ser lutador, mas espero mesmo que ele seja assaz feliz.
Meu filho é um presente maravilhoso, embora eu não seja adepto da prática de receber presentes, esse é um presente inefável e jamais devolverei. Assim como o meu primeiro violão e roupas pretas são presentes que recebi e fiquei feliz em desmesura.
Claudio R. é o escritor de O Ladrão de Palavras
enviada por O Ladrão de Palavras
16/05/2008 14:23
POR PROCURAÇÃO
Por Claudio R.
Meu amigo não sabe, tampouco faz idéia de que eu estou te escrevendo esta missiva para falar sobre ele. Na verdade, por ele ser meu confidente e grande amparo nas horas de agonia, ele usou do mesmo subterfúgio à tristeza e remeteu-se a falar do romance, ao qual eu intitulei de filme B, meloso e bobinho.
Recordo-me muito bem do início do relacionamento de vocês, ele fazendo segredo da mulher que o fazia sorrir diferente e chegar mais tarde em casa. A curiosidade nunca me foi uma característica peculiar, todavia eu queria saber quem o tirara daquela quase depressão e ansiedade em se apaixonar. E realmente se apaixonou, o sorriso era notório, revelador, até a nossa empregada estranhara o jeito diferente que ele acordava. Entretanto, o mistério durou até o dia que ele te levou lá em casa, e que tu não deste a ele o privilégio de deitar com ele.
Tu és uma mulher bonita, digna de aplausos e que, palavras dele, Deus fora bastante gentil contigo. Concordo plenamente com as palavras dele, pois a tua compleição invejava a todos que nos cercavam.
Perdão por está sendo um tanto indiscreto, mas é conveniente falar que muitas vezes ouvi o sexo que faziam. Particularmente os teus gritos, que me pareciam ser sinceros e realmente estava sentindo prazer. Meu nobre amigo se orgulha de ter participado dos teus gozos inúmeros e inéditos. De certo que tu acompanhavas a viagem lasciva que ele te levava.
Ele me disse que dói saber que está longe e ainda por cima com outro homem embora ele também esteja gozando do mesmo pérfido direito, é inaceitável, para ele, a vida sem ti. Ainda, tratou de se esmerar em dizer que não conseguirá te esquecer por completo. Disse que tudo e qualquer coisa trazem lembranças tuas. Interessante o rol de coisas que ele faz alusão ao tempo contigo. Fazer a barba, segundo ele, lembra um dia que tu e ele passastes o dia juntos e ao fazer a barba, mal feita por sinal, tu o ajudou a refazê-la.
Eu não sou adepto destes sentimentos, nostalgia atrapalha a minha invulnerabilidade. Podes até me chamar de insensível, mas eu não posso admitir que estas coisas permeiem o meu cotidiano. É estranho ao meu corpo ser obrigado a chorar toda vez que eu ouvisse o nome da cidade de alguém que eu convivi. Ainda, sinceramente eu não teria nenhuma compaixão em me desfazer de coisas que dividi prazeres com uma mulher.
Desculpe-me por está falando estas coisas e parecer sarcasmo, mas é o que eu acredito e pratico, diferentemente do meu nobre amigo, sou adepto da praticidade, inclusive no meio sentimental. Como exemplo, é bem mais fácil tentar te esquecer com outras mulheres do que ficar choramingando pelos cantos. Mesmo eu não tendo encontrado nenhuma mulher que gritasse, ou melhor, urrasse de prazer como tu, saberia como mudar essa situação inquietante.
O que dizer do dia em que resolvestes inovar no sexo e ele te possuiu pela reentrância de pouca usança. Eu ouvi, não de propósito, mas não pude deixar de apurar a audição no primeiro sussurro propondo o ato. O invejei, mas respeitosamente fiquei apenas na inveja. Tu foste motivo de muitas corridas minha ao banheiro, não resistia tentando imaginar o que teus sussurros significavam e para onde os teus movimentos estavam te levando. Por já ter possuído a mulher de alguns amigos e tu tenhas despertado desejo em mim, antes mesmo de conhecê-lo, eu não me sentiria à vontade para te ter nos meus braços. A paixão dele é tão grande que incomodaria até o mais tarado dos homens que já existiu.
Não raro o ouço dizer que sente mais a tua falta do que qualquer coisa vital. Para mim não é salutar nutrir paixão por alguém cheia de suplementos como marido e filhos. É esquisito esperar, pois mulheres não aproveitam o bom da vida, simplesmente decidem a vida e, infelizmente, não coube a ele a parte decidida por ti.
Contudo o romance acabou e ninguém sabe realmente por que. Ele me diz que tem certeza que jamais te esquecerá e que tem muito medo disso. Inclusive o temor de num dia qualquer do seu futuro, na tranqüilidade de sua decrepitude, ele não consiga enxergar validez nos atos da sua vida amorosa e assim não hesite em dar fim ao próprio sofrimento com a morte do corpo, pois a alma, acertadamente continuará sofrendo por não está contigo. Eu acho tudo isso uma grande tolice, mas eu não estou apaixonado para entender destas coisas, no entanto, ele...
enviada por O Ladrão de Palavras
14/05/2008 15:07
APENAS UM NOME
Claudio R.
Estava eu numa boate conversando com a mulher mais bonita que eu já vira. Corpo malhado, boca carnuda, um peitão turbinado, bumbum redodinho e firme, olhar sensual e penetrante, enfim, a mulher que eu sempre sonhei ter em meus braços e consequentemente em minha cama, ou na dela, ou na de um motel de luxo. Trocamos olhares, até que cheguei perto e começamos a conversar. Por incrível que pareça, ela era tudo aquilo e ainda tinha uma boa conversa, um papo agradável e cheio de sacadas cômicas.
Ela parecia interessada e eu saí com essa:
- Já que terminaremos esta noite juntos, falta uma coisa... Qual o seu nome?
- Ah, deixa isso pra lá, terminaremos sim a noite juntos, mas esqueça que eu tenho um nome.
- Oxe, mulher, como eu passarei a noite contigo e não saberei o seu nome.
- E pra que irá servir o nome?
- Ah, sei lá, é que todo mundo tem um nome e você não pode ser diferente.
- Eu não sou diferente, mas meu nome é muito horrível, estragaria qualquer coisa mais lasciva que você viu em mim, então, melhor deixar pra lá.
A conversa continuava comigo insistindo e ela negando. Impossível que alguém tivesse um nome tão horrível a ponto de preferir não ser chamada por nome algum. Eu continuei perguntando até ela mandar a fatídica frase.
- Você quer realmente saber o meu nome, então, vou te dá a chance de tentar acertá-lo, imagine o nome mais feio que existe.
- Ah, é impossível que você se chame Josefina!
- Pois é, eu me chamo Josefina, ta vendo...
Se fosse na mega sena acumulada eu não acertaria com tanta facilidade. Puta que o pariu!, pensei. Não tinha jeito, antes de ela começar a justificar o porquê de não querer ser chamada pelo próprio nome eu emendei.
- Mas como, no meio de tanto nome horrível, eu fui falar logo um que me traz as mais maviosas recordações?
- Como assim? Perguntou ela
- Josephina é o nome da minha falecida avó, uma sábia velha que praticamente me criou, morei na casa dela até os meus 8 (oito) anos de idade. Gostava mais dela que da minha própria mãe. Ela não gostava do nome, mas quando eu a chamava ela gostava...
- Você está falando sério?
- Claro que sim, nunca falei tão sério. Eu não acho o nome feio, só falei por lembrar que a minha vozinha não gostava do dela e vivia as turras com todos, na verdade ela preferia que a chamassem de Isadora.
- Isadora?!!
- É apenas um nome, maluquice, sei lá. Acho que ela vivia tão complexada na infância que usava esse nome.
- Ah tá, você salvou a nossa noite com a sua história.
Realmente eu salvei a noite, nós fomos parar na casa dela e tudo isso quase se perde por apenas um nome. Ainda bem que lembrei da minha avó, que não se chamava nem Josephina, tampouco Isadora, seu nome era Eutrépida Maria.
Claudio R. é o escritor dO Ladrão de Palavras, e é mais que um nome.
enviada por O Ladrão de Palavras
08/05/2008 17:37
UNS RAROS COMEM BEM
Por Claudio R.
Feliz é o homem que desperta a inveja nos outros. Se eu fosse namorado da Jennifer Lopez, (aliás, não conta pra ninguém, mas eu estou comendo risadas metafísicas) eu seria um dos homens mais invejados do planeta e acharia essa sensação maravilhosa. Devo ser um exemplar raro da raça humana masculina, pois a maioria das pessoas que conheço não desfruta do prazer de se sentir melhor que todos através da inveja alheia.
Sentir-se assim é bem simples, basta você transferir toda energia direcionada ao ciúme para o orgulho. Infelizmente isso não é fácil, por dois motivos específicos. O primeiro deles é que num relacionamento amoroso envolve-se muita coisa além da pura e vantajosa vaidade humana, os sentimentos nutridos pelas partes interferem na praticidade, o que leva as pessoas a não serem abertas às investidas da inveja de outrem.
Salvo raras exceções (aliás, raríssimas, ops!), eu sempre obtive no meu currículo sexual mulheres dignas de capa de revista. Eram, de um certo modo, troféus conquistado com uma labuta não muito árdua, diga-se de passagem, entretanto, eu sabia que do meu lado tinha uma mulher que facilmente seria cobiçada e muitas vezes sob os meus olhos. Sempre fui um homem grande e um grande homem, talvez por isso não tenha presenciado atos de inveja acintosos, mas os olhares não costumavam ser muito discretos. Uma certa vez, eu estava com uma namorada e dois casais de amigos, a minha namorada era estonteante, uma mulher de parar qualquer quarteirão, literalmente uma mulher gostosa que todos queriam comer, nem que fosse com os olhos. Lá, eu e os namorados das outras meninas, conhecemos um grupo de jovens que não paravam de olhar para a minha namorada, mas eles não sabiam quem era o namorado da gostosa. Nós fomos jogar bola com eles e fizemos um contato mais amistoso. Um deles partiu com essa:
- Rapaz, se aquela mulher fosse minha namorada, eu não sairia de cima dela. O que você acha negão?
Eu respondi: - Existem coisas que não dá pra fazer com ela por baixo, por exemplo jogar bola com vocês, beber água, comer...Eu, particularmente, muitas vezes tenho que vestir roupa, pois nem tudo posso fazer pelado. Vocês não acham? O rosto do rapaz ficou vermelho, ele ficou com medo de que a minha resposta além de sarcástica fosse apenas o começo e que eu partisse pra porrada. Mas nada disso rolou, eu apenas me senti lisonjeado por ter comigo uma mulher desejável, capaz de causar a inveja e a admiração de muitos outros homens.
Não é fácil ter este tipo de atitude, a auto-estima do cidadão tem que está bastante elevada pra que ele sinta-se a vontade com o próprio orgulho. Pois o ciúme é iminente e se o elemento estiver com baixa auto-estima, pode se sentir ameaçado, o que nunca foi o meu caso.
O fato é que uns comem bem, outros comem mal e outros não comem nada. Faço parte dos que, bem ou mal, comem. Não raro, acerto o fino trato e acabo ganhando uma diva estonteante causadora da inveja alheia. Portanto, continuo me sentindo o pole position, o vencedor, e não tenho problema algum em despejar champanhe em todo mundo pra comemorar a minha vitória. E você que também é dono de uma Ferrari vermelha e vê nos olhares dos outros aquela inveja fulminante, não se preocupe, sinta-se a vontade para dizer à si mesmo: Pode olhar, mas lembre-se que sou eu quem está comendo!
enviada por O Ladrão de Palavras
07/05/2008 16:28
CADA UM COM OS SEUS PROBLEMAS
Por Claudio R.
Cada um sabe a medida do seu problema, isso é algo pessoal e quase sempre intransferível. Problema é o mal que assola a humanidade desde que o homem macaco resolveu descer das árvores e morar numa caverna com sua amada mulher macaco e seus pequenos meninos macaquinhos. Naquele tempo, a dimensão dos problemas não era suficientemente grande, pois não existia cartão de crédito pra sua mulher macaco gastar com bananas num shopping center selvagem, não existia o aluguel da caverna pra pagar e nem o IPVA do carro. Entretanto, o homem das cavernas também tinha problemas que pra eles eram assaz complicados de se resolver, e muitos não havia resolução alguma, como a ameaça iminente de animais e as intempéries.
O que quero explicitar é que problema todo mundo tem, e só quem tem sabe a dimensão do mesmo. Eu, como artista que sou, tenho a mania complicada de exacerbar os meus problemas, dando dimensões desmesuradas a acontecimentos que, para outras pessoas, seriam facilmente solucionados. Assim, passo mais tempo incomodado com o problema e quando a solução aparece, já estou tão estressado que não colho os louros dela.
A preocupação não resolve os problemas, isso é frase feita e não funciona pra quem exige um mar de rosas como padrão de vida. Meu maior problema, com perdão do trocadilho, é não aceitar uma vida mais ou menos e nem que os acontecimentos fujam ao meu controle. Além disso, ainda tenho a ignominiosa fantasia de que os meus problemas geralmente são bem maiores que os dos outros.
De acordo com a minha teoria de cada um com os seus problemas, se eu fosse o superman, meu maior problema seria nada mais que salvar a humanidade e ainda me preocupar com Lex Luthor. Infelizmente eu não sou e os meus problemas consistem, basicamente, em coisas simples solucionáveis, todavia, tenho um lema e ele diz o seguinte, não existe problema que a falta de mulher não consiga piorar. E uma coisa sempre atrai a falta da outra ou em ordem contrária. Entretanto o assunto aqui é outro e fiquemos nele...
O que para muitos pode ser uma tempestade, para outros simplesmente um copo dágua. Recordo-me agora quando tive um acidente de moto e estava acompanhado de um amigo, enquanto estávamos os dois no chão, tínhamos uma grande preocupação: Quanto tempo vamos ficar sem treinar? Muitas pessoas estariam preocupadas com fraturas, com luxações, mas nós dois tínhamos outro tipo de problema, para nós dois, ficar sem andar seria muito mais degradante que para uma pessoa comum que apenas teria a dificuldade de locomoção.
As vezes fico pensando o quanto não deveríamos nos preocupar com problemas, já que esta atitude não funciona na resolução do problema, mas não dá pra ser inerte e não se preocupar. Todavia, a preocupação têm que ser dosada a níveis que atrapalhe muito pouco o desenrolar da vida. Por exemplo, alguém preocupado com a morte, não pode deixar que essa preocupação atrapalhe o seu bem estar.
Cada um tem uma característica e um modo de viver, até as crenças interferem na resolução e na tranqüilidade diante do problema. Quando alguém me pergunta como é ser ateu, eu costumo dizer que ser ateu é não ter ninguém para depositar os seus problemas, eu costumo resolver os meus sozinho. Sendo ateu, eu não preciso me preocupar com desígnios celestiais, ira divina, inferno, etc., mas também não tenho o alento dos teístas que acreditam que serão ajudados por alguma força sobrenatural.
Outra coisa que falta em mim é o fanatismo futebolístico, observo quando os torcedores se vestem com as cores do seu time, vestem seus filhos, pegam bandeira e partem para o estádio pra torcer. Naqueles instantes, eles apenas estão preocupados com o seu time, só isso interessa, daí eles se esquecem da conta do cartão de crédito, do patrão chato que o espera na segunda-feira, a prestação infinita do carro pra pagar, nada disso tem valor, o importante é o time que está jogando. E na segunda-feira, mais importante que tudo isso, é o resultado e a zombaria com os colegas que obtiveram vitória ou derrota.
Daí, eu, do alto da minha sábia filosofia de botequim, afirmo que ser meio bobo é muito bom para o bem estar. Talvez se eu cresse em forças sobrenaturais, fosse um monge tibetano ou torcesse para algum time com toda veemência que vejo por aí, eu não ficaria preocupado com a falta que o sexo e o dinheiro faz na vida de um homem.
Claudio R. é escritor e esportista, mas infelizmente o esporte dele consiste em torcer pra ele mesmo.
enviada por O Ladrão de Palavras
22/04/2008 14:29
UM HERÓI PERDIDO EM SOTERÓPOLES
Por Claudio R.
Nenhuma cidade do país tem o marketing turístico que a capital do meu estado. Uma das maiores cidades do país, e com a fama de ser a terra da alegria e do axé. Não nasci e nem sou daqui, mas minha árvore genealógica, por parte de mãe, tem suas raízes fincadas nessa terra de chão pintado de preto pela própria natureza.
Aqui é um lugar muito bonito, lindo de morrer! Ops! Aqui se morre bastante e vive-se com medo de morrer. Não é só a terra de cantos, encantos e axé, o baiano é temeroso em relação a sua vida, pois os crimes de mortes são iminentes a cada esquina ou beco. E por assim dizer, beco aqui é o que mais tem, mais até do que as belas paisagens do farol da Barra e/ou de Itapoã.
Nunca gostei de Salvador, por ser uma cidade agitada, muito maior do que as minhas expectativas e minha invulnerabilidade. A amplidão da cidade, que não é tão imensa assim, não é compatível com os meus super-poderes, o que, neste ponto de vista, configura-se como uma fraqueza para o meu peito de aço. Por não suportar a disputa, Salvador nunca foi um lugar atrativo aos meus anseios de super-homem. Aqui há muitos mais heróis do que o meu conhecimento pode abarcar, há mais outros iguais ou melhores que eu. E como sou um herói solitário, não dá pra montar uma liga da justiça com eles.
Além de heróis, há heroínas. Não há como negar que as mulheres daqui, são mais bonitas que as de qualquer lugar do mundo. A miscigenação é mais forte e mais evidente. Principalmente no ponto de vista dos turistas. Homens e mulheres do lado de cima do Equador se interessam por gente da minha cor azeviche. Talvez pelo contraste lindo ou no azo de montar um Yn Yang étnico. Nisso eu poderia achar uma maravilha, já que levaria vantagem sendo um representante ímpar da pele de ébano. Todavia, não tenho saco pra ser babá de babões e babonas cheios de grana e achando que pode comprar de tudo.
O que não é nada bonito são os meninos, as meninas e os que não se pode definir, literalmente, que se oferecem aos montes para os turistas cheio de dólares e amor pra dar.
Terra da alegria e festa! Rola festa em todo lugar, mas temos que ser abonados financeiramente para participarmos. A maioria dos lugares são imensamente distantes uns dos outros, e estas distâncias ficam maiores quando olho com a minha visão de raio X de super-herói do interior. O costume de andar a pé aqui fica a cargo de desavisados ou empobrecidos da disparidade social que aqui se encontra. Por ser um herói naturalista, não consigo entender como tantos carros podem levar tão poucas pessoas.
Herói de verdade anda de bicicleta, não polui a natureza e nem congestiona o trânsito. Contudo, a idéia de que o baiano é um povo estafermo e ocioso não é vista por aqui. Baiano anda de carro com apenas um passageiro e está sempre com pressa, é ignorante no trânsito e mal educado. Faixa de pedestre é um lugar para se parar os carros com apenas um passageiro e ciclovia é lugar de qualquer coisa, exceto bicicletas. Aqui, no trânsito, cultiva-se a cultura do primeiro eu, segundo eu e depois de mim sou eu.
Ah, mas como diria Vinícius, o poeta, existe a tarde em Itapoã pra compensar. As praias daqui são realmente maravilhosas e de ponta a ponta há locais de banhos. Se tiver que escolher alguém pra ficar, vá as praias, há baianos, baianas e turistas de todo tipo e, em sua maioria, lindos. Mas cuidado com os pés, pois essa gente que gosta de se bronzear, também gosta de sujar e deixar vestígios da sua passagem por esta área.
Ainda, se você não for rico o suficiente para vir de carro à Salvador, ou alugar um carro de bacana, há o grande risco de levar baculejo (ser vistoriado com apalpações quase sexuais pela polícia) quando quiser sair à noite. Não sei porquê a polícia daqui acha que bandido só anda de carro popular.
Hei, tira a mão daí, essa é minha arma de salvação da humanidade. Claro que não é de fogo! Aliás põe fogo, mas é de uso exclusivo de mulheres, o que não é seu caso. Não preciso de armas, sou um super-herói... E me desculpe por não está andando com um carro de cem mil ou voando com minha capa vermelha.
Eu não poderia esperar muito de um lugar onde o Bairro da Paz vive em guerra. Venha a Salvador, mas seja rico, mal educado no trânsito, apressado em todos os afazeres e curta bastante ir à festas e pegar engarrafamento na ida e na volta. Pois, O Salvador daqui é puro marketing turístico. Eu vou bater minha capa daqui para um lugar onde a única coisa discrepante seja o surrealismo de Salvador Dali.
Claudio R. é o escritor dO Ladrão de Palavras.
enviada por O Ladrão de Palavras
08/04/2008 09:30
ME DÊ UM ORGASMO SE FOR CAPAZ
Por Claudio R.
Mulher que não goza existe aos milhares, dado à cultura retrógrada na qual foi educada, esta mulher aprendeu que sexo é o mais animalesco dos instintos e por isso não se deveria sentir prazer com algo tão menor.
O mundo cresceu, as pessoas ficaram mais inteligentes e aprendeu-se que o sexo (mesmo ainda sendo animalesco) é muito melhor do que os ensinaram. E que tudo é permitido desde que seja feito de acordo com a vontade de ambos. Mas aí reside o maior empecilho, na maioria das vezes as vontades não sincronizam e geralmente o gozo das mulheres empaca na sua própria vontade de não querer sincronizar.
Atualmente fala-se muito em liberalidade na cama e que, nesta tal liberalidade, um casal (ou até mais pessoas) pode tudo, mas muitas mulheres, principalmente, não se liberam para o tudo, desde simples coisas, como o sexo oral (leia-se gozar na boca) à qualquer técnica ninja sexual (leia-se mais menaje, dp, etc). Assim, a relação sexual plena fica a cargo da raridade de dias festivos e do amadorismo da falta de prática.
Amador é aquele que pratica, variavelmente, ou tenta, algo que o profissional é exímio. Então, quem se sente à vontade para ser amador jamais desejará a responsabilidade e a etérea reputação de profissional.
Com o gozo é bem assim, se você é amador nesta parte tênue do sexo, não se formará profissional se isso não for um desejo unicamente seu. Todavia, ouve-se muitas mulheres dizendo que tal coisa é boa, mas o homem tem que saber fazer. Aí é que falta o profissionalismo, pois se um não souber o outro tem que está de prontidão para ensinar, e mesmo assim isso não deveria impedir o bel prazer da parte sabedora.
Até nisso encontra-se resquícios da submissão imposta durante anos, pois muitas mulheres ainda se submetem ao querer do homem. Fulano me fez gozar várias vezes ontem à noite. Quando o correto deveria ser: Gozei várias vezes com o fulano, ontem.
De tanto ouvir: Sexo anal é bom, mas se o homem não souber fazer é ruim e eu não gozo; Ele não sabe me fazer gozar no sexo oral; e o fulano me faz ter orgasmos múltiplos. Resolvi desmistificar e provar quase que por uma equação de álgebra que ninguém faz ninguém gozar se o outro não quiser.
Saí com uma menina que realmente era um furacão, uma gostosa de proporções desmedidas, exímia na arte de trepar. Fomos a um motel, nos beijamos, acariciamos, ela gozou eu fazendo oral e a penetrando fazendo pressão no ponto G dela (Ela queria gozar, é claro). Ela me chupou, muito bem, como sempre fazia, e quando estava me cavalgando, eu disse a fatídica frase: Me faz gozar! E ela: Como?!!. Eu confirmei: É isso mesmo, me faz gozar como nenhuma melhor o fizera.... A mulher ficou ruborizada, fez todo tipo de movimento possível naquela posição, rebolava, extremecia, ficou de quatro, tremia feito uma dançarina de axé. Ela resolveu me chupar com mais afinco, mas não adiantava. Usou bala de menta extra forte, gritava, gemia e parecia encarnar uma entidade com os gemidos, mas eu continuava no meu propósito de não querer gozar. Mesmo quando ela pediu com voz sedosa e safada: Põe no meu bumbum!. Eu pus, ela gozou, seu corpo gelou, ela tremia, chorava pela boceta, mas nem assim!!
Ela sentiu a responsabilidade que a maioria dos homens de boa vontade sentem, ou seja, sentiu-se muito mal por não conseguir me fazer gozar, e com isso eu provei que ninguém consegue obrigar o outro a ter um orgasmo alheio a sua vontade. Bem, a mulher não entendeu o meu empirismo sexual, mas fazer o que?
enviada por O Ladrão de Palavras
03/04/2008 05:52
QUER PAGAR QUANTO?
Por Claudio R.
É meio loucura, mas é a única opção no momento, pelo menos é o que dá mais dinheiro em menor espaço de tempo. E esse telefone que não toca!! Bem que eu poderia receber uma ligação me chamando para fazer qualquer coisa e eu não precisasse fazer isso. A mega-sena me deixaria feliz da vida. Se ao menos eu jogasse... É! Vou seguir o meu caminho, também não lá nenhum infortúnio. Pior é quem não tem nem essa oportunidade de trabalho... Pior é quem não tem o que comer... (Sem trocadilho, sem duplo sentido). O que fazer? É só dançar... Que bobagem! Já dancei tanto nessa vida e não ganhei porra nenhuma, agora que não é mais de graça eu estou me queixando. Esse cara me olhando, olha só isso. Chega pra lá, meu irmão. Lá vai ter muito disso, embora o nome seja direcionando para mulheres, duvido que uma Scheila Carvalho apareça lá. A Scheila está um monstro de gorda, mas eu treparia com ela assim mesmo. Difícil achar com quem eu não treparia. Se alguma mulher lá me chamar pra trepar, eu vou avaliar bem a situação, o binômio custo x benefício faz-se necessário estudar. A noite é uma criança e eu já não sou mais uma, posso tomá-la em adoção. O lugar até que é bonitinho, devo salientar que ficar aqui não será uma tarefa tão árdua. Esse cara aqui deve ter um pau bem maior que o meu, olha só o tamanho do cara! Epa! Melhor eu parar de olhar para estes caras, eu sou facão, só corto de um lado e o lado que corto já é até cortado. Se já é cortado, pra quê serviria o facão? Ah, já sei pra cortar na horizontal... Como o daquela loira que está ali de conversa com os fortões. Quem será essa mulher? Linda de mais. Voz grossa da porra, que negócio estranho. Ai, ai, ai! Estes caras são todos mais fortes que eu, devem ganhar mais... Muda logo esse seu raciocínio senão vai começar um complexo de inferioridade que não combina com você. Eu sei o que tenho que fazer, sei dançar, sei tirar a roupa, só não havia recebido dinheiro na cueca. Que cueca de frutinha, meu pau não cabe aqui dentro, pior, minha bunda não cabe nesse fio. Fio dental fica até bonita naquela loira, quer dizer... Nunca vi uma boceta tão grande! Vamos lá, vamos lá. Eu queria aquela roupa de soldado, combina mais comigo, eu já fui soldado e fica bem melhor que essa roupa de couro com essa cueca enfiada na bunda. Agora eu sei o que sente uma mulher com uma calcinha enterrada. Dinheiro, dinheiro. Olha lá quanto aquele cara ganhou! Concentração total, eu não posso ficar nervoso, se não a coisa não flui corretamente. Luzes, câmera, ação. Minha vez... (Paran, paran, paran, paran, ran, ran, ran, paranranran). Só têm homens na platéia, espero que eles não resolvam pegar em mim, estou precisando de dinheiro, mas minha masculinidade não está à venda. Se bem que olhando para essa calcinha, digo, cueca enfiada no meu cu, não sei não. Não há a quem recorrer. Dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço, então, não deveriam me colocar para dividir o palco com o bombeiro. O cara é um armário e a mangueira dele é maior que a minha. Não preciso ficar assim, eu sou mais esperto, mais inteligente, meu corpo é muito mais definido, eu pego mais mulheres, eu sei tocar flauta. Ops! Não sei tocar nada, aqui não é lugar para enumerar meus dotes musicais, principalmente instrumentos fálicos, ainda mais com esse bando de gente me olhando. Bombeiro otário, olha só, está todo mundo me olhando. Aí, o cowboy é mais procurado e mais famoso. Shiiiii! Ai, ai. Ah, vocês querem o meu chapéu? Então toma! Emocionante esse negócio, estou começando a gostar. O problema é que eu não sei me vender. Mas eu me venderia para a loira de voz esquisita, quem será ela? Aliás, não precisa nem pagar, eu vou de graça e com a grana que vai sair daqui, posso até pagar. Bem que poderia ter mais mulheres aqui. Tudo por aqui parece, mas não é. Um clube de mulheres que só tem homens, mas os homens que são homens não são muito. Se tiver duas mulheres aí em baixo eu mudo meu nome, aliás, mudaram o meu nome. Pelo menos me deram um nome austero. Epa! Não passa a mão em mim, que negócio nojento, homem pegando em homem. Tira a mão daí. Hum! Quatrocentos. Humm! Pode por a mão. Hei, você aí também, não se faça de rogado, só cenzinho? Matei oitocentos e cinqüenta paus, digo, reais. E você pode ganhar mais cowboy... A loira! E o que eu teria que fazer? Nem me fale. Hei, cowboy, a loira é um loiro, Êla é namorado do dono da boate. Namorado? Não ligo, não sou ciumento. Ah, esquece esse papo careta, e daí que ela é um transex? Um virgula a mais numa mulher não vai fazer diferença, a não ser que seja na hora de me pagar, daí a coisa pode piorar. Epa! Maior que o meu! Olha só, ficamos entendidos que eu sou facão, às vezes posso ser espada e furar como espeto. Fica de quatro e faz de conta que você é uma picanha, mas amolece esse negócio que eu não gosto de lingüiça, principalmente toscana.
enviada por O Ladrão de Palavras
01/04/2008 18:07
A MAGNÍFICA ARTE DE CHUPAR
Por Claudio R.
O mesmo que sugar, sorver, aborver... Chupar é realmente uma arte e não são todas as pessoas que estão credenciadas à prática. Desde criança aprende-se a chupar, sem o ato de sorver o leite, jamais chegaríamos a idade em que se adjudica o direito de praticar a sua variante mais maravilhosa, a saber, o cunilingus.
No sexo, chupar é uma maravilha que não agrada a todas as categorias e isso faz da prática muitas vezes um desastre de proporções desmedidas.
Não existe escola pra isso, nenhum homem sabe ensinar, nem aquele seu amigo pegador-expert- bambambam-comedor sabe, talvez nenhuma mulher saiba dizer como gosta e daí torna-se difícil executar. Chupar tem que ser por prazer. Não necessariamente precisa ser o prazer de quem é chupado(a), e sim, o prazer de quem chupa. Tem que ser feito com gosto, com vontade, como se dali saísse o alimento que livraria da morte, salvaria a vida... Pra chupar não se deve seguir regras básicas predefinidas, não se deve seguir livros, principalmente os religiosos.
Chupar é um desejo que viaja do consciente para inconsciente transportando quem chupa e quem é chupado para um mundo de maravilhas. O maior problema é quem não sabe o que está perdendo, quem não gosta de prazer, quem não sabe sentir prazer, quem não se permite à esta experiência magistral.
Por culpa da cultura que lhe é imposta, mulher geralmente é maioria no rol dos que não se permitem chupar ou serem chupadas. Por terem sido educadas com rigor excessivo, com repressão sexual, muitas delas não conseguem ser exímias na arte.
Existem as que têm nojo da própria genitália, conseqüentemente elas terão nojo da genitália masculina, daí, vão chupar (se chegarem a chupar) com uma mesquinhez de desejo que não causará nenhum prazer no parceiro. Têm aquelas que sentem vergonha da própria boceta, então elas ficarão retraída em por um pau na boca.
O pudor tem que ficar de fora na hora de chupar, deve restar apenas o desejo, a luxúria, a lascívia, a safadeza e muita putaria. Receber uma chupada bem dada é de deixar o pau mais duro que concreto fck 50. Em compensação, cometer deslizes do tipo: chupar só a cabeça, como se só a glande fosse zona erógena; passar os dentes; chupar descompassado; etc, não merece perdão.
Também, chupar uma boceta pode também não trazer o resultado esperado. Pois muitos homens, por serem egoístas em excesso, não conseguem se entregar ao ato, não chupam com o desejo pedido, sem o pudor necessário e com a vontade de vida. A boceta é tão pequena e muitos homens não conseguem chupa-la por inteira. Essa deve ser a única regra a ser seguida, não esqueça do botãozinho dourado, ache-o, mas não despreze todo o resto, a boceta deve ser chupada como um todo e não apenas isolar-se numa parte.
Por fim, dizem por aí que os homossexuais são exímios na arte de chupar, sejam eles gays ou lésbicas, mas isso evidentemente deve-se ao fato de que eles sabem como gostam que sejam feito neles. Portanto, se você é homem e uma lésbica quiser ser sua amiga, não estrague essa amizade em hipótese alguma, ela pode te ensinar o caminho das Índias, não só destas, mas também das negras, das orientais, das arianas, etc. O mesmo para você mulher, procure pôr em prática os conselhos daquele seu amigo gay, ele vai te ensinar muito mais do que você imagina.
enviada por O Ladrão de Palavras
19/03/2008 15:38
DESTRONADO
Por Claudio R.
É apenas isso, um caso de amor que me foi completamente atípico, aliás, a minha primeira relação verdadeira e digna de querer eterniza-la na área mais indelével do meu âmago. Por achar-te superior, quis torna-me grande, imperativo nas tuas vontades, solícito nos teus desejos, entretanto, foste apenas uma suposição da minha vã ingenuidade.
Fui púbere, não por respeitar-te como mulher, pois a instituição mulher merece mais do que eu na fraqueza da existência humana pude dar, mas, sim, por dar-te valor majestoso, quando apenas merecia tratamento plebeu ou tratamento algum.
Vejo que é assim que funciona, nas histórias infantis, das quais tu deves ter saído, merecias ser vilã, bruxa, madrasta... Equivocadamente te vi como a princesa que vive feliz para sempre com o príncipe encantado. Tolices! Fui tolo a acreditar que eu poderia usar as vestes de alteza real e que tu serias minha eternamente.
Não decidi de caso pensado abdicar dos prazeres carnais aos quais a minha liberdade adjudicava, devo te render créditos, pois isso foi uma conquista de tuas habilidades femininas. Neste quesito eu não posso negar que tu és maestrina, isso eu vou sentir saudades inefáveis. Só agora consigo montar o quebra cabeça. Tal qual Marx, entendo o quanto a tua qualidade sexual provinha de uma quantidade desmedida que eu jamais ousaria enumerar. Eu talvez leve a minha juventude inteira para ter em minha alcova metade dos homens que tu tivestes nos mais inimagináveis lugares.
De princesa a messalina, cá, de príncipe a... Eu poderia utilizar a alcunha de idiota, mas otário me cai melhor, haja vista que idiotas não mudam e não aprendem. Aprendi muito pouco contigo, perdi mais que ganhei e vou levar muito pouco pra casa. Contudo, aprendi a lição que o tempo ensina, aprendi a lição que as perdas trazem. Levas contigo o meu descontentamento e um desejo mórbido de vingança, todavia, não despenderei o meu precioso tempo com algo tão desmerecedor, a saber, tu.
Meus olhos e todos os outros sentidos são testemunhas cabais da ignominiosa atitude tomada por ti, é irrefutável a eu chamar-te de mulher de baixo meretrício a qual eu disfarçadamente paguei mais do que merecia. O tempo perdido contigo adicionado à morosidade das resoluções naturais trouxeram com eles a conta atrasada.
Brinquei bastante com a tua inteligência duvidosa e agora vi o quanto tu vais sair ganhando e eu perdendo. Se bem que quem ensina ganha mais do que quem é ensinado, assim, tenho um lucro absurdo de intelectualidade em detrimento da sua falta dela.
Resta-me agora refazer a vida, retomar a paz e esquecer a mulher de conduta reles que um dia ousei pensar em amar.
Claudio R. é o escritor dO Ladrão de Palavras.
enviada por O Ladrão de Palavras
01/03/2008 10:20
SOBRE O SARGENTO HONÓRIO: O Cara
Por Claudio R.
- Não sobe ninguém...
Esta frase foi dita pelo personagem de Wagner Moura em Tropa de Elite. O filme mais comentado dos últimos tempos, basicamente pelo personagem Cap. Nascimento, um homem tido como incomum, por sua impavidez e conduta ilibada. Ao assistir o filme, eu me lembrei de uma época da minha vida, o fim da adolescência e a hora em que os meninos foram separados dos homens. Foi no tempo do exército, serviço militar obrigatório, em que eu conheci o sgto. Honório, um homem que excedia os limites da macheza.
Naquela época, mais que hoje, eu era conhecido por uma frase: Se um homem pra ser homem precisa ter duas picas, eu tenho uma que vale por duas. Eu era um magricela, um molequinho tísico que tinha uma pancada canhota inigualável, treinava um boxe meia-boca, mas era dedicado em causar surpresa com a mão esquerda. Era briguento e mal humorado e não levava desaforo pra casa, aliás, eu não levava desaforo pra lugar algum. Todavia, eu não era o homem mais homem que os outros, este era outro...
Num quartel do exército eu era o cabo nº 07 e lá aprendi um monte de coisa, inclusive a levar desaforo pra casa, pro quarto, pra cela, pelo estômago, etc. O sgto. era um homem branco, alto, por volta de 1,80 m, honesto e uma desmesura de brutalidade. O cap. Nascimento pediria penico pra ele, ou melhor, pediria pra sair perto das coisas que ele fazia.
De tudo que mandava a gente fazer, ele dizia que fazia em dobro, entretanto, 59 homens não tinham coragem de pedi a prova concreta desta afirmativa, mas eu, volta e meia, cobrava isso dele. Envolto num medo raro espiava ele fazer dobrado e mandar eu fazer pelo menos a metade, caso contrário, 15 dias de detenção, nº 07.
- Nº 07, você costuma dizer que é mais homem que todo mundo e que tem uma pica que vale por duas, eu acho que o Sargento Honório tem quatro da sua...
Recordo-me do dia em que o nº 42 foi preso por uma briga durante uma festa de largo numa cidade vizinha. Tudo normal, até o Sgto. descobrir que um homem dele estava preso numa cadeia civil sem a sua autorização.
- Nº 07, monte uma guarnição, 08 homens, prepare o jeep, vamos buscar o nº 42!
- Senhor, precisamos ir armados?
- Até os dentes...
Peguei os homens mais afobados que ficavam sob o meu comando, fuzil, adaga de 12 e muita vontade de ver a cobra fumar. Saímos num alvoroço interno, nossos dedos coçavam, nossos punhos ardiam de vontade de bater, mas nós não sabíamos em quem nós teríamos que fazer isso.
Ao sairmos da cidade o sargento mostrou por que tinha quatro pênis. Havia uma blitz da polícia rodoviária, num jeep não cabem nove pessoas, e garotos de dezoito anos não possuem carteira de habilitação, portanto, estávamos completamente ilegais. Mas tínhamos o sargento sobre o nosso comando, assim, tínhamos a benção dos fenômenos da natureza
- Meu caro policial, estamos em tempo de guerra, caso queira obstruir será considerado inimigo, meus homens serão obrigados a agir como tal.
- Não há problema, senhor, podem passar, fiquem a vontade...
Eu ri muito com aquela situação, mas claro que tudo discretamente, o sargento odiava ver sorrisos e zombaria. Enfim, chegamos à cidade, fomos direto para a delegacia, eu disse pra mim mesmo: Isso não vai dá certo, vai dá merda e eu não sei quem vai limpar.
O sargento, do alto da sua brutalidade característica, entrou na delegacia, entrei com ele, um homem ficou no jeep, dois na porta, quatro entraram logo após e lá começou a maior confusão que eu já havia me metido. Eram dois policiais de plantão e um carcereiro, os coitados não tiveram tempo nem de se assustar, o sargento foi logo mandando abrir a cela e soltar o homem dele. Ao ouvir isso o policial sorriu, quase foi esmagado contra parede, o sargento o empurrou e eu apontei o fuzil para o outro, os meus homens entraram e miraram também.
- Abra a porra da cela, antes que eu comece a me irritar...
- Mas, mas...
- Sem mas, mas... Eu quero a porta aberta... nº 07 atira.
Levei um susto, mas só pra confirmar, eu perguntei: Em qual deles, senhor? Os policiais tremeram mediante a minha pergunta, mas o sargento logo tratou de elucidar...
- Na fechadura, idiota...
- Não precisa respondeu o carcereiro, com as chaves na mão eu tenho as chaves, já vou abrir.
A cela foi aberta, o nº 42 saiu, levado pela gente, mas cometeu um grave erro ao sair: Zombou dos policiais dizendo que eles eram uns manés, mas viu seu dia de rei virar dia de tristeza.
- Vamos homens, e você nº 42, 15 dias de detenção e mais outros 15 de serviço no quartel.
- Poxa sargento, aqui eu sairia na segunda, eu quero voltar pra lá...
Ninguém riu, afinal, o homem que havia contado piada não gostava de risos, aliás, ele não gostava de nada, nem dessa história que acabo de contar. E outra coisa, o nome Honório é apenas fictício, pois eu não teria coragem suficiente pra dizer o nome verdadeiro dele. Outra coisa, ele era o cara, e aí de quem ousasse fazer gracinhas com tom pejorativo com isso, pra falar a verdade, eu teria pena da Kelly Key se ela fosse mais acessível e cantasse aquela música chatinha dela.
enviada por O Ladrão de Palavras
20/02/2008 17:06
ARREPENDEI-VOS
Por Claudio R.
O título desta crônica deveria ser arrependei-vos e multiplicai-vos os erros, pois é essa a idéia que se tem quando se fala em arrepender-se. Acredita-se que pior que o erro cometido é o próprio arrependimento, como se não fosse possível escolher entre praticar e não praticar o erro.
No que diz respeito ao arrependimento a maioria esmagadora das pessoas se depara com o impasse entre o medo de fazer e arrepender e atirar-se desenfreadamente ao erro e mesmo assim não se arrepender.
A vida é cheia de bifurcações, a maioria delas não cabe volta após ter escolhido um lado para seguir, assim, cabe às pessoas agirem de forma tal que caiba a possibilidade do arrependimento, pois ele é uma realidade a qual seres humanos deveriam está habituados, haja vista que, não sendo autômatos, não seguimos uma regra matemática pela qual já se conhece o resultado.
Por não se conhecer o resultado final dessa equação chamada vida, há uma grande probabilidade do resultado ser mais que x, y ou z, pois além do acerto, pode haver o erro e/ou simplesmente nada acontecer. Daí, surge o medo de errar ou o medo de arrepender-se. Contudo, parafraseando um dos maiores (se não o maior) filósofo chinês, eu digo que só os idiotas ou os muito sábios não se arrependem. Os muitos sábios por não existir a possibilidade de erros; e os idiotas por não acreditarem que os erros existiram.
Estes segundos costumam dizer que se arrependem do que não fizeram ao invés do que fizeram. Ou seja, para estes, é mais doloroso deixar de investir em um caminho a investir num caminho qualquer. Isso não chega a ser de todo errado, pois essas pessoas são geralmente impulsivas, e como disse Maquiavel, a sorte é amiga dos impulsivos, portanto, estas pessoas tendem a acertar os seus caminhos.
Contudo, o que dizer de pessoas que por não serem tão sábias e nem tão idiotas, são comedidas nos seus atos e, portanto, não recebem o galardão da sorte? Partindo da premissa de que estas pessoas costumam errar mais e sofrer as conseqüências dos seus erros, elas devem se arrepender do que fizeram, se não, sofreriam as seqüelas deixadas por sua ignorância.
Consertar o erro consiste em arrepender por tê-lo cometido, estudar uma maneira de não cometê-lo mais e aprender com as situações que este erro levou.
Alguns erros dão prazer, aliás, a maioria das atitudes errôneas dá prazer e torna-se difícil arrepender de algo que deu prazer, principalmente depois que se cura as feridas e que já se levantou. Mesmo estes erros não deve haver o temor do arrependimento, afinal você é uma pessoa que tem desejos e vontades que podem ou não mudar durante a sua vida.
Claudio R., o escritor dO Ladrão de Palavras, costuma se arrepender, mas como é impulsivo, a sorte anda ao seu lado.
enviada por O Ladrão de Palavras
18/02/2008 16:50
OBRIGADO POR DEIXAR AJUDAR
Por Claudio R.
Van, movido por um sentimento filantrópico, implora para que seu grande amigo André e sua nova namorada fiquem àquela noite em sua casa:
- André, eu não acredito que você vai ter a audácia de viajar esta hora da noite, sendo que eu tenho um quarto com cama de casal limpo e cheiroso... Esquece o cheiroso!! Caiu na gargalhada e esperou André acenar com a cabeça dizendo que ficaria.
André é o grande amigo de Van, praticamente irmãos, pau pra toda obra e é relevante dizer que eles sempre topam quaisquer paradas juntos. Van sempre fora o rei da luxúria e André como um fiel escudeiro ou talvez, em determinados momentos, um súdito solícito. Naqueles tempos, ambos estavam já tranqüilos em suas vidas, ambos já perto dos quarenta anos. Mas no passado, foram uns inconseqüentes, não mediam esforços para comer uma mulher e não havia muitos princípios éticos e morais entre eles e suas conquistas.
Quando Van olhou para a namorada de André viu voltar a tona todos aqueles sentimentos de outrora, ficou excitado só de olhar para o contorno do seu corpo, que estava coberto por um vestido longo folgado e transparente. Lorena...
- Lorena Muller, muito prazer! Aquelas palavras foram proferidas por uma boca carnuda, os lábios pareciam um alto relevo de uma estátua grega, grossos e suave... Sua voz doce parecia sussurrar.
- O prazer será todo nosso!!
André olhou pra Van abruptamente quando sentiu que a sua frase tinha tom lascivo e que seu amigo poderia está sendo algo muito mais adiante da gentileza. Olhou para o amigo com olhar repressor e viu este baixar as vistas para o colo de sua namorada. Os seios de Lorena se mantinham apontado para o teto e hipnotizando Van, mas este tentava, sem sucesso, disfarçar o seu interesse repentino pela namorada alheia.
André resolveu ficar, realmente era muito distante, a viagem seria longa e não compensava rodar a noite, sem contar que aquela era a primeira vez que saía com a namorada e eles não haviam transado. Surgia ali a oportunidade de acontecer, com todo conforto, toda pompa e circunstância, concedidos por Van.
Foram dormir, durante o sono Van sentiu um calor que o fizera levantar e ir banhar-se no meio da noite. Como o banheiro da sua suíte era colado ao banheiro social, quando terminara, ouviu um pequeno barulho e torceu para que fosse Lorena do outro lado. Saiu sorrateiramente, cruzou a sala como um ladrão silencioso e impávido, aguardou à porta do banheiro. Pensativo! Relutante! Mas estava cônscio do que queria, e ele queria ter Lorena naquela noite.
Quando a porta do banheiro se abriu, lá estava ela, estonteante, linda e loira. Os cabelos estavam levemente esvoaçados, ainda assim, belos; trajava apenas uma blusa semitransparente e uma calcinha que logo ele descobriria ser minúscula.
Também não conseguiu dormir, Van? perguntou ela, com aquele ar malicioso e ingênuo que ela transportava consigo.
Sim, alguma coisa estava aqui, permeando os meus sonhos...
Sendo assim interrompeu ela você, ao menos, deve ter dormido alguma coisa, já que sonhou?!
É, pode ter sido, mas eu estou sonhando desde as 20:00 hs, quando você chegou aqui em casa falou isso aproximando-se e diminuindo o tom de voz para que ela sentisse a necessidade de está mais perto para ouvi-lo.
Mas e o... Van nem esperou ela terminar e encaixou um beijo ávido e forte.
Lorena relutou, tentou empurrá-lo, mas logo sucumbiu aos braços fortes de Van. Ele a empurrou de volta para o banheiro, trancou a porta... Agora, Lorena deixava de ser relutante para ser sequiosa, e com isso utilizou a sua boca linda para percorrer cada pedaço do corpo semidesnudo de Van. A esta altura Van, que usava apenas um short, demonstrava toda a sua intenção de provê-la de prazer e tesão. Assim, a colocou sobre a pia, abriu suas pernas e apoiou sobre o seu próprio ombro, deixando a mostra o pequeno desenho que adornava a calcinha e, ainda, ficando à mostra extremidades de seus pêlos pubianos, que se esgueiravam libidinosamente pelas frestas da calcinha. Ele arrancou sua calcinha e deliciou-se com o néctar que escorria dela, levando Lorena a soltar pequenos uivos e alongar seu corpo em direção ao teto, soltando o cabide no qual se apoiava para passar a direcionar os movimentos de boca e língua de Van. Ele a penetrou forte, arrancando mais gritos de dor misturados ao prazer... Foram vários orgasmos até ele a virar, colocá-la de quatro, de costas com as mãos apoiadas no vaso sanitário e penetrá-la... Gozaram cambaleantes!
Retomaram os seus quartos e enquanto Van dormia satisfeito, Lorena acordava André para um segundo tempo, o qual ficou surpreso e ao mesmo tempo feliz. No dia seguinte, ao acordarem, André agradeceu Van pela hospitalidade.
- Não há de quê, o prazer foi todo meu.
Claudio R. é o escritor dO Ladrão de Palavras, por algum tempo lhe foi roubada a inspiração, e ladrão que rouba Ladrão, bem, aqui o ditado muda.
enviada por O Ladrão de Palavras
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